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Transnordestina deve alavancar desenvolvimento da região, diz especialista

A Transnordestina, a obra ferroviária de
mais de 1.700 km que pretende ligar Eliseu Martins, no Piauí, aos portos de
Pecém, na região metropolitana de Fortaleza, e de Suape, em Pernambuco, é o que
pode mudar a infraestrutura logística do Nordeste.

A afirmação foi feita por Rebeca
Oliveira, diretora de desenvolvimento comercial do porto de Pecém, no seminário
Futuro do Nordeste, realizado pela Folha, com patrocínio do Banco do Nordeste,
do Governo do Ceará e da Prefeitura de Fortaleza, com apoio da Embratur, do
Ministério do Turismo e da CVC, nesta quinta-feira (22), em Fortaleza.

Para Rebeca Oliveira, a entrega da
ferrovia vai impactar na abertura de empresas e na criação de empregos na
região. “Seria o maior impacto em logística, mais do que o alargamento do
Canal do Panamá”, disse Oliveira, sobre outra obra importante, que visa
dar acesso a navios maiores pelo canal panamenho, e que também terá impacto no
Pecém.

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Segundo a diretora, a região terá navios
que poderão chegar ao porto de Cingapura, na Ásia, em 29 dias, contra os 60
dias que demoravam antes. “Nossos exportadores de frutas, por exemplo, poderão
competir de igual para igual, porque não vai precisar levar por avião, ou levar
seu produto a um porto no Sul, para chegar a determinados lugares”, explicou
Oliveira.

A Transnordestina está com obras
atrasadas há mais de dez anos e o gasto, até o momento, já ultrapassou os R$ 6
bilhões. Estima-se que serão gastos mais R$ 7 bilhões para a conclusão, e o
governo federal busca investidores para o término. O projeto prevê saída da
cidade de Eliseu Martins, no Piauí, até Salgueiro, em Pernambuco, quando se
dividiria em dois grandes braços um a caminho do Pecém e outro de Suape.

 

PARCERIA HOLANDESA

 

O porto cearense, no momento, negocia
com o porto de Roterdã, na Holanda, que pode entrar como sócio do governo do
estado no complexo do Pecém. “A parte deles inicialmente seria algo entre
10% e 20%. O governo pretende se manter como sócio majoritário. Eles buscam
parceiros em outros países, porque há dez anos perderam o posto de maiores do
mundo para portos asiáticos”, explicou Oliveira.

Para Henrique Tinôco, superintendente de
políticas de desenvolvimento do Banco do Nordeste, o investimento em
infraestrutura é fundamental para que o Nordeste possa descobrir qual movimento
fará no futuro.

“Não é só colocar investimento em
uma fábrica de automóveis. Se não tiver estradas, uma logística de distribuição
para combustível, entre outras coisas, não adianta”, disse Tinôco. Para
ele, é importante que uma região como a do Nordeste, que é menos desenvolvida,
tenha um tratamento diferenciado dos governantes em decisões estratégicas para
o desenvolvimento nacional.

Segundo ele, o Banco do Nordeste, que se
coloca como o banco do desenvolvimento regional, como o BNDES é nacionalmente,
tem linhas de financiamento com taxas diferentes para áreas de água, saneamento
e logística. “O Nordeste vai ser protagonista para puxar grandes
empreendimentos no país.”

 

DESBUROCRATIZAÇÃO

 

Também presente no debate, a secretária
de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza, Maria Águeda Muniz, contextualizou
projeto da capital cearense para que as pessoas possam se concentrar a
trabalhar, estudar e se divertir próximas de suas casas, o que diminuiria o
deslocamento pela cidade e melhoraria a mobilidade.

“Demos incentivos fiscais para
empresas em bairros com índice de IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] baixo
para que contratassem pessoas que morassem naquele bairro. A pessoa não precisa
se deslocar até o centro, ou bairro distante, e ganha tempo e favorece a vida
urbana nesse local”, disse Muniz.

Houve também uma desburocratização para
empresas conseguirem alvarás de funcionamento, como ambiental e de construção,
no projeto chamado Fortaleza Online. “Todo o trabalho é feito pela
internet. O alvará sai na hora se não há taxa, e, em 48 horas, se precisa ser
pago algo. Em 2012, a prefeitura licenciou 1.304 empreendimentos, e, em 2017,
foram quase 40 mil. A prefeitura não conhecia a cidade que tinha”,
explicou a secretária.

 

– Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2018/03/transnordestina-deve-alavancar-desenvolvimento-da-regiao-diz-especialista.shtml

 Leia Mais: Ferrovia TransAmericana deve
ter tecnologia alemã

Fonte: Folha

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