Folha de S. Paulo – A TIC Trens, concessionária que será responsável pela implantação e operação da ferrovia que ligará a capital paulista a Campinas, avalia propor um aditivo ao contrato do projeto. A ideia é construir uma linha adicional no trecho entre Jundiaí e São Paulo para facilitar a circulação dos trens.
De acordo com Pedro Moro, presidente da TIC Trens, no projeto atual, trens com parada e trens expressos teriam de dividir a mesma linha no trajeto entre Jundiaí e São Paulo.
Segundo ele, haveria somente alguns trechos duplicados (chamados de pontos de ultrapassagem), cada um com até 2,5 km, para que trens no sentido contrário façam a ultrapassagem –nesse caso, uma das locomotivas teria de trafegar na via alternativa, em velocidade reduzida.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
A preocupação é que, nesse modelo, os trens expressos teriam de operar sempre com um intervalo de 15 minutos –ou em um período múltiplo de 15–, para dar tempo de as locomotivas usarem as vias alternativas nos trechos duplicados. Qualquer intercorrência que atrase um dos trens, diz Moro, prejudicaria toda a operação.
“A gente está falando de intercorrências até simples, como alguém que passa mal. Aí você atrasa um pouco a saída, para os nossos agentes irem lá acudir ou tirar a pessoa. Se eu atrasar cinco minutos a partida, tenho que atrasar o trem que vem do outro lado e todos os trens da sequência até organizar isso”, explica.
Com a linha adicional, a concessionária ficaria livre para reduzir intervalos quando registrar demanda reprimida, segundo Moro.
Ele afirma que o projeto ainda está sendo estudado e não há, por ora, uma estimativa do custo ao governo estadual para a implantação de uma linha adicional. Moro diz, no entanto, que o montante não deverá ultrapassar um limite de aproximadamente R$ 2,5 bilhões.
“A gente está estudando com muito carinho e muita dedicação, porque seria muito bom a gente ter essa flexibilidade para a operação e para quem vai utilizar o trem, acho que é muito mais garantido um atendimento com mais possibilidades de serviço”, disse.
A SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo) disse em nota que a possibilidade de duplicação do Trem Intercidades Eixo Norte (Campinas) já está prevista no contrato da concessão.
“O contrato estabelece que a concessionária deve apresentar os projetos e, se os custos estiverem dentro da faixa prevista, a obra é realizada conforme as regras contratuais”, escreveu a pasta à reportagem.
A TIC Trens é um consórcio encabeçado pela Comporte, holding brasileira ligada à família Constantino, fundadora da companhia aérea Gol, em parceria com o gigante chinês CRRC, empresa estatal que é a maior fabricante de suprimentos ferroviários do mundo.
O grupo foi o único a oferecer proposta no leilão que concedeu à iniciativa privada o trem que ligará São Paulo a Campinas. O consórcio ofereceu um desconto de 0,01% sobre o pagamento de R$ 8 bilhões que o Governo de São Paulo terá de realizar no projeto.
A concessão tem duração de 30 anos e é feita no modelo de PPP (parceria público-privada). São previstos cerca de R$ 14 bilhões de investimentos, sendo R$ 8,98 bilhões de aporte público e R$ 5,02 bilhões provenientes da iniciativa privada.
Por contrato, até 2031 deverá estar em funcionamento o TIC (Trem Intercidades) Eixo Norte, cujas obras devem começar no segundo semestre do ano que vem. Partindo da estação Água Branca, na zona oeste paulista, terá parada apenas em Jundiaí, até a estação final.
De média velocidade (até 160 km/h), o Trem Intercidades promete ligar Campinas a São Paulo em 64 minutos. De carro, o percurso, pela rodovia dos Bandeirantes, é feito em cerca de 1h30 até a entrada das marginais. Isso quando não trava na entrada da capital, situação comum em horários de pico.
Em 2029, está previsto o início de operação do TIM (Trem Intermetropolitano, ou parador), para retomar a ligação ferroviária de passageiros entre Jundiaí e Campinas, com estações em Louveira, Vinhedo e Valinhos.
VÁ ALÉM DA MANCHETE
O setor ferroviário é complexo e as notícias do dia a dia são apenas a ponta do iceberg. Para entender o cenário completo, é preciso de contexto e a visão de quem cobre o setor desde 1940.
A cada edição, a Revista Ferroviária traz reportagens aprofundadas, estudos de mercado e entrevistas exclusivas sobre os temas que realmente importam: de novos VLTs e projetos privados a desafios de manutenção, o futuro da tecnologia e muito mais.
Seja o primeiro a comentar