O grupo carioca de engenharia MPE está reposicionando a sua carteira de projetos para diversificar negócios e reduzir a dependência da Petrobras. “Estamos voltando às origens”, diz o diretor-presidente do grupo, Renato Abreu. O plano é crescer no setor ferroviário e em obras de construção e manutenção de aeroportos, além de projetos de energia, segmentos nos quais o grupo tem experiência. Fundado há 26 anos por ex-funcionários da GE, entre os quais o próprio Abreu, o MPE viu a atividade de óleo e gás crescer na carteira. A Petrobras respondeu por 55% dos negócios no passado, quando o MPE registrou prejuízo consolidado de R$ 21,3 milhões, o primeiro resultado negativo da história da companhia. O prejuízo se relacionou a dificuldades na execução de projetos para a Petrobras.
Face aos problemas, o MPE teve de transferir para outras companhias de engenharia projetos que tinha com a Petrobras porque começou a ficar sem capital de giro. Os desembolsos mensais com os projetos superaram a receita, gerando prejuízo. O grupo vendeu terras de seu braço agroindustrial para fazer frente às dificuldades e renegocia dívidas de R$ 90 milhões com fornecedores.
Abreu estima que perdeu cerca de R$ 200 milhões com três projetos da Petrobras: a construção de módulos para as plataformas P-58 e P-62, que já foram entregues; a construção de unidade de recuperação de enxofre na Refinaria de Paulínia (Replan); e a implantação de tubovias para o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). O MPE repassou o contrato para outra empresa e ficou com fatia de 20% no projeto.
O empresário afirmou que a partir do fim de 2013 o MPE passou a fazer um rearranjo na carteira de projetos. “Decidimos retomar o conceito aprendido na GE de não ficar pendurado em um único cliente e de distribuir os negócios por segmentos com cada um deles representando não mais de 25% do negócio”, disse Abreu. Mas afirmou que, apesar da mudança de estratégia, a Petrobras continuará a ser importante para o grupo até pelas oportunidades que devem surgir como resultado do desenvolvimento do pré-sal.
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A carteira atual do MPE soma cerca de R$ 4 bilhões e 80% dos projetos têm prazo de execução de dois anos e meio. O MPE ainda tem contratos com a Petrobras para a manutenção de plataformas de apoio. Há perspectiva de assinar a curto prazos contratos em outras áreas, como mobilidade. O MPE tem sociedade com a malaia Scomi para fornecer material rodante e sistemas para o projeto do monotrilho da linha 18-Bronze, ligando o ABC a São Paulo. O grupo também vai participar das obras do Aeroporto do Galeão, no Rio, para a entrega até a Olimpíada de 2016, e participa de consórcio envolvido na parte nuclear do projeto de Angra 3, disse Abreu.
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