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Vale tem lucro 9% maior, sinaliza com distribuição extra para acionistas, mas diz que espera IR mínimo para decidir

O Globo – No dia seguinte ao anúncio do lucro líquido do terceiro trimestre, de R$ 14,6 bilhões, alta de 9% ante igual período de 2024, a mineradora Vale sinalizou nesta sexta-feira que poderá fazer distribuições extraordinárias do lucro nos próximos meses, mas a decisão dependerá das novas regras do Imposto de Renda. O resultado foi obtido a partir de uma receita líquida de R$ 56,7 bilhões no terceiro trimestre, alta de 7% ante um ano antes.

As ações da companhia fecharam o pregão na B3 com alta de 2,27%, a R$ 65,26.

Marcelo Bacci, vice-presidente executivo de Finanças, Relações com Investidores (CFO) da mineradora, disse que é “provável” que a companhia opte pelo pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio (JCP) — as duas formas pelas quais as empresas abertas distribuem o lucro para os acionistas — extraordinários “nos próximos meses”, durante uma teleconferência com analistas de mercado.

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Data para dividendo extra depende de mudança no IR

Questionado por jornalistas, o executivo evitou precisar uma data, e explicou que, além da capacidade de geração de caixa, será levado em conta na hora de decidir pela distribuição adicional do lucro o desenho final das novas regras do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).

Para isentar quem ganha até R$ 5 mil ao mês, o governo está propondo um IRPF mínimo para quem ganha mais de R$ 50 mil ao mês, o que levará à tributação dos dividendos, hoje isentos.

Segundo Bacci, no caso da Vale, há dois pontos incertos nas novas regras, que estão em projeto de lei (PL) em tramitação no Senado. O primeiro é que a proposta prevê que dividendos declarados sobre lucros obtidos até a aprovação da lei poderiam seguir isentos desde que pagos em até três anos, mas isso seria contraditório ao prazo previsto na Lei das S.A., que é menor.

O segundo ponto incerto é uma particularidade da Vale. No planejamento tributário da companhia, a maior parte do lucro é distribuído via JCP, cujo recebimento não é isento do IRPF — e nada mudará para ele com as novas regras. Dessa forma, os acionistas da mineradora poderiam ser pouco afetados pelo IRPF mínimo.

— Estamos monitorando tudo isso, para poder tomar a decisão sobre os dividendos. É por isso que também não consigo dizer o que quer dizer “em breve” quando falamos do prazo para decidir. Depende tanto do desempenho de geração de caixa da companhia quanto de destrincharmos essa questão tributária — afirmou Bacci, em entrevista coletiva nesta sexta-feira.

De volta ao topo no minério de ferro

Ao anunciar os resultados, a Vale chamou a atenção para a produção de 94 milhões de toneladas de minério de ferro no terceiro trimestre, alta de 4% ante igual período de 2024.

Foi o melhor desempenho trimestral desde 2018, antes da produção da mineradora ser afetada pelas paralisações decorrentes do rompimento de uma barragem de rejeitos em Brumadinho (MG), no início de 2019.

Para este ano fechado, a Vale trabalha com a projeção de produzir de 325 milhões a 335 milhões de toneladas de minério de ferro — caminhando, assim, para retomar o posto de maior produtora global desse mineral.

A companhia também destacou a produção de cobre, que ficou em 91 mil toneladas, alta de 6% ante o terceiro trimestre de 2024. Também foi o melhor desempenho desde 2018, mas aí considerando apenas os terceiros trimestres, e não todos os trimestres.

A produção resultou em vendas de 86 milhões de toneladas de minério de ferro no terceiro trimestre, 5% acima de um ano atrás.

Analistas elogiam estratégia

A diferença das vendas para a produção incluiu a destinação de 4,5 milhões para a recomposição de estoques, como parte da estratégia comercial da Vale de privilegiar a venda de misturas de minério de ferro que atendam a necessidade dos clientes, o que resultou em preços melhores para a companhia — ao questionarem os executivos da empresa sobre isso em teleconferência na manhã desta sexta-feira, analistas de mercado elogiaram a estratégia.

“Um destaque fundamental é o sólido desempenho de custos, especialmente na área de soluções em minério de ferro, onde a eficiência melhorou, com a empresa confiante em cumprir sua meta de custo para 2025. Adicionalmente, houve reduções notáveis nos custos do cobre e níquel”, diz um relatório da XP Investimentos.

No terceiro trimestre, o indicador de custo principal da Vale ficou em US$ 20,7 por tonelada de minério de ferro. Os diretores da mineradora reafirmaram a convicção de que a meta de ficar no intervalo de US$ 20,5 a US$ 22 por tonelada será atingida este ano.

No caso do cobre, o indicador de custo de produção ficou em US$ 1 mil por tonelada, um tombo de 65% em relação ao verificado no terceiro trimestre de 2024. Para o níquel, o indicador ficou em US$ 12,3 mil por tonelada, 32% abaixo do registrado um ano antes.

“As principais variáveis operacionais já haviam sido precificadas pelo mercado quando a Vale reportou seu relatório de Produção e Vendas (em 21 de outubro)”, diz um relatório da corretora Genial Investimentos, “entretanto, um elemento importante que os investidores ainda não tinham conhecimento era o custo, que foi divulgado apenas agora no resultado financeiro”.

Segundo os analistas da Genial, somados os dados de produção e custo, “é possível esperar que o resultado seja bem recebido pelo mercado”. Segundo o relatório, os custos controlados indicam “um bom trabalho de execução da companhia em neutralizar a inflação geológica com ganhos em giros de estoques e diluição de custos fixos, como consequência do aumento da confiabilidade dos ativos e de um plano de lavra mais eficiente”.

Fonte: https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2025/10/31/vale-tem-lucro-9percent-maior-sinaliza-com-distribuicao-extra-para-acionistas-mas-diz-que-espera-ir-minimo-para-decidir.ghtml

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