O grupo de origem paranaense CR Almeida expandiu seus negócios ao ter homologada uma proposta de parceria público-privada (PPP) para um monotrilho de R$ 4 bilhões no Estado de São Paulo. O contrato, que será assinado em breve e deve ser “herdado” pela EcoRodovias, controlada especializada em concessões, inicia a nova estratégia do grupo frente ao cenário da infraestrutura no país.
João Alberto Bernacchio, diretor financeiro da CR Almeida e conselheiro da EcoRodovias, afirma que a postura do grupo se antecipa a uma possível tendência de diminuição de novos projetos de concessão de rodovias no país nos próximos anos. Paralelamente, é esperado um aumento no número de projetos de mobilidade urbana por parte de governos estaduais e municipais, principalmente em modelos de PPP. Segundo ele, esse cenário justifica a diversificação da companhia.
Além da esperada diminuição no ritmo de leilões de estradas, a EcoRodovias não conseguiu sair vencedora das diferentes licitações de concessão feitas pelo governo federal ao longo do ano passado – tanto em rodovias como em aeroportos. Em geral, o fato de a companhia não ter tido sucesso ao tentar ampliar sua carteira de concessões com mais estradas e aeroportos foi devido, principalmente, às ofertas mais agressivas dos competidores nos leilões.
Um dos insucessos durante o ano passado foi na disputa pelo aeroporto do Galeão (RJ). O consórcio da EcoRodovias com a alemã Fraport e a brasileira Invepar (controlada por Previ, Petros, Funcef e OAS) chegou a ser vista como favorita para levar o projeto. Mas o grupo alcançou apenas o terceiro lugar ao ofertar R$ 13 bilhões de pagamento ao governo. O ganhador acabou sendo o consórcio liderado pelo grupo Odebrecht, que fez um lance de R$ 19 bilhões.
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Após a “derrota” nos aeroportos, a diretoria executiva da EcoRodovias passou a estudar a mobilidade urbana como alternativa para seu crescimento. A análise, que durou seis meses, está sendo concluída. Caso a diretoria o considere atraente, o setor passa para a análise do conselho de administração. Depois disso, os acionistas votariam a alteração no estatuto social, para que o documento passe a contemplar a mobilidade urbana.
Para a CR Almeida, o setor de mobilidade faz sentido. “Como controladores, acreditamos que faz sentido [a EcoRodovias se diversificar]. Teremos um papel de convencimento, mas é uma decisão de todo o conselho de administração da companhia”, diz Bernacchio. “Estamos preparando uma discussão mais ampla para que os conselheiros tenham uma visão clara. Isso sendo possível, a ideia é fazer as alterações estatutárias”, diz. Enquanto a decisão da EcoRodovias não vem, o grupo continua estudando novos projetos no setor – como o metrô de Curitiba, que já tem edital publicado, e o de Porto Alegre.
O grupo foi fundado em 1958 por Cecílio do Rego Almeida e cresceu por meio de aquisições. Foi nos anos 1990 que a empresa apostou no então novo mercado de concessões e mudou de perfil.
Hoje, a maior parte do faturamento do grupo CR Almeida vem da empresa especializada em concessões. A EcoRodovias representa 70% da receita do grupo. Os negócios de construção representam apenas 20%, enquanto uma participação em uma fábrica de explosivos (a Britanite Indústrias Químicas) gera 10% das receitas.
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