Valor Econômico – Em 2026, os fundos de debêntures incentivadas, enquadradas na Lei nº 12.431/2011 e que tem isenção de imposto de renda, dificilmente repetirão os resultados experimentados nos últimos 12 meses. Mas isso não significa que esses ativos devem ser desprezados.
Na avaliação dos gestores de crédito privado, esses ativos devem permanecer na carteira e no radar. Porém, é preciso estar atento ao tipo de estratégia dos fundos. Fundos indexados ao IPCA, ou seja, à inflação, e prefixados tendem a apresentar melhores resultados aos investidores diante um ciclo de queda de juros, um consenso do mercado para o próximo ano.
Depois de uma sequência de resultados positivos, colecionados desde 2024, o desempenho dos fundos de debêntures incentivadas ficou aquém da expectativa dos investidores em outubro.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
Ulisses Nehmi, CEO da Sparta, observa que o ritmo de captação tornou-se ainda mais intenso com a publicação da Medida Provisória 1.303, em junho. A intenção do governo, ao publicar a MP 1.303, era tributar com alíquota de 5%, a partir de 2026, investimentos em ativos isentos até então. É o caso das debêntures de infraestrutura, mas a MP manteria isentos os investimentos feitos em fundos até 31/12/2025. A partir da publicação da MP, a busca do investidor pessoa física escalou.
Com a captação forte, o spread de crédito começou a ficar comprimido. Na prática, isso significa que os juros pagos pelas debêntures incentivadas diminuíram muito. Com a alta demanda, o poder de barganha dos emissores aumenta e eles oferecem prêmios menores em relação aos títulos públicos. “O spread nos primeiros cinco meses do ano estava estável. De junho para frente, com essa aceleração da captação, os spreads começaram a comprimir mais”, diz Nehmi.
Em outubro a captação líquida dos fundos de debêntures de infraestrutura começou a desacelerar. Na análise dos gestores, os spreads começaram a apresentar uma abertura suficiente para que a maioria dos fundos hedgeados entregasse retorno abaixo do CDI.
Outra gestora que fechou a captação dos fundos de debêntures incentivadas que buscam superar o CDI foi a ARX. Pierre Jadoul, diretor-executivo e gestor responsável pela estratégia de crédito privado da ARX Investimento, diz que a maior parte do fluxo voltado aos fundos de CDI nos últimos meses está ancorada na rentabilidade dos últimos dois anos. “Os fundos hedgeados, não apenas os nossos, tiveram uma performance espetacular nos últimos 24 meses. Daqui para frente, isso não será mais replicável. O patamar atual de spreads é um patamar bem justo.”
Para Leonardo Ono, gestor de crédito privado da Legacy Capital, em um cenário de mais incerteza com a eleição presidencial em 2026, o investidor tende a ficar mais comedido em relação a tomar mais risco. “O ritmo do ciclo de queda da Selic durante 2026 deve ser mais lento”, diz.
VÁ ALÉM DA MANCHETE
O setor ferroviário é complexo e as notícias do dia a dia são apenas a ponta do iceberg. Para entender o cenário completo, é preciso de contexto e a visão de quem cobre o setor desde 1940.
A cada edição, a Revista Ferroviária traz reportagens aprofundadas, estudos de mercado e entrevistas exclusivas sobre os temas que realmente importam: de novos VLTs e projetos privados a desafios de manutenção, o futuro da tecnologia e muito mais.
Seja o primeiro a comentar