Processos de rebranding ocorrem em diversos setores do mercado — e, no transporte público, não é diferente. A mais recente mudança foi oficializada há poucos dias pela operadora da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo.
Fundada no final de 2006, com a assinatura do contrato de concessão, nascia a ViaQuatro, que, por quase 20 anos, foi o nome atribuído à operadora da linha. Agora, passa a se chamar Motiva, acompanhando a mudança iniciada pela holding, anteriormente chamada de Grupo CCR (Companhia de Concessões Rodoviárias), que hoje possui em seu portfólio rodovias, sistemas de transporte metroferroviário em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, além de aeroportos.
Desde 16 de abril, as 11 estações da Linha 4 contam com um novo sistema sonoro — algo inédito no transporte metroferroviário brasileiro. Em paralelo, as estações Pinheiros e Faria Lima receberam novo layout, acompanhado da atualização visual dos colaboradores que atendem mais de 700 mil passageiros diariamente. As novidades, porém, não se restringem a esses aspectos: os trens também passaram por mudanças, ainda que de forma tímida.
Toda a transformação foi idealizada e executada com investimentos da concessionária, após aprovação do Governo do Estado, por meio da agência reguladora do contrato.
Trens

As composições operadas pela Motiva são do modelo Sul Coreano produzidas pela Rotem Hyundai, totalizando 29 unidades com seis carros cada.
O novo layout visual externo agora adota uma faixa em tom ao longo de toda a lateral, exibindo, em letras brancas, o nome “Motiva” e o logotipo. Já na máscara frontal, o amarelo também dá lugar também ao tom anil, mantendo apenas a numeração de identificação do carro na parte inferior, sobre fundo amarelado.
No interior, apenas algumas placas e adesivos informativos também mudaram de cor, mantendo, porém, o mesmo conteúdo informativo necessária aos usuários do serviço.

Sistema de som criado do zero
Idealizado com foco na segurança, o novo sistema sonoro começou a ser implementado dentro dos trens. O som, frequentemente associado de forma equivocada a um saxofone como aviso de chegada às estações, era, na verdade, um clarinete. Agora, apresenta uma nova melodia inspirada na palavra “amarela”, que é verbalizada nas composições durante o período noturno. Acompanhando a mudança, os mais de 40 tempos distintos de parada e abertura de portas foram padronizados em intervalos de 11, 16 e 22 segundos, dependendo da localização, do fluxo de passageiros e da demanda. Estações como Pinheiros, Luz e Paulista, por exemplo, possuem maior tempo de parada em relação a Oscar Freire, Higienópolis-Mackenzie e Fradique Coutinho.

Para viabilizar essa adequação, a Motiva se uniu ao maestro Gil Jardim, criando o SIIM (Sinal de Identidade Musical): um conjunto de melodias que une vocal e instrumentos de música clássica a ritmos variados, buscando criar associações na mente dos passageiros durante o uso da Linha 4-Amarela.
As trilhas sonoras são reproduzidas apenas quando as portas de plataforma se abrem e cessam no momento de seu fechamento. A principal finalidade é criar uma associação sonora com o tempo disponível para embarque e desembarque seguro.
“Com a nova identidade sonora da Linha 4-Amarela, tornamos ‘audível’ o anúncio da próxima estação (teaser) quando dentro dos trens e o tempo de abertura e fechamento das portas, quando nas plataformas. Isso permite que compreendam o momento mais seguro para embarcar e desembarcar”, afirma o diretor de Experiência do Cliente da Motiva, Maurício Tortosa.
Uniformes dos colaboradores

A Motiva iniciou, pela estação Pinheiros, a substituição dos uniformes das equipes de manutenção, atendimento, operação metroviária e segurança, com implantação gradual ao longo de toda a Linha 4.
O novo padrão, que incorpora o tom anil da marca, também elimina um “conflito” visual observado anteriormente, quando o uniforme dos agentes de segurança, na cor cinza escura, era confundido com o utilizado pela Polícia Militar de São Paulo. O uso de tons mais vibrantes facilita a identificação dos colaboradores pelos passageiros, especialmente nos horários de maior movimento. O conjunto inclui calças, camisetas, capacetes, coletes e outros acessórios totalmente remodelados.

“Mais do que uma mudança estética, os novos uniformes traduzem um reposicionamento estratégico: aproximar a marca das pessoas no dia a dia da operação, ampliando a visibilidade das equipes nas estações, fortalecendo a conexão com os clientes e modernizando a experiência no sistema metroferroviário”, conta Vanessa Vieira, diretora de Marca e Comunicação da Motiva.
O cronograma prevê a conclusão da atualização do vestuário até junho deste ano na Linha 4-Amarela e até dezembro nas linhas 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda, também operadas pela empresa em São Paulo. Já no VLT Carioca e no Metrô Bahia, a mudança está prevista para 2027.
Estações
As estações da Linha 4 também passam por retrofit, com novos padrões de iluminação em LED, retirada de estruturas no teto — ampliando o pé-direito — e atualização das placas de comunicação visual.
A estação Pinheiros recebeu, ao longo da plataforma, a identificação do nome em letras de grande dimensão, permitindo a leitura mesmo de dentro dos trens. O mesmo modelo está em implantação na estação Faria Lima.

Gradualmente, a Motiva realizará a atualização em todas as estações da linha, incluindo a substituição das logomarcas da ViaQuatro pela nova identidade, evitando confusão quanto à operadora responsável.
Os quiosques comerciais, antes instalados sem padronização, passam a seguir um modelo único de tamanho e formato, tornando os espaços mais uniformes. O mesmo ocorre com as placas publicitárias, tanto fixas quanto digitais.
Investimentos acima de bilhão
Segundo a concessionária, desde o início da concessão, em 2010, mais de R$ 1,5 bilhão foram investidos na Linha 4-Amarela, garantindo a operação contínua, a conservação das instalações e outras intervenções necessárias.
Para os próximos anos, a Motiva projeta investir mais de R$ 4 bilhões na expansão do trecho entre Vila Sônia e Taboão da Serra, com a construção de duas novas estações e 3,3 quilômetros de trilhos, além da aquisição de seis novos trens da fabricante chinesa CRRC.
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