O presidente mundial da Hitachi, Hiroaki Nakanishi, colocou o Brasil no grupo de 11 regiões-chave para a companhia, a quarta maior do Japão. Isso significa que o faturamento no país deve crescer de US$ 370 milhões, obtido em 2011, para US$ 1,5 bilhão em 2015. Comparando-se à receita mundial de US$ 117 bilhões, parece pouco, mas o Brasil e as demais dez regiões (ver quadro nesta página) fazem parte do plano de transformar a Hitachi, que reúne mais de mil empresas e fabrica desde secador de cabelo e ar condicionado a reator nuclear, numa companhia global. Hoje ela faz 59% de suas vendas no Japão.
Sorridente e cortês, Nakanishi recebeu a reportagem do Valor ontem à tarde, em meio a uma apertada agenda de três dias no Brasil. Veio encontrar-se com clientes, funcionários e autoridades. Hoje, em Brasília, tem reuniões com a chefe da Casa Civil, Gleise Hoffman, e com o vice-presidente Michel Temer.
Há 42 anos na Hitachi e há dois no seu comando, o executivo liberou para os próximos três anos investimentos de US$ 300 milhões para fortalecer as operações no Brasil. Isso inclui aquisições, contratação de pessoal e ampliação da área de pesquisa e desenvolvimento, para que os produtos sejam mais eficientes.
O fato de o PIB brasileiro estar crescendo mais devagar neste ano não o preocupa. “O ritmo do crescimento econômico pode desacelerar de vez em quando, mas isso não tem importância”, diz Nakanishi. Ele lembra que a China – principal mercado do Japão – também está desacelerando.
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Esse cenário já foi incorporado nas projeções da companhia para o ano fiscal de 2012: a fatia da China nas vendas totais do grupo cai de 11% para 10%; a do Japão encolhe de 59% para 57% e a dos mercados emergentes (excluída a China) cresce de 14% para 17%.
Nakanishi descreve a crise mundial, mais aguda na Europa, mas que também afeta os Estados Unidos, como “uma grande incerteza”. “Temos que ser muito cuidadosos, saber exatamente onde pôr os investimentos”, diz ele.
Apesar dessa crise gerar incerteza e exigir maior cuidado dele para investir, Nakanishi diz que não há saída. Para sobreviver, a Hitachi precisa ficar global e arriscar mais. Observa que o movimento de fusões e aquisições é uma tendência no mundo. “Não podemos ser independentes desse movimento”. Há dois anos, em agosto de 2010, Nakanishi chegou a dizer a jornais japoneses que estava interessado em negociar uma fusão com a Mitsubishi Heavy Industries. A fusão não ocorreu. Ele sorri novamente e responde: “Nós continuamos conversando. Temos um forte relacionamento.”
No Brasil, por enquanto, a Hitachi fabrica ar condicionado, em Manaus (AM) e São José dos Campos (SP), e ferramentas elétricas em Indaiatuba (SP). Também produz em Minas Gerais transmissores de programação de TV, com a Linear, empresa comprada no ano passado.
Os demais produtos – uma variada gama que vai de antenas UHF a rádios para carro, passando por sistemas para armazenar dados e caixas automáticos para bancos – são importados. Mas a parcela de equipamentos feitos localmente vai crescer.
A partir de julho de 2013, a fábrica de escavadeiras hidráulicas de médio porte (15 toneladas métricas), em Indaiatuba, já estará operando. Resultado de uma joint-venture assinada em outubro com a Deere & Company, a unidade, instalada numa área de 200 mil metros quadrados, terá capacidade de produzir 2 mil máquinas por ano. Também em outubro a Hitachi comprou a brasileira Linear, fabricante de transmissores de programação de TV digital. E, antes disso, em maio, havia firmado acordo com a Mayekawa para formar uma joint venture que venderá e fará a manutenção de compressores no país.
Sobre novos setores a serem explorados pela Hitachi no Brasil, Nakanishi cita como exemplo o sistema monotrilho. Para ele, não basta apenas fabricar e vender trens localmente, mas é necessário criar um time que seja capaz de inovar, fazer pesquisa e desenvolvimento nessa área.
Essa visão não se restringe a trens. Perguntado sobre como estão as conversas com a Iesa, ele sorri e diz que estão avançando, mas prefere não dar detalhes. A Hitachi é considerada líder mundial no setor de trens e monotrilhos. Havia expectativa de que Hitachi e Iesa iniciassem a produção de trens e monotrilhos em Araraquara (SP) neste ano.
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