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Locomotiva símbolo da Madeira-Mamoré foi usada como forno de padaria e galinheiro

Folha de S. Paulo – Principal destaque do museu da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, a locomotiva 12 é, sem exagero, uma sobrevivente dos percalços enfrentados na construção e operação da ferrovia entre o final do século 19 e as primeiras décadas do século passado.

Fabricada pela norte-americana Baldwin, a locomotiva a vapor —maria–fumaça— foi a primeira a ser comprada para a Madeira-Mamoré, em 1878, mas não foi usada para sua finalidade até 1912, quando a ferrovia foi inaugurada.

Isso ocorreu porque a construção das linhas férreas foi interrompida no ano seguinte à sua aquisição, e a locomotiva ficou abandonada.

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Nesse período, pode-se dizer que aconteceu quase tudo com a locomotiva 12 em Porto Velho. Quase tudo mesmo: além de ter sido saqueada, virou por um tempo forno de padaria, depois foi usada como tanque de água e serviu até mesmo como galinheiro do final do século retrasado até 1909, três anos antes do início das operações da Madeira-Mamoré.

Depois de um trabalho de recuperação, a 12 foi colocada nos trilhos, com uma nova chaminé e pintura diferente da original, que exibia quase 35 anos antes.

Ela ganhou o nome de Coronel Church, norte-americano que participou ativamente da construção da ferrovia, e operou normalmente até 1942, ano em que a Madeira-Mamoré a aposentou.

Novamente, a locomotiva enfrentou um período de mais de três décadas de ostracismo, até que, em 1979, o Ministério do Transporte propôs fazer com ela o que ocorreu demais em toda a história ferroviária brasileira: leiloar a maria-fumaça como sucata.

A reação da sociedade civil e de entidades de preservação ferroviária foi forte, de acordo com o museu ferroviário da capital de Rondônia, e deu certo. O leilão foi impedido e teve início um processo para a preservação da locomotiva.

Mas, no ano seguinte, ainda sob o regime militar (1964-1985), o Exército decidiu efetuar consertos e pintar a locomotiva para uma exposição. Escolheu a cor azul, que durou só até 1981, quando a pintura original foi restaurada de forma parcial, com a caldeira e a chaminé recebendo a cor prata, e o restante da maria-fumaça ganhando a cor preta.

Ela, então, voltou aos trilhos para uma rota turística, que também durou pouco, até 1983, quando a locomotiva foi levada para um dos galpões do complexo às margens do rio Madeira.

Um novo ciclo de três décadas se passa e, em 2014, o local foi fortemente atingido por uma cheia do rio Madeira, que praticamente deixou a locomotiva submersa.

Ela foi, então, após um processo de limpeza da lama, transferida para dentro do galpão, onde foi novamente recuperada.

No local, ela ganhou a pintura original, de 1878, e foi preparada para ser exposta como símbolo da história da construção da ferrovia na Amazônia.

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/sobre-trilhos/2025/10/locomotiva-simbolo-da-madeira-mamore-foi-usada-como-forno-de-padaria-e-galinheiro.shtml

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