Amor pela ferrovia está no DNA

Neto de um chefe de estação com 41 anos de carreira – da Companhia Paulista de Estradas de Ferro (1910-1971) à Fepasa (Ferrovias Paulista S/A [1971-1998]) e, por fim, Ferroban (Ferrovias Bandeirantes (1998-2002)] –, filho de uma funcionária da extinta estatal estadual por 23 anos e sobrinho de maquinistas da MRS Logística.


Essa é apenas uma parte da árvore genealógica de Paulo Victor Motta Strada, 26 anos,  que, apesar do pai autônomo, seguiu a “genética profissional” da família. “A ferrovia está no sangue!”, ilustrou o “descendente dos trilhos”, hoje maquinista da ALL (América Latina Logística).


Strada é apenas um entre tantos exemplos de famílias bauruenses cuja relação profissional e social com a ferrovia estabeleceu uma espécie de “DNA”, atravessando mais de uma geração.
“É uma alegria muito grande ser ferroviário. É legal a gente saber que o nosso trabalho colabora com o desenvolvimento do país”, diz o maquinista, ontem, durante mais um dia de expediente em Bauru.


Sonho de família


Não são apenas pelos trilhos daqui que os descendentes ferroviários bauruenses mantêm a tradição de levar adiante o nome da família na condução de muitos comboios.
Desde 2011, o maquinista Fábio Lenta exerce uma função que já não existe em Bauru há 12 anos, conforme o BOM DIA divulgou na edição do último sábado (16) – e que abriu este Especial Ferrovias.


Ele é um dos responsáveis por conduzir o trem de passageiros da EFVM (Estrada de Ferro Vitória-Minas), um dos  últimos de longo percurso (664 quilômetros) ainda existentes no Brasil.


“Dedico essa conquista a todos os colegas que passaram na minha vida em todas as ferrovias que trabalhei. Ao meu pai por ser incentivador e inspiração para a realização desse sonho e também à minha esposa e filhos que desde o inicio trilharam e me ajudaram a alcançar meu objetivo”, agradeceu Lenta.


 Influenciado pela “genética ferroviária” do pai, o maquinista aposentado Feliciano Lenta, que serviu por décadas a NOB (Noroeste do Brasil [1906-1975]), o ferroviário levou a sério o sonho de menino de conduzir locomotivas.


 “Chegando ali na gare da estação de Bauru o encanto era total observando o movimento de pessoas que se acomodavam em duas das três plataformas”, recordou-se.


“Dessa forma despertou em mim a vontade, um sonho de ser maquinista e seguir os passos de meu pai”.


Os rumos pelos mesmos trilhos ainda não estão garantidos na genealogia de Paulo Strada. O filho, de 10 anos, até já acompanhou o trabalho do pai  que, hoje, pode ser o principal empecilho à continuidade da linha ferroviária da família – com o perdão do trocadilho.


 “Hoje a realidade é mais difícil. A profissão é muito sacrificante. O que posso fazer é ajudá-lo nos estudos para que ele escolha a profissão que quiser”, afirmou o maquinista. Mas,  como a ferrovia é carregada diariamente de paixão, não é de se duvidar que o garoto mantenha a família no mesmo caminho. Uma “Strada” de ferro.


De bancário a maquinista, ferroviário ‘segue a linha’


Ele até que tentou trafegar pelos números do mercado financeiro. Por seis anos teve como destino apenas duas agências, atendendo uma varia clientela.


Mas, a busca pela tão aguardada estabilidade profissional mudou o itinerário do então bancário Carlos Alberto Franzoi. Da máquina de calcular ele partiu para outra, nos trilhos da nova profissão.


A exemplo do pai, Franzoi decidiu que seria maquinista da NOB (Noroeste do Brasil [1906-1975]). À bordo das locomotivas, há 25 anos ele recolocou a ferrovia na rotina da família.


“Posso dizer que sou um apaixonado pelo que faço”,  afirmou o maquinista que, há poucos dias, levou a reportagem do BOM DIA a bordo de sua rotina, no pátio da UP (Unidade de Produção) da ALL (América Latina Logística) em Bauru.


Acompanhado deste jornalista, da repórter-fotográfica Juliana Lobato e do assessor de imprensa da concessionária, Leonardo Fermiano, ele compartilhou um pouco da sua vida de maquinista em uma acanhada cabine de uma locomotiva diesel-elétrica U-20 C.


Prestativo, apresentou todos os equipamentos que garantem o funcionamento da máquina, além de toda a tecnologia à sua disposição, do início ao fim das viagens.


“Através de nosso computador de bordo podemos identificar com exatidão o local onde há um problema no trecho, facilitando o trabalho de manutenção de vias”, explicou.


Acostumado a fazer o trecho de linha estreita entre Bauru e Araçatuba, ele diz ser necessária atenção redobrada na serra de Botucatu, onde se faz necessário o apoio de mais uma locomotiva.


“A gente tem que ficar atento o tempo todo. Não tem como vacilar”, diz. Apesar disso, ele diz que alguns acidentes são inevitáveis. “Já bateram de moto, outro foi atropelado no trilho… Não dá para parar o trem na hora“.


A rotina diária de trabalho é de, pelo menos, seis horas. A saudade da família ele costuma resolver no próprio trecho. Os dois filhos e um sobrinho já lhe fazem companhia na ferrovia.


Afinal de contas, vida de ferroviário é assim mesmo. Mais cedo ou mais tarde, todo mundo entra na linha.

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Fonte: Rede Bom Dia

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