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Morre Luis Eulalio de Bueno Vidigal Filho, ex-presidente da Cobrasma e da Fiesp, aos 87 anos

O empresário Luis Eulalio de Bueno Vidigal Filho morreu na tarde de 29 de junho, em São Paulo, aos 87 anos, em decorrência de complicações causadas por um quadro de isquemia intestinal e insuficiência renal.

Luis Eulalio presidiu a Cobrasma entre 1980 e 1993 e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) de 1981 a 1986. O edifício-sede da entidade, localizado na Avenida Paulista, leva seu nome. Também foi diretor e 1º vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e é apontado como um dos principais representantes do processo de renovação das entidades representativas do setor produtivo brasileiro ocorrido na década de 1980, período que antecedeu a abertura democrática.

À frente de um movimento de oposição formado por jovens empresários paulistas, disputou a presidência da Fiesp em 1980 contra Theobaldo De Nigris, que estava em seu oitavo mandato consecutivo, e venceu a eleição. Durante sua gestão, entre 1981 e 1986, tornou-se uma das principais lideranças empresariais do país, utilizando sua atuação institucional para defender políticas públicas voltadas à indústria e ao desenvolvimento econômico.

Em um contexto marcado pelo fortalecimento da ação sindical dos trabalhadores, defendia que o empresariado industrial precisava se reorganizar para participar dos processos de negociação, buscando reduzir tensões e promover a evolução das relações entre trabalhadores e empresários.

Ao longo de sua trajetória, conviveu com períodos de elevada inflação, crescimento da dívida pública e forte presença do Estado na economia. Mantinha diálogo constante com autoridades para discutir temas relacionados à indústria, à economia e ao desenvolvimento nacional. Defendia a implementação de um projeto voltado ao fortalecimento da atividade industrial, baseado em estratégias de médio e longo prazo, modernização do parque industrial, aumento dos investimentos em tecnologia e redução da intervenção governamental na economia.

Sua atuação na Fiesp também o levou a realizar diversas viagens ao exterior para apresentar a representantes do setor produtivo internacional a situação da economia brasileira e buscar referências para a modernização da indústria nacional.

Descrito como um dirigente dinâmico, proativo e comprometido com resultados, Luis Eulalio também integrou o Conselho Monetário Nacional e manteve relacionamento com presidentes da República, ministros e lideranças empresariais, participando com frequência de discussões em Brasília.

Parlamentarista convicto, nunca ingressou na política partidária. Defendia que a participação política do empresariado deveria ocorrer por meio de suas entidades representativas, contribuindo para os processos de desenvolvimento econômico do país.

Durante o período em que presidiu a Fiesp, conciliava as atividades na Cobrasma durante as manhãs com a rotina na entidade empresarial durante as tardes e noites, buscando equilibrar suas responsabilidades profissionais, institucionais e familiares.

Meses antes de morrer, em depoimento sobre sua trajetória como dirigente empresarial, afirmou:

“Tive a oportunidade de viver episódios importantes, em momentos de enormes dificuldades para as empresas e para a própria indústria como um todo, que exigiram de mim paciência e coragem. E, lançando um olhar crítico sobre o passado, devo dizer que aprendi com os erros e com os acertos.”

Na mesma ocasião, declarou:

“Sou grato à vida por ter me dado tantas oportunidades de contribuir de alguma forma com a indústria brasileira e com o desenvolvimento do meu país. Sou grato também por ter convivido e trabalhado ao lado de tantas pessoas que, assim como eu, se esforçaram para fazer o seu melhor em benefício do Brasil.”

Nascido em São Paulo em 26 de março de 1939, Luis Eulalio tinha origens nordestinas e paulistas. Era filho do empresário e professor Luis Eulalio Bueno Vidigal, pioneiro da indústria de bens de capital, diretor e professor emérito da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.

Estudou no Colégio São Luís e formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), em 1963. Em 1965, realizou pós-graduação em Administração de Empresas na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

Além da presidência da Fiesp e dos cargos exercidos na CNI, presidiu o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) e foi 1º vice-presidente do Sindicato da Indústria de Forjaria do Estado de São Paulo. Em 2008, recebeu o título de Presidente Emérito da Fiesp.

Luis Eulalio deixa a esposa, Lygia Fonseca Vidigal, os filhos Luis Eulalio Neto, Silvia Vidigal Ramos e Luis Fernando Vidigal, além de dez netos.

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