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Ex-diretores do Metrô e da CPTM negam saber de cartel

Dois ex-executivos do Metrô de São Paulo e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) negaram ontem ao Ministério Público ter conhecimento de que empresas que forneciam trens e serviços agiam como um cartel.


A acusação de que os contratos eram divididos, para aumentar os ganhos das empresas, foi feita pela Siemens ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão federal que combate práticas contra a concorrência. A Siemens fez um acordo com o Cade pelo qual pode ter uma punição menor por revelar o suposto conluio.


Os executivos são o engenheiro João Roberto Zaniboni, ex-diretor da CPTM, e o advogado Sérgio Avelleda, ex-diretor da CPTM e ex-presidente do Metrô.
Zaniboni é investigado porque a Siemens incluiu três contratos de manutenção de trens da CPTM, assinados entre 2001 e 2002, no governo de Geraldo Alckmin (PSDB), entre os negócios que foram divididos. A divisão teria ocorrido entre a Siemens, Alstom, Bombardier e CAF.


O valor dos três contratos era de cerca de R$ 277 milhões, o equivalente hoje a R$ 550 milhões.

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O advogado de Zaniboni, Luiz Fernando Pacheco, diz que seu cliente só cuidava da operação e manutenção dos trens e que não tinha influência sobre os contratos.


“Quem orçou e contratou os serviços não foi a diretoria de manutenção. Foi o jurídico e a engenharia”.


Avelleda foi ouvido por conta da compra de 48 trens para a CPTM em 2009, no governo de José Serra (PSDB), por cerca de R$ 1,4 bilhão.


A Siemens diz que fez um acordo com a CAF, vencedora das duas licitações, pelo qual não contestaria a disputa e, em troca, seria subcontratada pelo grupo espanhol.


E-mail de executivo da Siemens, revelado pela Folha, diz que Serra sugeriu à Siemens que evitasse ações judiciais que travassem a disputa –o tucano disse ter agido em defesa do interesse público.


O advogado de Avelleda, Luís Eduardo Serra Netto, afirma que seu cliente foi ouvido como testemunha e negou conhecer o suposto conluio. Segundo ele, Avelleda disse que o desconto obtido nessa compra tornou-se “exemplo de competitividade” para o Banco Mundial, que financiou a compra.

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