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Teresina planeja modernizar e ampliar capacidade do metrô

Valor Econômico – Com 905 mil habitantes, Teresina tem metrô – tecnicamente um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) –, de 13,5 quilômetros de extensão, com 11 estações entre o terminal Itararé, na região sudeste, e a estação Engenheiro Alberto Silva, na área central da cidade. Sua participação na mobilidade da capital piauiense, porém, é tímida: transporta menos de quatro mil passageiros por dia, mesmo não cobrando tarifas dos usuários. A boa notícia é que há um projeto de modernização e expansão que pretende ampliar a capacidade do modal para 50 mil passageiros diários até o fim da década, com um investimento total de R$ 544 milhões.

Atualmente, os veículos transitam em uma via simples, o que não permite que os trens sigam em direções opostas simultaneamente. O trajeto entre as extremidades leva cerca de uma hora, o que explica a baixa aderência dos moradores ao meio de transporte. “Nossa meta é reduzir o tempo de locomoção para 25 minutos”, diz Jonas Moura, secretário de Transportes do Piauí.

O projeto de modernização será executado em duas etapas. A primeira prevê a reforma das estações Itararé, que já foi concluída, Renascença e Boa Esperança, e a substituição da linha férrea existente por uma mais moderna, com dormentes de concreto e trilhos mais resistentes, e a duplicação de alguns trechos da via. As obras estão sendo executadas pelo governo estadual com apoio financeiro federal. O investimento, de R$ 193 milhões, conta com financiamento da Caixa Econômica Federal por meio do Programa Pró-Transporte, do Ministério das Cidades, e a estimativa é que esta etapa seja concluída no primeiro semestre de 2026 e eleve a capacidade do modal para 12 mil passageiros diários.

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A segunda etapa está prevista para ter início em sequência. Prevê a duplicação de vários trechos da linha férrea, permitindo o trânsito simultâneo dos trens em direções opostas, a extensão da linha em mais três quilômetros e a construção de duas novas, uma no bairro de Todos os Santos e a outra no histórico Mafuá, além da reforma de sete estações.

Também está prevista a construção de um Centro de Controle de Operações e a reforma da oficina de trens, além de uma nova ponte sobre o rio Poti. Serão adquiridos três novos trens, duplicando a frota atual.

As obras estão orçadas em de R$ 351 milhões, sendo R$ 237,7 milhões do governo federal, por meio do chamado PAC Seleções, o dispositivo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que atende projetos propostos por Estados e municípios. Os demais R$ 113,3 milhões sairão do cofre estadual.

Segundo o secretário Moura, uma terceira etapa de expansão do metrô já está em elaboração pelo governo estadual. “Queremos chegar ao bairro do Saci, na zona sul da cidade, e ao parque Lagoas do Norte, na zona norte”, afirma.

Mesmo com a modernização e a expansão projetada, o metrô de Teresina não supre as necessidades da cidade. “Temos um dos piores, se não for o pior, transporte público entre as capitais brasileiras”, diz Nícia Leite, professora de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e especialista em planejamento municipal. “O metrô precisa chegar aos bairros mais populosos, nas extremidades sul e norte da cidade e também deveria ter uma interligação com a vizinha Timon”, acrescenta. Timon é um município no Maranhão separado de Teresina apenas pelo rio Parnaíba e há grande intercâmbio diário entre os moradores das duas cidades, sendo que muitos timonenses trabalham na capital piauiens.

A mobilidade urbana em Teresina também é prejudicada pela baixa oferta de ônibus na cidade. De acordo com a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans), são apenas 280 ônibus em circulação, que transportam dois milhões de passageiros por mês, menos de 67 mil passageiros por dia. Há ainda outro problema: os ônibus são antigos, com idade média de quase dez anos. Antes da pandemia de covid-19, eram 400 veículos que atendiam seis milhões de passageiros.

Segundo a professora, as empresas de transporte alegam que falta demanda e operam no prejuízo, por isso não investem na expansão e modernização do sistema. A população, por sua vez, diante da falta de oferta qualificada de transporte urbano, busca alternativas. Uma delas é o uso dos serviços dos “ligeirinhos”, veículos que fazem o transporte irregular de passageiros.

Outra alternativa encontrada é a aquisição de motos. A frota de motocicletas em Teresina é uma das que mais cresceram no país nos últimos cinco anos e já ultrapassa 260 mil motos, sendo que muitas são utilizadas para a prestação de serviços de mototáxi.

Mais motos, mais acidentes. De acordo com o Atlas da Violência 2025, no Piauí 69,4% dos acidentes de trânsito que geram mortes envolvem motos. O Estado é o que registra a maior taxa de mortes por acidentes com motos no país, 21 para cada 100 mil habitantes.

Fonte: https://valor.globo.com/publicacoes/especiais/revista-piaui/noticia/2025/10/30/teresina-planeja-modernizar-e-ampliar-capacidade-do-metro.ghtml

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