O Globo – Em Shenzhen, megacidade no sul da China reconhecida como um dos principais polos tecnológicos do mundo, um passo gigante foi dado na integração da inteligência artificial à vida cotidiana. O que antes era um espaço exclusivo para passageiros agora abriga tecnologia de ponta em logística: o metrô da cidade se tornou um canal vital para o transporte de mercadorias, por meio de uma frota de robôs de entrega e veículos autônomos.
O projeto, o primeiro do gênero no mundo, implantou recentemente dezenas de robôs de entrega projetados para abastecer as lojas 7-Eleven ao longo da rede de metrô, segundo o Ministério dos Transportes de Guangdong. Esses novos “passageiros” viajam em vagões de metrô fora do horário de pico; eles se deslocam em vans e descem de forma autônoma em estações próximas a uma das mais de 100 filiais 7-Eleven do sistema. Estima-se que a implantação de 41 desses robôs seja suficiente para atender toda a demanda das lojas na alta temporada.
O metrô também está sendo usado para transporte geral de encomendas. Robôs são acionados por volta das 20h para mover pacotes dos depósitos. Cada veículo tem capacidade de carga de 3 metros cúbicos e suporta até 500 quilos.
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Engenharia subterrânea
Esses robôs, com cerca de um metro de altura e operados pela VX Logistics, não são simples carrinhos: foram projetados para se deslocar entre plataformas e trens, ou entre elevadores e andares. Eles circulam pelas ruas de forma autônoma, utilizam elevadores, entram e saem de plataformas e reconhecem a chegada dos trens.
Além de aumentar a eficiência, a aplicação busca aproveitar a capacidade ociosa do metrô fora dos horários de pico, reduzir o tráfego de superfície e promover uma logística mais verde e inteligente.
De acordo com executivos da Neolix, empresa que projeta e fabrica esses robôs, eles são entre 20% e 30% mais baratos de operar do que veículos comerciais tradicionais, já que eliminam custos com cabine humana, ar-condicionado e salários de motoristas.
A iniciativa de Shenzhen integra o plano de ação da cidade para 2027, que prevê acelerar a adoção de robôs em diferentes setores. O foco na robótica de entregas não busca apenas eficiência, mas também redução de custos operacionais.
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