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Governo Federal prevê oito leilões ferroviários ainda em 2026

Divulgação

O ministro dos Transportes, George Santoro, apresentou nesta terça-feira, 9 de junho, um panorama dos projetos ferroviários em andamento no país, detalhando as perspectivas para novos leilões e os investimentos previstos para os próximos anos.

Durante participação no programa Bom Dia, Ministro, Santoro destacou que a atuação do Governo Federal tem sido determinante para recuperar o protagonismo das ferrovias na matriz logística brasileira. Segundo ele, a retomada de obras paralisadas e a ampliação dos investimentos em infraestrutura contribuem para fortalecer a confiança no país e reduzir custos de transporte.

“Quando o presidente retoma o governo, a gente retoma obras que estavam paradas há anos, sonhos antigos dos brasileiros. Hoje, as pessoas voltaram a sonhar com um Brasil grande, um Brasil que tenha logística eficiente, em que a carga não vai poder custar no transporte, por exemplo, do Mato Grosso para Santos, mais caro que de Santos para Xangai. A gente precisa acabar com isso”, afirmou.

Entre as principais iniciativas previstas para o setor está a realização de oito leilões ferroviários ao longo de 2026. Os projetos abrangem trechos localizados nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Mato Grosso, Ceará e Pernambuco.

As concessões fazem parte da estratégia federal para ampliar a participação do transporte ferroviário na movimentação de cargas. Atualmente, o modal responde por 17,7% da logística nacional, percentual que o Governo Federal pretende elevar para 34,6% até 2035, conforme as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Logística (PNL 2035).

A expectativa é que os projetos mobilizem cerca de R$ 600 bilhões em investimentos ao longo dos próximos anos, combinando recursos públicos e privados para expandir e modernizar a malha ferroviária brasileira.

“Fizemos a primeira política pública de concessões ferroviárias da história do Brasil. Melhoramos a regulação. Assumimos que o setor privado, sozinho, não é capaz de tocar uma carteira de ferrovias. A carteira de ferrovias do mundo inteiro foi desenvolvida com o governo entrando em ferrovia. Não existe ferrovia no mundo em que o governo não entrou”, declarou o ministro.

Modelo de ferrovias inteligentes

Santoro também destacou o avanço do modelo das chamadas “ferrovias inteligentes”, uma estratégia que busca acelerar a implantação de novos projetos por meio da simplificação de etapas burocráticas e da recuperação prévia de ativos ferroviários.

Nesse formato, o poder público participa diretamente da reestruturação da infraestrutura existente, reduzindo o tempo necessário para a preparação dos empreendimentos e tornando os projetos mais atrativos para a iniciativa privada.

Segundo o ministro, enquanto um processo convencional de concessão pode levar entre três e quatro anos para ser estruturado, o novo modelo permite concluir essa etapa em cerca de um ano.

“O governo, em parceria, coloca dinheiro no projeto para recuperar o ativo ferroviário brasileiro. Ou seja, a gente vai colocar dinheiro para quem entrar no leilão e ganhar o leilão para ele recuperar o trecho. A gente faz isso de forma simplificada. Se eu fosse fazer um processo tradicional de concessão, iria levar três, quatro anos. Nessa modelagem, a gente conseguiu fazer o projeto em um ano”, explicou.

Para viabilizar a iniciativa, o Ministério dos Transportes realizou um levantamento que identificou aproximadamente 25 mil quilômetros de trilhos sem utilização em todo o país. A partir desse mapeamento, foram estruturadas carteiras de ativos destinadas a futuros leilões.

“A gente mapeou esses 25 mil quilômetros sem uso do país e fizemos vários projetos. Vamos soltando essas carteiras. Dando certo esse leilão, a gente vai soltar outros projetos em trechos menores. Pegamos trechos que hoje estão sem uso e colocamos a iniciativa privada”, afirmou.

Transnordestina avança

Outro destaque apresentado por Santoro foi o andamento das obras da Ferrovia Transnordestina, considerada uma das principais iniciativas logísticas do país.

O empreendimento ligará o interior do Nordeste aos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco, além de atender áreas do cerrado piauiense.

De acordo com o ministro, os investimentos federais destinados à obra vêm acelerando o ritmo de execução. Nesta semana, a construção alcançou um marco relevante com a instalação de 1.700 metros de trilhos em um único dia. A previsão é de que mais de 200 quilômetros de via permanente sejam implantados ao longo de 2026.

“Num país que passou oito anos sem colocar quase nenhum metro de trilho, colocar mais de 200 quilômetros de trilhos novos na ferrovia é um recorde histórico importante para desenvolver o Nordeste”, destacou.

Nova linha de crédito para o setor

Para ampliar a capacidade de investimento das concessionárias e estimular novos projetos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prepara uma linha específica de financiamento voltada ao setor ferroviário.

Segundo Santoro, a modalidade contará com condições diferenciadas, incluindo prazos mais longos para pagamento, o que poderá aumentar a atratividade dos empreendimentos para investidores nacionais e internacionais.

“O BNDES vai anunciar uma linha de financiamento específica para ferrovias. Estamos tratando de uma linha de financiamento muito especial, com amplo prazo para pagar, e isso vai atrair novos investidores da Europa e os chineses para poder entrar em projetos de ferrovias no Brasil”, concluiu o ministro.

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