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Abifer: Produção de vagões deve crescer 53% em 2011

A velocidade pode não se equiparar à dos produtos que fabricam e não ser suficiente para resolver todo o urgente gargalo brasileiro na área de logística, mas as indústrias de vagões, trens de passageiros, embarcações, caminhões, ônibus e implementos rodoviários estão acelerando os investimentos em tecnologia, processos e no aumento da produção. Previsão de crescimento econômico sustentável, Copa do Mundo, Olimpíada, maior investimento das concessionárias e plano do governo para equilibrar a matriz logística do país até 2025 são o pano de fundo das estratégias de expansão que hoje estão a todo vapor em grandes indústrias. Empresas projetam investir ainda mais, à medida que o crescimento da demanda e o surgimento de novos projetos de ampliação das malhas ou antigos planos saiam do papel e permitam novos aportes.


Na área ferroviária o sentimento é de que a década será das mais promissoras e baterá recordes de produção, como afirma Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer). “Será um período de consolidação do setor”, acredita. As empresas deverão investir entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões no total neste ano, ele calcula. Entre 2003 e 2010, investiram R$ 1,1 bilhão e hoje operam com folga na capacidade instalada, atualmente de 12 mil vagões de carga, 900 carros de passageiros e 150 locomotivas por ano. A previsão da Abifer para 2011 é de produção de 5 mil vagões, cerca de 53% superior em relação a 2010; 100 locomotivas, 47% a mais; e 450 carros de passageiros, com alta próxima de 5%. O otimismo de Abate pode ser bem observado nas previsões para o período de dez anos.


Na década de 1970, a melhor em números totais para o setor até o momento, as indústrias produziram 30,6 mil vagões, 638 locomotivas, e a estimativa de 2010 a 2019 é de 40 mil e 2,1 mil, respectivamente. Ou seja, a expectativa é mais do que triplicar a produção de locomotivas e expandir em cerca de 30% a de vagões, na comparação das décadas. No segmento de carros de passageiros, a previsão é dobrar a produção de 1.930 da década passada para perto de 4 mil neste decênio. “Existem muitos projetos de trens regionais de passageiros, veículo leve sobre trilhos (VLT), monotrilhos e expansão de linhas de metrô por causa dos eventos esportivos e, por outro lado, uma necessidade das empresas de buscar opções mais rápidas e competitivas para o transporte de seus produtos, além do plano governamental de equilibrar a matriz logística do país”, explica Abate, acrescentando, como exemplo, que a participação ferroviária na matriz vai passar dos atuais 25% para 32% em 2010, com a previsão de expansão da malha dos 29 mil quilômetros de vias para 41 mil quilômetros no período.


São essas previsões e os projetos já em andamento que atraem os investimentos das fabricantes de meios de transporte. A americana Caterpillar, por meio de seu braço ferroviário Progress Rail, planeja implantar uma fábrica no Brasil com capacidade para produzir 70 locomotivas por ano. Carlos Roso, diretor-geral da MGE Transportes, empresa do grupo que produz motores e reforma locomotivas no Brasil, diz que o plano, em fase final de estudos, precisa apenas ter a aprovação do board da companhia. Roso mantém em sigilo o investimento, mas ressalta que o valor total depende da definição da localização da fábrica – a empresa analisa possibilidades de incentivos fiscais – e do índice de nacionalização dos produtos. No mercado, cogita-se que a unidade poderá ser instalada em Sete Lagoas, polo siderúrgico e de mineração no Estado de Minas Gerais, ou onde a empresa já tem uma unidade de reforma e modernização de locomotivas, em Hortolândia, na região de Campinas (SP), que tem atraído grandes fabricantes do setor metroferroviário.

