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Artigo: Ferrovia e desenvolvimento

*José Lacerda


As dimensões continentais do Brasil e o aumento das exportações exigem o planejamento de construção do sistema de transporte intermodal eficiente, de forma a permitir a integração do território nacional e o desenvolvimento de todas as regiões brasileiras. Sem contar, que os desafios impostos pelo mercado globalizado forçaram a diminuição dos custos, o aumento da competitividade e de inovação tecnológica.


A implantação do sistema ferroviário mato-grossense será um novo impulso de desenvolvimento regional, atração de novos investimentos, geração de emprego e renda e melhoria social dos municípios do entorno das ferrovias.


Seguindo as metas do Plano Estadual de Logística, o governador Silval Barbosa está dando continuidade à implantação da Ferrovia Senador Vuolo, em funcionamento os terminais de Alto Araguaia, Alto Taquari e Itiquira. No início de 2013, fica pronto o terminal de Rondonópolis. Quando a ferrovia chegar à Cuiabá, sairão duas ramificações: a Cuiabá-Santarém e a Cuiabá-Vilhena.

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Outro projeto ferroviário, em andamento, pelo governo federal, é a da integração Centro-Oeste e Norte-Sul, saindo de Campinorte (GO) com trajeto pelos municípios mato-grossenses de Cocalinho, Água Boa e Lucas do Rio Verde. A licitação está prevista para sair no 2o semestre de 2013, com início das obras em 2014.


Paralelo a esses projetos, o governador Silval Barbosa determinou estudos para implantação de ramais ferroviários, articulando a malha ferroviária de integração aos centros produtivos do estado.


A reorganização econômica passa a ter maior impulso com a malha ferroviária, pois é considerada indutora do desenvolvimento. Um exemplo típico foi o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) nas cidades mato-grossenses onde estão os terminais ferroviários. Em Alto Araguaia e Alto Taquari, o PIB anual passou de 21 milhões de reais, em 2002, para 57 milhões de reais em 2009, triplicando o PIB referente ao setor agropecuário e industrial, aumentando em dez vezes o PIB para o setor de serviços.


Outro fato interessante foi o que vem ocorrendo em Tocantins. Os produtores locais, na região por onde passa a ferrovia, estão se organizando para aumentar a produção agrícola, em função da malha ferroviária Norte-Sul.


Pesquisadores da logística dos modais de transportes sempre comprovaram que o sistema ferroviário tem a capacidade mais eficiente de transportar grande tonelagem por longas distâncias a custo baixo, comparado ao modal rodoviário.


Comparando os sistemas modais de transporte, para a mesma capacidade de carga, enquanto no sistema rodoviário são necessárias 172 carretas do tipo bitrem graneleiras, de 35 toneladas cada (equivalente a 3,5 km de comprimento), no modal ferroviário são utilizados 86 vagões de 70 toneladas cada (comprimento de 1,7 km). No hidroviário é utilizado um comboio de 4 chatas e um empurrador, de 6 mil toneladas (comprimento de 150 metros).


A ferrovia possibilita uma economia de 40% no frete de transporte, comparado ao modal rodoviário. Em Mato Grosso, essa economia ainda está na faixa de 5 a 10%. Essa redução no custo do frete tende a aumentar, à medida que vai se ampliando e interiorizando a rede ferroviária, tornando-a mais competitiva.


Diferente do que ocorreu na história econômica dos países de extensão continental, onde primeiro se projetou o sistema ferroviário, para depois se ordenar a produção regional, aqui no Brasil, se dá o inverso. Primeiro, temos que provar nossa potencialidade de produção, para depois chegarem os investimentos de infraestrutura do transporte modal.


Podemos destacar que no entorno da malha ferroviária ocorrerão grandes transformações e desenvolvimento regional. Entre os benefícios e transformações sociais estão: a atração de empresas e indústrias, geração oportunidades de trabalho, diversificação da produção econômica, redução do custo de vida nas cidades, valorização das terras e imóveis, entre outros.
Atualmente, a ferrovia é um indutor do desenvolvimento do país do século XXI, transportando não só cargas e pessoas, mas o progresso econômico e social.


*José Lacerda é secretário-chefe da Casa Civil do Governo de Mato Grosso

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Fonte: Diário de Cuiabá

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