Num aceno ao governo para que antecipe a renovação de suas
concessões, a Rumo Logística, uma das maiores empresas do ramo no Brasil,
garante que já levantou os R$ 6 bilhões – sem apoio do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – para viabilizar, em quatro anos,
uma extensão de 650 quilômetros da controlada Ferronorte, ligando Rondonópolis
a Sorriso, no Mato Grosso.
O dinheiro viria do caixa próprio da companhia e de
investidores estrangeiros, que já demonstraram interesse em entrar no negócio,
disse o presidente-executivo da Rumo, Júlio Fontana Neto, no “Fórum
Ferrovias e a Integração dos Modais”, em Nova Mutum (MT), região
médio-norte do Estado. “Não vai ter um centavo de dinheiro público”,
disse ele.
Com esses investimentos, a concessionária teria a
oportunidade de avançar justamente até o médio-norte do Mato Grosso, região que
mais produz soja e milho no Estado, que é o líder na produção brasileira de
grãos. Hoje, a Ferronorte parte de Rondonópolis (MT) e se conecta à Malha
Paulista – outra concessão da companhia, que corta São Paulo – até o Porto de
Santos (SP), onde a empresa detém 50% da movimentação de cargas.
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“Pela lei, eu posso pedir ao BNDES, mas queremos fazer
com investimentos próprios”, afirma Fontana Neto. “Mas já fizemos estudo
do traçado, localização dos terminais de transbordo. O futuro da companhia é
chegar mais perto do centro de produção”, lembrou o executivo.
Por outro lado, Fontana observou que, antes da extensão da
Ferronorte sair do papel, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)
precisa renovar por 30 anos a concessão na Malha Paulista. A ANTT, no entanto,
até chegou a estimar para outubro a assinatura dessa renovação, mas ainda
avalia o pedido.
Em vigor desde maio, a MP das Concessões, que permitiu a
prorrogação de várias concessões de infraestrutura do país, flexibilizou as
regras para as concessionárias de ferrovias pedirem a renovação antecipada de
seus contratos. Justamente o que defende a Rumo. A concessão da Malha Paulista
vence em 2028, enquanto a da Ferronorte vence em 2079, por exemplo – as duas
malhas se conectam.
Fontana Neto também voltou a estimar que, somente por conta
da prorrogação da Malha Paulista, a capacidade total de transporte de grãos
pela Rumo deve mais que dobrar a capacidade de transporte, para 75 milhões de
toneladas, dentro de cinco anos. Hoje, a companhia movimenta 35 milhões de
toneladas ao longo de 12,9 mil km de trilhos suas quatro ferrovias.
Além das malhas Paulista e da Ferronorte, a concessionária
opera as malhas Oeste e Sul. “Já estamos na fase final dos investimentos
na Malha Paulista, que começaram nos últimos anos e vão totalizar R$ 4,7
bilhões”, disse.
Ao mesmo tempo em que se estusiasma com as oportunidades
geradas pela possível ampliação da Ferronorte, porém, a Rumo descarta qualquer
interesse na Ferrogrão, concessão desenhada pelo governo que só deve ser
licitada em 2018 e que ligaria Sinop (MT) a Miritituba (PA). “Hoje, a
Ferrogrão não é interessante para a Rumo. Meu negócio é mais ir para baixo, do
que para cima [Arco Norte]”, concluiu Fontana.
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