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Uma viagem pela história da Transiberiana

A ferrovia Transiberiana é uma das mais antigas estradas de ferro da Rússia. O principal trecho da ferrovia com extensão de 7500 km, que vai de Tcheliábinsk a Vladivostok, foi construído entre 1891 e 1916.


O transporte direto de passageiros entre Moscou e Vladivostok só teve início após a conclusão da construção da ponte sobre o rio Amur, junto à cidade de Khabárovsk, no ano de 1916.


Antes disso, para percorrer o mesmo trajeto, eram utilizados trechos da estrada de ferro Chinesa-Oriental e a viagem em um único sentido prolongava-se por 16 dias.


A construção de uma ferrovia de tais dimensões foi realmente um evento importantíssimo para o Império Russo. Prova disso é o fato de que o príncipe Nikolái Aleksándrovitch, por incumbência do tsar Aleksandr III, esteve presente na missa celebrada para o lançamento das bases da ferrovia.

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A construção da estrada de ferro Transiberiana exigiu enormes recursos. Os cálculos preliminares do comitê responsável pela construção apontavam um custo na faixa de 350 milhões de rublos em ouro.


Para concluir essa obra grandiosa, foram necessários não apenas recursos materiais, como também um inimaginável esforço e trabalho humano.


A construção da Transiberiana foi realizada em um ambiente de condições climáticas difíceis e, em quase toda a sua extensão, a estrada foi construída em regiões despovoadas.


Praticamente todo o trabalho foi executado de forma manual e com o uso de ferramentas primitivas, como machado, serra, pá, picareta e carrinho de mão. Mesmo assim, todos os anos eram construídos cerca de 500 a 600 km de linha ferroviária.


Logo após o início de seu funcionamento, a Transiberiana mostrou seu grande valor para o desenvolvimento econômico do país, ao agilizar a circulação de mercadorias. Apesar disso, a capacidade de fluxo da ferrovia ainda era insuficiente, sobretudo nos anos de guerra.


Mais tarde, os trens se tornaram mais velozes, a linha da ferrovia modernizada e as pontes provisórias de madeira, substituídas por estruturas mais resistentes.


Viagem recorde


Alguns trens e vagões de passageiros de longo percurso que transitam pela Transiberiana pleiteiam o título de recordistas. Até maio de 2010 transitava pela ferrovia o trem nº 53/54, cujo percurso de Kharkov a Vladivostok era o mais extenso do mundo. A viagem cobria 9714 km de distância em 174 horas e 10 minutos.


Atualmente, o percurso mais longo do mundo percorrido por um vagão de passageiros pertence à viagem de Kiev a Vladivostok, na qual a distância de 10259 km é percorrida em 187 horas e 50 minutos.


O trem de passageiros que vence com maior velocidade o percurso Moscou – Vladivostok é o de nº 1/2 “Rússia”. São 146 horas ou quase 7 dias de viagem. Em média, esse trem transporta 200 mil pessoas anualmente e, por isso, é frequentemente chamado de “o principal trem do país”.


Esse título está ligado, em primeiro lugar, à construção da ferrovia Transiberiana e ao desbravamento da Sibéria e do Extremo Oriente russo. 


Os primeiros trens começaram a transportar os passageiros de Moscou para Vladivostok no ano de 1903, antes da conclusão da ferrovia Transiberiana. O moderno trem “Rússia” partiu para sua primeira viagem no dia 30 do setembro de 1966.


Desde então, os vagões passaram por repetidas reformas e sua coloração foi sendo alterada. Hoje em dia, o trem é pintado com as cores da bandeira nacional e carrega o brasão oficial da Federação Russa.
Os trens que seguem de Moscou com destino a Vladivostok, partem da estação Iaroslávski, na capital, onde estão instaladas colunas especiais de indicação de quilometragem com o marco “0 km”. No outro extremo, em Vladivostok , está o marco “9298 km”.


A ferrovia Transiberiana também possui grande potencial em termos de transporte de cargas, devido ao alto nível tecnológico. A linha de mão dupla da ferrovia foi completamente eletrificada em 2002 e, atualmente, a Transiberiana tem capacidade de transportar até 100 milhões de toneladas de carga por ano.   


Um brasileiro na selva ferroviária


Percorrer a Transiberiana é um sonho especialmente difícil de se realizar: idioma, clima, orçamento, paradas… Para nós, brasileiros, o desafio é ainda maior.


Pra começo de conversa, cito Fiódor Tiutchev, um grande poeta russo: “Não se entende a Rússia com a razão. Na Rússia é preciso apenas crer”. Esse deve ser o lema de um brasileiro ao cruzar o maior país do mundo.


Hoje, a viagem começa em uma tela de computador. É preciso saber o itinerário, os preços e montar um quebra-cabeça de trens, horários e cidades. Fica o aviso: se isso tudo não for feito com todo o cuidado, a chance de alguma coisa dar errado é monstruosa. Afinal, mesmo em Birobidjan, no Extremo Oriente e com fuso na casa dos dois dígitos, os trens rodam… no horário de Moscou.


Duas coisas assustam: o clima e a língua. O primeiro é driblável: escolha primavera ou outono. Evite o verão, época de trens lotados, preços altos e muito calor – a maioria dos vagões não têm ar condicionado ou janelas que abrem.


A língua é um inimigo cruel. Russos são, num primeiro momento, difíceis. Duros, grosseiros, esquisitos. Para nossa natureza pessoal e latina, é complicado. Mas, assim como um lago congelado, basta quebrar a primeira camada de gelo que todo um ecossistema rico e vivo se revela. Os rusencantadores.

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