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Concentrando esforços

Presidente da Rumo desde abril de 2019, Beto Abreu diz ter chegado à ferrovia num momento de disrupção no setor de logística no país. O executivo, que veio da Raízen, subsidiária da Cosan na área de energia e distribuição de combustíveis, foi para o lado do operador sentindo-se na obrigação, como ele afirma, de ser protagonista no processo de transformação da infraestrutura brasileira.

De fato, sob a sua gestão, a Rumo deu início a projetos bilionários e, porque não dizer, precursores no setor. A renovação da Malha Paulista foi a primeira a ser assinada no âmbito ferroviário e tem na conta R$ 6 bilhões de investimentos, sendo metade desse valor já prevista para os próximos cinco anos. É da empresa também a responsabilidade de finalizar as obras da Ferrovia Norte-Sul, no trecho Porto Nacional (TO) a Estrela D’Oeste (SP), e colocá-la em operação em breve.

Tendo o agronegócio como norte de sua estratégia, a concessionária também pretende estender a Malha Norte pelo Mato Grosso, de Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, onde há um terreno fértil para a movimentação de carga agrícola. Três frentes de trabalho da Rumo estão atuando no momento (engenharia, ambiental e regulatória/financeira), segundo Beto, que diz manter o projeto de pé a despeito da investida do governo federal na Ferrogrão, concorrente direta por disputar a mesma carga na região.

“Queremos fazer independentemente do que o governo decidir fazer com a Ferrogrão. Na nossa visão, uma vez chegada a Lucas, a ferrovia poderia seguir até Sorriso ou Sinop. Por que você vai construir uma ferrovia saindo de Miritituba, que só vai poder gerar um tipo de carga quando chegar ao seu destino?”, questiona Beto, admitindo prestar atenção na alternativa regulatória que está sendo discutida em Mato Grosso e que poderia beneficiar a extensão pleiteada pela Rumo. Trata-se de um projeto de lei que permite outorgas por autorização de ferrovias que estejam dentro dos limites do estado (veja mais nas páginas 30 a 34).

Saindo do Centro-Oeste, a concessionária desembarca suas expectativas no potencial agrícola do Oeste do Paraná e do Mato Grosso do Sul, regiões onde a Malha Sul poderá ganhar influência caso sua renovação antecipada seja aprovada. O processo foi qualificado em dezembro último pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

Enquanto a frente regulatória trabalha, Beto diz ter no radar a privatização da Ferroeste, que, segundo ele, poderá trazer uma série de oportunidades para a Malha Sul. “Se a Ferroeste fosse da Rumo, nós a levaríamos de Cascavel até Guaíra, que fica na fronteira com Mato Grosso do Sul, e depois de Guaíra até Maracaju”, afirma.

Com essa quantidade de projetos, o executivo diz que é preciso concentrar esforços. “Eles precisam ser tratados de forma adequada, pragmática e profissional com as agências reguladoras. Essa é a nossa prioridade, que não é pouca. Já é muita coisa”.

“Existe uma agenda comum na infraestrutura brasileira independentemente de onde se esteja sentado, que é fazer com que o Brasil seja mais competitivo.”

Betro abreu – Presidente da Rumo Logística

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