Folha de S. Paulo – O Japão sempre foi conhecido por sua capacidade de transformar ciência em soluções práticas para a sociedade. Desde os primeiros trens-bala, nos anos 1960, o país se destaca em transporte ferroviário de alta velocidade. Agora, prepara-se para um novo salto com o Maglev, um trem que não toca os trilhos e que promete mudar a forma como entendemos mobilidade.
O segredo dessa inovação está na física da levitação magnética. Enquanto os trens tradicionais dependem do contato entre rodas de aço e trilhos metálicos, o Maglev flutua cerca de dez centímetros acima da via. Isso é possível graças a ímãs supercondutores instalados no trem e bobinas ao longo dos trilhos.
Quando resfriados a temperaturas extremamente baixas, os supercondutores apresentam resistência elétrica praticamente nula e criam campos magnéticos muito fortes. Esses campos interagem com os ímãs do trem, gerando uma força de repulsão capaz de suspender centenas de toneladas com incrível estabilidade.
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A sustentação não é o único truque. Para se deslocar, o Maglev utiliza propulsão eletromagnética. Bobinas dispostas ao longo do percurso são energizadas em sequência, criando campos magnéticos que puxam e empurram o trem como se fossem ondas invisíveis. Não há motores tradicionais, nem necessidade de combustíveis fósseis: a energia vem diretamente da infraestrutura dos trilhos. O resultado é uma aceleração contínua, suave e silenciosa.
O efeito que garante essa levitação estável é conhecido como efeito Meissner: os supercondutores expulsam os campos magnéticos de seu interior, como se o trem estivesse encaixado no ar. Isso evita que ele deslize ou tombe, mantendo uma viagem extremamente segura, mesmo em velocidades superiores a 500 quilômetros por hora.
E o Japão não está apenas testando em laboratório. Em 2015, o trem Maglev L0 atingiu a marca de 603 quilômetros por hora, quebrando o recorde mundial de velocidade ferroviária. A futura linha Chūō Shinkansen, já em construção, ligará Tóquio a Nagoya em apenas 40 minutos e, em seguida, até Osaka, reduzindo trajetos que hoje levam horas ao equivalente a uma viagem de metrô urbano.
As vantagens vão além da velocidade. Sem contato físico, há menos desgaste de peças, menor ruído e maior conforto para os passageiros. No entanto, o preço da inovação é alto: os custos de construção são enormes, e por isso poucos países investiram em projetos semelhantes. Mesmo assim, o Maglev funciona como vitrine tecnológica, mostrando o que a ciência é capaz de realizar quando ousa repensar conceitos básicos como o atrito.
Mais que um meio de transporte, o Maglev é um símbolo. Ele representa a união entre física, engenharia e visão de futuro. Ao eliminar a barreira do contato físico, abre espaço para uma nova era em que distância e tempo podem ser radicalmente encurtados. O Japão mais uma vez prova que imaginar o impossível pode ser apenas o primeiro passo para construí-lo.
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O Maglev nao utilisa combustivel fossil mas, para alimentar os eletroimas, consome muita energia eletrica. Se o pais produz eletriciade usando combustivel fossil, o Maglev indiretamente o consome.