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Concessão da Malha Oeste é aprovada pela ANTT com previsão de aporte da União

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou, em deliberação realizada nesta quinta-feira, 21, os estudos técnicos para a concessão da Malha Oeste ferroviária.

Durante a 1.033ª Reunião da Diretoria Colegiada da Agência, sob relatoria do diretor Lucas Asfor Rocha Lima, foram apreciados os documentos jurídicos e o plano de outorga, com o encaminhamento do projeto ao Ministério dos Transportes.

A Malha Oeste possui aproximadamente 1.625 quilômetros de extensão, atravessando o Mato Grosso do Sul a partir de Corumbá, até o interior de São Paulo, em Mairinque, município próximo à Região Metropolitana paulista. A ferrovia forma um importante corredor logístico entre as regiões Centro-Oeste e Sudeste do país.

Segundo a modelagem elaborada pela ANTT, existe a possibilidade de aporte do Governo Federal na ordem de R$ 3,6 bilhões, destinados à recuperação e à retomada do trecho operacional da ferrovia. Os repasses, entretanto, ocorrerão de forma escalonada, podendo chegar a R$ 500 milhões anuais, como mecanismo para garantir previsibilidade aos investimentos ao longo do contrato.

O projeto inclui uma condicional para os repasses da União: o futuro concessionário deverá modernizar e operar o trecho entre Corumbá (MS) e Mairinque (SP), com possibilidade de extensão até Bauru (SP).

Caso a operadora opte apenas pelo trecho considerado prioritário, entre Corumbá e Três Lagoas, dentro do Mato Grosso do Sul, não haverá aporte federal. Já o ramal de Ponta Porã poderá ser incorporado ao objeto da concessão, por conta e risco da vencedora do leilão.

O projeto também incorpora contribuições recebidas durante audiência pública realizada em 2023, estabelecendo indicadores regulatórios voltados ao desempenho operacional da ferrovia, monitoramento da capacidade da malha, além de critérios relacionados à resiliência climática e à gestão socioambiental.

A estrutura deverá funcionar como corredor integrado ao Paraguai e à Bolívia, além de possibilitar conexão com o Porto de Santos e futura integração aos portos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, por meio do Ferroanel, considerado um investimento adicional.

A próxima etapa será a avaliação do projeto pelo Ministério dos Transportes, que posteriormente encaminhará a proposta para análise do Tribunal de Contas da União (TCU).

2 Comentários

  1. Uma excelente iniciativa, já que estamos totalmente deficitários em termos de malha ferroviária. É preciso se conscientizar de que ferrovia, além de significar progresso,traz maior competitividade para o Brasil. Sou de opinião de que, em se tratando de transporte de cargas, se faz necessária a transformação para bitola larga,já que é mais eficiente e possui a capacidade de transportar cargas, principalmente no modelo double stack, o que causaria um impacto econômico e financeiro de uma forma positiva. Aproveito também para sugerir um estudo da possibilidade dessa linha ser também aproveitada para o transporte de passageiros, reativando o trecho de Baurú até Corumbá.

  2. Desde há muito tempo que a ligação com Ponta Porã e Santa Cruz de la Sierra são estratégicas, para integração da América do Sul, bem antes do Mercosul, e agora com o acordo UE-Mercosul torna-se mais urgente e necessária.
    Não há necessidade de se transformar tudo em bitola larga, especialidade tupiniquim (basta ver a CVRD com bitola métrica, entre as mais eficientes do mundo).
    O que é necessário é a readequação e utilização massivo da intermodalidade e transporte conteinerizado com pátios de transbordo e alfândegas eficientes.

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