Maior produtora mundial de celulose de eucalipto, a Fibria
ajustou novamente o orçamento do projeto de expansão da unidade de Três Lagoas
(MS) e, agora, prevê investir US$ 2,3 bilhões, ou US$ 200 milhões abaixo do
valor calculado originalmente (US$ 2,5 bilhões). Ganhos de eficiência,
economias alcançadas em negociações com fornecedores, câmbio e alguma redução
nos índices de inflação explicam essa redução no investimento, de acordo com o
presidente da companhia, Marcelo Castelli.
Considerando o câmbio médio de R$ 3,35, serão R$ 7,7 bilhões
em investimentos na nova linha de produção de celulose, abaixo dos R$ 8,7
bilhões previstos inicialmente e também inferior ao valor revisado em julho, de
R$ 7,9 bilhões. Ao mesmo tempo, a capacidade de produção do projeto foi elevada
de 1,75 milhão de toneladas por ano para 1,95 milhões de toneladas anuais.
Conforme Castelli, a nova revisão do orçamento do Projeto
Horizonte 2 deveu-se a “vários componentes”. “Há continuidade de
ganho de eficiência e quase nenhum imprevisto até este momento, o que vai
liberando uma parte da reserva para contingências. Também tem um pouco de
câmbio”, disse. Além disso, a Fibria finalizou as últimas grandes
contratações do projeto de expansão e conseguiu alguma economia nesses contratos.
“A inflação no país tendendo a números menores também traz alguma
contribuição”, acrescentou.
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Até o momento, 54% das obras já foram executadas e a
previsão de início de operação está mantida para o começo do quarto trimestre
do ano que vem. Apesar dos elevados dispêndios e do momento negativo para os
preços da celulose, a direção da Fibria destacou que sua liquidez é bastante
confortável.
Ontem, a posição de caixa da companhia controlada por
Votorantim e BNDESPar estava em US$ 940 milhões, frente a US$ 932 milhões no
encerramento do segundo trimestre, disse o diretor de Finanças e de Relações
com Investidores Guilherme Cavalcanti. “Nossa estrutura de capital é bem
confortável e a Fibria só vai contratar novas dívidas se as condições estiverem
favoráveis”.
Conforme o executivo, a companhia já começou a receber os
recursos da Finnvera, agência de crédito à exportação da Finlândia, referentes
à expansão e ainda em 2016 vai acessar outras linhas já contratadas. Diante da
estrutura atual de capital, a c Fibria não precisa realizar novas captações até
2018, nem acessar o mercado para rolar dívida. No entanto, observou Cavalcanti,
como há demanda para novas operações da Fibria, é possível que novas emissões
de dívida sejam levadas adiante com vistas a reduzir o custo do endividamento.
Em relação ao mercado global de celulose, o diretor
comercial e de logística internacional da Fibria, Henri Philippe Van Keer,
disse que os preços da fibra curta estão estabilizados em todos os mercados de
referência – América do Norte, Europa e Ásia – e a companhia não vê
possibilidade de nova queda porque os valores já estão próximos ao custo de
produção de determinados produtores. “Os volumes estão muito bons desde
meados de agosto. Neste ano, [a retomada das compras] não esperou setembro”,
disse. “Há perspectiva de melhoria, sem dúvida”, informou o
executivo.
Segundo Van Keer, o reajuste de US$ 10 por tonelada
anunciado por produtores de fibra longa para outubro é positivo, uma vez que
somente amplia o diferencial de preços entre as duas fibras. “A demanda é
boa e não há espaço para [o preço] cair mais. No nosso cenário interno, o
projeto OKI [da APP, na Indonésia] não acontece como anunciado, então esperamos
que o mercado comece a realizar que não haverá sobreoferta como se imagina”,
acrescentou.
As ações ON da Fibria encerraram a sessão de negócios
regulares da BM&FBovespa com baixa de 3,32%, a R$ 21,86, pressionadas pela
desvalorização do dólar frente ao real. Os papéis PNA da concorrente Suzano
Papel e Celulose tiveram desvalorização parecida, de 3,62%, para R$ 9,58.
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