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Eduardo Ledsham Presidente da Bamin - Bahia Mineração

A Bahia Mineração (Bamin) ingressou no grupo de players ferroviários no último dia 8 de abril num leilão sem grandes surpresas. A mineradora foi a única candidata no certame, ofereceu outorga mínima de R$ 32,7 milhões e arrematou a concessão do trecho 1 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), entre Ilhéus e Caetité, Bahia, com extensão de 537 km. Com uma mina (Pedra de Ferro) localizada a 8 km da linha ferroviária em Caetité, a empresa agora quer colocar em prática uma logística que dê competitividade ao negócio. O projeto envolve a finalização da ferrovia, que hoje está com 74% das obras físicas concluídas, e a construção de um terminal portuário em Ilhéus, que juntos vão demandar quase R$ 10 bilhões em investimentos nos próximos anos.

A expectativa é estar com tudo pronto em junho de 2026, tanto a ferrovia quanto o porto. Em cinco anos, a produção da mina deve pular dos atuais R$ 1 milhão de toneladas/ano para R$ 20 milhões de toneladas/ano. Número que corresponde a um terço da capacidade que a ferrovia pode alcançar em 2032: 60 milhões de toneladas/ano – volume que dependerá, no entanto, da operação da Fiol 2, entre Caetité e Barreiras, no Oeste baiano. Aquela região, segundo o presidente da Bamin, Eduardo Ledsham, tem uma demanda promissora de carga agrícola. A Fiol 2, de 485 km, está em construção pela Valec, com pouco mais de 30% das obras concluídas.

A Bamin terá que investir R$ 3,3 bilhões nos próximos cinco anos para concluir a ferrovia (trecho I) e comprar material rodante (16 locomotivas e 1.107 vagões). Para alcançar o pico de volume (60 milhões de toneladas/ano), o contrato prevê investimento adicional de R$ 2,2 bilhões na construção de 24 pátios e aquisição de mais locomotivas e vagões.

As obras devem começar no segundo semestre de 2022. Antes disso, o contrato precisa ser assinado (previsão é agosto deste ano) e o projeto de intervenção no trecho deve ser elaborado pela empresa num prazo de 180 dias para ser entregue à ANTT. A encomenda do material rodante pode começar a ser feita em 2024. Ledsham afirma que vai conversar com fornecedores locais e também com os de fora do país.

Debutante na operação ferroviária no Brasil, a Bamin vai se fiar na experiência de sua controladora, a Eurasian Resources Group (ERG), formada por um fundo de pensão soberano do governo do Cazaquistão e três acionistas privados. O executivo diz que o ERG é o maior operador de ferrovias da Ásia Central, com a movimentação de 150 milhões de toneladas/ano. No Brasil, o plano é contratar profissionais locais. “Estamos focados em agregar mão de obra nacional. E o grupo ERG está dando apoio com consultoria”, pontua Ledsham.

Há um trabalho grande pela frente, mas a empresa já tem no radar outros projetos. “Nosso foco agora está na Fiol 1, mas é uma obrigação natural nossa conhecer e saber o status da Fiol 2 e 3, até porque é uma carga adicional, tem a questão do direito de passagem e de investimentos. Posso afirmar que vamos estudar”, ressalta o executivo, que tem na bagagem 26 anos de experiência na Vale, onde participou, entre outros, da implementação do projeto S11D em Carajás.

“A Bamin está no Brasil há quase 16 anos. É uma subsidiária 100% ligada a Eurasian Resources Group, formada por um fundo de pensão do governo do Cazaquistão e três acionistas privados.”

Eduardo Ledsham – Presidente da Bahia Mineração (Bamin)

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