Valor Econômico – O VLT (veículo leve sobre trilhos) que ligaria Cuiabá à vizinha Várzea Grande, onde fica o aeroporto que serve à capital mato-grossense, entrou para a história como exemplo de obra pública mal gerida. Deveria ficar pronta para a Copa do Mundo de 2014, mas depois de consumir cerca de R$ 1 bilhão e ser marcada por denúncias de corrupção e entraves judiciais, acabou cancelada sem nunca ter funcionado.
E por pouco seu substituto não segue o mesmo caminho. O governo do Estado investe em um sistema de corredores de ônibus, o BRT, para ligar as duas cidades, um dos maiores investimentos em mobilidade de Cuiabá. Mas a gestão anterior da prefeitura da capital tentava barrar na Justiça as obras do BRT, por defender a manutenção do antigo projeto do VLT. A nova gestão, por sua vez, desistiu do processo.
“Não vamos permanecer com ações na Justiça contra o BRT. As secretarias de Obras e Mobilidade Urbana estão à disposição para colaborar nos processos para que a obra seja acelerada e concluída logo”, disse o atual prefeito, Abílio Brunini (PL). Ele tenta derrubar outro contrato, este na esfera municipal: a construção do novo mercado municipal e a revitalização do centro histórico da cidade.
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O acordo firmado na gestão anterior prevê que a CS Mobi Cuiabá, unidade da CS Infra, holding de infraestrutura do Grupo Simpar, opere um estacionamento rotativo de 450 vagas no centro por 30 anos, tendo por contrapartida a construção do mercado e ações de revitalização. “É um contrato amarrado, construído para beneficiar a empresa”, afirma o prefeito. “Eles pegam dinheiro emprestado, colocam no município como garantia e ainda exploram os espaços públicos. E a prefeitura, por 30 anos, tem que bancar isso”, critica.
A empresa afirma que as manifestações de Brunini são “altamente desrespeitosas, inverídicas e combativas”, criam um ambiente de insegurança jurídica e são uma tentativa de “embate midiático”. Uma CPI na Câmara de Vereadores, da qual a companhia disse que não irá participar, investiga o caso.
Outra CPI, esta em Campo Grande, mirou o transporte coletivo da capital do Mato Grosso do Sul e recebeu 644 denúncias de usuários sobre supostas irregularidades no serviço. Depois de quase seis meses de atuação, a comissão apresentou relatório final em que aponta a necessidade de substituição imediata dos 197 ônibus da frota, além de irregularidades que devem corrigidas.
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