Folha de S. Paulo – O último carro de uma composição do metrô que circulava entre as estações Vila Sônia e Morumbi, da linha 4-amarela, descarrilou às 9h59 desta terça-feira (9).
Segundo a ViaQuatro, concessionária responsável pela operação, não houve feridos, e os passageiros foram atendidos por agentes da empresa.
A circulação de trens na linha 4-amarela acabou suspensa no trecho entre as estações Paulista e Vila Sônia após o incidente.
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Segundo a concessionária, o sistema Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência) foi acionado às 10h18. A operação do metrô foi retomada no trecho entre Luz e Morumbi às 11h30, segundo a concessionária.
A ViaQuatro disse que também disponibilizou ônibus próprios que fizeram nesta terça, excepcionalmente, o trajeto entre a estação Morumbi e Taboão da Serra.
O vagão que se soltou foi recolocado nos trilhos por volta das 18h30. Até a publicação deste trecho, porém, não havia previsão para liberação da linha, mas a empresa disse que os trabalhos de manutenção seguiriam de forma ininterrupta durante a madrugada desta quarta (10).
“As causas do descarrilamento ainda estão sendo apuradas. A prioridade das equipes de manutenção, neste momento, é a total retomada da operação nos trilhos. A ViaQuatro lamenta os transtornos aos seus clientes.”
O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) vai notificar a concessionária para cobrar informações sobre o incidente.
Em nota, a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), responsável pela fiscalização das linhas de metrô sob concessão, disse acompanhar a ocorrência e o trabalho da concessionária, assim como as medidas que adotadas para reestabelecimento do serviço.
A agência é quem vai notificar a ViaQuatro. Após análise do relatório técnico, poderá será aplicada penalidade à concessionária.
A Comissão de Assuntos Metropolitanos e Municipais da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) deve discutir nos próximos dias a convocação de representantes da Artesp e da ViaQuatro para cobrar esclarecimentos sobre o descarrilamento.
“A gente precisa saber o que causou o acidente e espera uma resposta rápida e esclarecedora da concessionária e dos órgãos de controle”, disse à Folha a presidente do colegiado, deputada Ana Carolina Serra (Cidadania), na tarde desta terça.
A parlamentar afirmou que ela mesma deve apresentar o requerimento pela convocação, mas que o texto ainda precisa passar pela aprovação dos outros 12 membros da comissão.
A próxima reunião do colegiado está marcada para o dia 23 de setembro e prevê, aliás, receber o secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Marcos Assalve. “Podemos incluir o acidente na pauta”, afirma a presidente.
ESTAÇÕES LOTADAS
Vídeos gravados por passageiros mostram o último vagão afastado do restante da composição. Havia muitos destroços nos trilhos. As pessoas tiveram de andar pelos trilhos até a estação Vila Sônia. Outras imagens compartilhadas mostram técnicos trabalhando no local após o descarrilamento.
Passageiros na estação Butantã foram informados que a espera para embarque era de ao menos 25 minutos. Com a maioria das catracas bloqueadas, foram orientados a usar os ônibus. “A linha está funcionando apenas da Paulista até a Luz”, disse a estudante da USP Giovanna Marques, 19.
O pedreiro Orlando Ormélio da Silva, 51, saiu de casa, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, por volta das 8h. “Eu cheguei à estação da Luz e disseram que houve um incidente. Voltamos para a Paulista e a orientação foi para pegar ônibus”, afirmou. “Perdi totalmente o horário.”
Nas redes sociais, outros passageiros também relataram transtorno em outros locais, como nas estações Vila Sônia e Pinheiros, que tem integração com a linha 9-esmeralda.
Era o que também acontecia na estação Paulista, na rua da Consolação, região central de São Paulo. Por volta das 11h, um grande fluxo de pessoas subia as escadarias para deixar o local em busca de uma alternativa. Enquanto isso, policiais militares estavam próximos às áreas de embarque e desembarque para orientar passageiros sobre o embarque nos ônibus da operação Paese, mas nem todos conseguiram à primeira vista. Foi o caso do estagiário de direito Maicoln Colo, 31, que conversou com a Folha enquanto aguardava o segundo veículo. “Não deram nem previsão de horário”, afirmou.
No vaivém de passageiros, muitos disputavam entre si até os primeiros táxis que passavam pela Consolação. Mas não por muito tempo: vários deles chegariam à entrada do metrô minutos depois.
Após o anúncio da retomada parcial da operação até o Morumbi, dezenas de passageiros voltaram ao metrô para continuar o trajeto.
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