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Ações da Rumo caem 9% com tarifas em queda

Valor Econômico – A Rumo, empresa de logística do grupo Cosan, deverá enfrentar um cenário mais difícil para a negociação de preços com os clientes ao menos até o início de 2026. Após a queda de 6,3% no valor das tarifas cobradas no terceiro trimestre, o presidente da empresa, Pedro Palma, sinalizou que a situação pode ser ainda mais difícil nos últimos meses do ano e que a comercialização para o início de 2026 tem seguido os mesmos patamares de frete mais baixo do segundo semestre de 2025.

As ações da empresa caíram -9,08% na segunda-feira (17), para R$ 15,02. A reação negativa do mercado veio após a divulgação do balanço do terceiro trimestre, no fim da última sexta-feira (14), que além do recuo das tarifas também mostrou uma retração de 39,2% no lucro líquido no período, na comparação anual.

A redução das tarifas cobradas foi uma estratégia da Rumo para garantir a competitividade frente a outros corredores logísticos e assim ampliar os volumes transportados – estes tiveram alta de 8,2% no trimestre.

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“Quando a gente olha a competição, é justo afirmar que o cenário de preço, principalmente no mercado de milho, continua mais ácido do que se tinha planejado. O cenário do quarto trimestre é mais ácido do que enfrentamos no próprio terceiro trimestre”, disse Palma, em teleconferência com analistas realizada na manhã de ontem.

No entanto, as perspectivas para o próximo ano são mais positivas, segundo ele. “Olhando para frente, em 2026, se vê uma dinâmica de safra positiva e, diferente de 2025, em que entramos [no ano] sem estoque de passagem, o que a gente enxerga para 2026 é um início de ano com mais volumes dentro do sistema. Isso deve facilitar a pressurização logística para esse ano seguinte. É uma dinâmica marginalmente melhor do que se viu em 2025”, afirmou.

Embora os preços em negociação hoje para 2026 estejam em linha com os do segundo semestre deste ano, Palma vê espaço para uma melhora. “Ao longo do tempo, com a evolução do mercado, vamos reconstruir as bases da precificação tendo mais confiança nos volumes e preços”, disse ele. O executivo afirmou também que a empresa “é capaz de subir rapidamente preço quando o mercado traz oportunidade”.

Na teleconferência, Guilherme Machado, vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Rumo, afirmou que o patamar de tarifas atual é saudável. “Não tem destruição de valor, as margens seguem sólidas.”

Os executivos também sinalizaram que o cenário de forte competição no mercado não deverá afetar a expansão da malha ferroviária no Mato Grosso. Segundo Palma, com a primeira fase do projeto próxima à conclusão, a empresa trabalha no detalhamento da segunda etapa das obras. “Estamos agora refinando os valores de ‘capex’ [investimentos] e de resultado esperado do projeto à luz do cenário competitivo do que se enxerga hoje e do que espera para frente”, disse.

Porém, ele afirmou que a evolução de preço no setor não é linear e que as projeções futuras para a expansão da malha são positivas. “Tem efeitos conjunturais que às vezes mudam a relação de preço, que mudam dentro de semestre, de safra. Mas ao longo dos anos há uma normalização do patamar de preço, e a tendência é que o mundo vai precisar de commodities agrícolas, e a melhor região do Brasil para esse fluxo nasce no Centro-Oeste.”

Entre analistas de bancos, as análises sobre os resultados da Rumo foram mistas, com avaliações que vão do otimismo moderado à cautela reforçada. Luan Calimério, do BB Investimentos, classificou os números como majoritariamente negativos, destacando que a queda dos preços comprometeu a rentabilidade. A perda de fatia nas exportações de grãos em Santos (4 p.p.) e no Mato Grosso (6 p.p.) também foi apontada como sinal de competitividade no setor.

O Citi também adotou uma visão cautelosa, embora tenha reconhecido pontos positivos no desempenho da companhia. O analista Filipe Nielsen destacou que o Ebitda ajustado de R$ 2,31 bilhões ficou 0,5% acima do esperado, mas a receita de R$ 3,81 bilhões veio 2,5% abaixo da estimativa. A estratégia da Rumo de estimular volumes por meio de cortes tarifários foi vista como fator de fraqueza, especialmente na operação Norte.

A XP manteve uma visão positiva. Os analistas Pedro Bruno e João Ramiro destacaram os volumes fortes, sustentados por uma base de carga mais diversificada, e a expansão de margens, impulsionada por menores custos fixos e ganhos de eficiência no uso de combustível. O Ebitda de R$ 2,3 bilhões ficou em linha com as estimativas.

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2025/11/18/acoes-da-rumo-caem-9-com-tarifas-em-queda.ghtml

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