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Mulheres na ferrovia: sim, nós podemos!

Por Ana Caroline de Faria Eduardo Borges, diretora Administrativa e Financeira da CPTM

Falar sobre a atuação feminina no sistema ferroviário, onde a presença masculina ainda é majoritária, é o primeiro passo para transformar realidades, quebrar paradigmas e abrir caminhos para nós, mulheres. Como diretora financeira da CPTM, minha missão diária envolve olhar de perto a eficiência da gestão, os contratos e a solidez dos resultados da companhia. No entanto, tenho a convicção de que empresas sustentáveis e inovadoras não são feitas apenas de números, mas de pessoas preparadas e diversas. Por isso, mover o ponteiro da inclusão e criar oportunidades para que mais mulheres ocupem seus espaços no setor também é um compromisso central da minha caminhada.

Ao assumir essa posição de liderança, compreendi que minha trajetória não representava apenas uma conquista individual, mas também a oportunidade de abrir caminhos, ampliar perspectivas e fortalecer a presença de outras mulheres em espaços estratégicos na companhia.

E temos avançado de forma consistente. Hoje, a CPTM já conta com mais de 1.160 colaboradoras, que representam cerca de 19% da força de trabalho e atuam em mais de 500 funções operacionais. Contudo, em um modal onde mais de 50% dos passageiros são mulheres, a participação feminina na operação, na manutenção e na liderança deveria ser ainda maior. Afinal, sistemas complexos de transporte exigem equipes diversas, capazes de antecipar desafios e desenhar soluções que reflitam a sociedade real que atendemos diariamente.

Foi justamente olhando para essa necessidade que nasceu o programa Elas na Ferrovia. Desenvolvido e colocado em prática em 2024, o programa surgiu com o propósito de fortalecer competências, desenvolver talentos e ampliar o protagonismo feminino dentro da CPTM. Ao longo dessa jornada, o Elas na Ferrovia vem se consolidando como um movimento de transformação cultural, conexão e desenvolvimento — algo que acontece quando existe um propósito claro, genuíno e capaz de mobilizar pessoas.

Na primeira edição, 38 colaboradoras participaram da iniciativa. Na segunda, ampliamos para 84 profissionais. Agora, em junho, abriremos 200 vagas para a terceira edição, consolidando uma iniciativa que cresce de forma estruturada e cada vez mais relevante para a companhia.

A nova edição também incorpora um treinamento exclusivo em ferramentas de Inteligência Artificial, preparando nossas colaboradoras para os desafios de uma mobilidade cada vez mais tecnológica, conectada e orientada por dados. Porque investir no desenvolvimento das mulheres na ferrovia é, fundamentalmente, investir no futuro da mobilidade urbana.

E os resultados refletem isso de forma muito clara. Atualmente, o programa registra 95% de satisfação geral entre as participantes, além de 88% de percepção positiva em visão de carreira, desenvolvimento de habilidades e evolução pessoal e emocional. São indicadores importantes, mas, para mim, o mais significativo é perceber o fortalecimento da autoconfiança, do protagonismo e do sentimento de pertencimento dessas mulheres na empresa.

Os impactos do Elas na Ferrovia começaram a ultrapassar os limites da companhia, com destaque na imprensa, reforçando o posicionamento da CPTM como uma empresa comprometida com desenvolvimento humano, inovação e transformação cultural. Além de mostrar que a companhia está na vanguarda ao tornar diversidade, inclusão e protagonismo feminino na mobilidade urbana uma ação.

Mas talvez um dos resultados mais relevantes tenha surgido de forma espontânea, na própria CPTM. A partir do Elas na Ferrovia, começamos a perceber um movimento genuíno de conexão, apoio e sororidade entre as colaboradoras. Novos encontros, grupos de afinidade e iniciativas voltadas ao fortalecimento feminino passaram a surgir naturalmente na companhia, como o evento ‘Mulheres que Movem’, que promoveu um painel com mulheres em posições de liderança na CPTM e convidadas de outras empresas.

Essa mudança de cultura gera um efeito multiplicador que ultrapassa os limites das nossas estações. Quando uma mulher opera um trem, gerencia a manutenção ou lidera decisões orçamentárias complexas, ela se torna um espelho. Ela mostra para as próximas gerações que aquele lugar também pertence a elas. Porque quando mulheres encontram oportunidades reais de crescimento e reconhecimento, elas também passam a impulsionar outras mulheres. Criam redes de apoio, fortalecem umas às outras e contribuem para ambientes mais humanos, colaborativos e transformadores.

Ver esses resultados acontecerem é o que me motiva a seguir em frente. Sabemos que ainda temos muitos desafios pela frente em um setor historicamente masculino. Romper barreiras culturais e estruturais exige consistência, coragem e continuidade. Afinal, não basta apenas abrir portas; é preciso garantir permanência, acolhimento e oportunidades reais de crescimento.

Por isso, convido você a seguir comigo nessa caminhada. Que possamos, juntas, discutir como a sororidade e a influência mútua podem acelerar o nosso crescimento, consolidando de vez a presença feminina nos trilhos do futuro.

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