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Estão em Hortolândia, por exemplo, as fábricas brasileiras de carros de passageiros da canadense Bombardier e da espanhola CAF. Esta última investiu cerca de R$ 200 milhões para inaugurar em tempo recorde sua unidade no país, em março do ano passado, com 12,5 mil metros quadrados, e a empresa fez novos aportes em expansão. Atualmente, conclui uma consolidação das atividades na mesma área que levará a 41 mil metros quadrados e índice de 60% de nacionalização da produção. Paulo Fontenele, presidente da CAF do Brasil, afirma que as decisões de ampliação foram conjugadas com as encomendas dos metrôs de São Paulo e do Recife e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). “Analisamos também exportar a partir do Brasil para as Américas do Sul e Central e estamos preparados para disputar a licitação do Trem de Alta Velocidade (TAV) que ligará São Paulo ao Rio de Janeiro”, diz Fontenele. A empresa espanhola desenvolveu recentemente, ao custo de US$ 460 milhões, um trem que alcança 350 quilômetros por hora para disputar o mercado mundial de alta velocidade”, acrescenta.


A Bombardier, que também observa com muita atenção as oportunidades no mercado de alta velocidade, está investindo em ampliação desde 2009 e finaliza um novo projeto de expansão para disputar novas licitações e atender os recentes contratos conquistados, como o Expresso Monotrilho Leste, extensão da Linha 2 do metrô de São Paulo, obra orçada em 2,46 bilhões, dos quais R$ 1,4 bilhão da empresa canadense. Assim como a CAF, a Bombardier não revela os investimentos em expansão, mas está dobrando a área fabril para 20 mil metros quadrados. “Eventos como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, bem como o crescimento econômico brasileiro, vão exigir um melhor sistema de mobilidade no país, e a rede metroferroviária é fundamental para garantir isso. É assim em todos os países desenvolvidos e China e Índia, parte dos Brics, como também o Brasil, estão apostando nesse modal”, diz Luís Ramos, diretor institucional da Bombardier.


O diretor-geral do setor de transporte da Alstom Brasil, Ramon Fondevila, destaca que a empresa está investindo na modernização e otimização da fábrica brasileira, na capital paulista, de metrôs e trens, mas o grande foco da companhia francesa, neste momento, é produzir no país outros meios de transporte, como VLTs e trens de alta velocidade. “Mas estes planos dependem diretamente de demandas que justifiquem estas produções, ou seja, depende de investimentos das cidades, Estados e regiões”, afirma Fondevila, que acredita que a Copa, a Olimpíada e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da mobilidade vão trazer investimentos em infraestrutura. “Já conhecemos os projetos de muitas cidades, tanto de ampliação dos sistemas existentes, como é o caso de São Paulo, como também de muitas cidades que estão optando por novas soluções, como é o caso do VLT, uma solução que acreditamos ter muito potencial para o mercado brasileiro”, avalia.


Na área de transporte ferroviário de carga, a AmstedMaxion, fabricante de vagões com unidades em Hortolândia e Cruzeiro (SP), está crescendo perto de 50% neste ano acima do resultado do ano passado, com 2,6 mil unidades novas encomendadas e mais 500 para serem reformadas. Em 2008, a produção atingiu 4,5 mil. “Temos investido constantemente em tecnologia e modernização para diversificar a produção e ganhar produtividade”, afirma Ricardo Chuahy, presidente da AmstedMaxion, deixando os valores em sigilo. A companhia tem capacidade anual para fabricar 10 mil vagões e tem percebido nos últimos anos uma demanda maior de setores da economia que antes pouco exploravam o transporte ferroviário, como o de açúcar. Em 2008, por exemplo, cerca de 85% da sua produção e vagões foi destinada para o setor de minério, percentual hoje em torno de 60%.


As empresas que atendem à demanda do setor rodoviário, porém, não parecem preocupadas com o avanço de outros modais. Pesquisas da ANFIR com as 152 companhias associadas, que respondem por entre 80% e 100% do segmento, mostram investimentos de R$ 850 milhões em três anos a partir de 2011, sendo que 50% devem ser aplicados até meados do próximo ano. Entre 2008 e 2010,

Fonte: Revista Especial Logística – Valor Econômico

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