Valor Econômico – Após uma queda dos preços de tarifa no terceiro trimestre, a Rumo, empresa de logística do grupo Cosan, prevê um quarto trimestre com cenário “mais ácido” e um início de 2026 com valores semelhantes aos do segundo semestre de 2025. Porém, há uma perspectiva de melhora na dinâmica de safra de grãos para 2026, afirmou o presidente da empresa, Pedro Palma.
“Quando a gente olha o cenário de competição, é justo afirmar que o cenário de preço no mercado de milho continua mais ácido do que se tinha planejado; quando olha o cenário que estamos enfrentando no quarto trimestre, é mais ácido do que enfrentamos no próprio terceiro trimestre, dito isso, não é algo material”, disse ele, em teleconferência com analistas na manhã desta segunda-feira (17).
“O que olha pra frente, em 2026, é uma dinâmica de safra positiva e, diferente de 2025, onde entramos sem estoque de passagem, o que a gente enxerga para 2026 é início de ano com mais volumes dentro do sistema, o que deve facilitar processo de pressurização logística para este ano seguinte. É uma dinâmica de forma marginalmente melhor do que se viu agora no ano de 2025, quando olho a transição para 2026”, afirmou.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
“Dito isso, de forma muito direta, preço é variável que a gente não controla diretamente, o que vejo é um cenário para 2026 onde estamos iniciando esforço comercial para jornada em patamares similares à do segundo semestre de 2025. E ao longo do tempo, com a evolução do mercado, vamos reconstruir bases da precificação tendo mais confiança dos volumes e preços”, disse ele.
O executivo afirmou também que a empresa “é capaz de subir rapidamente preço quando o mercado traz oportunidade”.
Guilherme Machado, vice-presidente financeiro e de relações com investidores, também afirmou que o patamar de tarifas atual é saudável. “Não tem destruição de valor, as margens seguem sólidas.”
Expansão do Mato Grosso
A Rumo está concluindo a primeira fase da expansão ferroviária no Mato Grosso e, neste momento, trabalha no detalhamento da segunda etapa do projeto da extensão da Malha Norte, afirmou Palma.
“A gente está refinando o plano de negócios da fase 2, da continuidade da expansão do Mato Grosso, à luz do fato de que se está caminhando para encerramento da fase 1. Já vamos entregar o terminal da 070 [o primeiro do projeto] e estamos agora, na virada de ano, refinando os valores de ‘capex’ [investimentos] e de resultado esperado do projeto, à luz do cenário competitivo do que se enxerga hoje e do se que espera para frente”, disse ele.
“Ainda estamos finalizando as análises para ter discussão com conselho. Enxergamos, de forma positiva, crescimento da demanda nos mercados e rentabilidade estrutural dos investimento, mas vamos sempre analisar fase a fase. Não vamos fazer investimento de forma dogmática, mas com base em análise profunda”, disse.
O primeiro terminal do projeto deverá entrar em operação em 2026, conforme previsto inicialmente. Ao ser questionado sobre como o cenário de competição e preços afeta o projeto, Palma disse que é preciso analisar as perspectivas futuras.
“É óbvio que, quando se olha a execução do capex, o avanço de projeto de expansão, você calibra de acordo com a expectativa de rentabilização de investimento. O grande ponto quando se olha essa tarifa, da mesma forma como se olha curva de juros futuro, quando se olha cenário dos planos de expansão, se tem expectativa de nível de precificação e competitividade que ajuda a estabilizar a precificação”, disse.
“No sistema ferroviário, a evolução de preço nunca foi linear. (…) Tem efeitos conjunturais que às vezes mudam a relação de preço, que mudam dentro de semestre, de safra. Mas, ao longo dos anos, tem normalização do patamar de preço, e a tendência é que o mundo vai precisar de commodities agrícolas, e a melhor região do Brasil para esse fluxo nasce no Centro-Oeste.”
VÁ ALÉM DA MANCHETE
O setor ferroviário é complexo e as notícias do dia a dia são apenas a ponta do iceberg. Para entender o cenário completo, é preciso de contexto e a visão de quem cobre o setor desde 1940.
A cada edição, a Revista Ferroviária traz reportagens aprofundadas, estudos de mercado e entrevistas exclusivas sobre os temas que realmente importam: de novos VLTs e projetos privados a desafios de manutenção, o futuro da tecnologia e muito mais.
Seja o primeiro a comentar