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Testamos o novo trem do Aeroporto de Guarulhos – é mais rápido ir de transporte público ou de carro?

Estadão – Após dois anos de atraso, o trem gratuito com trajeto de 6 minutos até o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos (SP), está perto de operar. Semelhante a um metrô, mas com apenas dois vagões pequenos, o AeroGRU vai ligar os terminais 1, 2 e 3 à Estação Aeroporto-Guarulhos, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O Estadão testou o trajeto e comparou o percurso de carro com o de transporte público.

A reportagem partiu do mesmo ponto e no mesmo horário: a Estação Palmeiras-Barra Funda, às 15h38 da quinta-feira, 8 de janeiro. O destino? O Terminal 3 de Cumbica. Uma equipe fez o trajeto sobre trilhos, utilizando o Expresso Aeroporto e depois o novo trem, ainda em fase final de testes. A outra foi de carro pela Marginal Tietê e depois pela Rodovia Presidente Dutra.

Percurso de trem, usando o novo AeroGRU

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O AeroGRU está previsto para inaugurar no primeiro semestre de 2026. Atualmente, ele funciona apenas para funcionários do aeroporto.

Para chegar até o transporte, é preciso ir até a Estação Aeroporto-Guarulhos da CPTM. Para isso, é possível embarcar no Expresso Aeroporto na Barra Funda (zona oeste) ou na Luz (região central). O trem circula das 5h à meia-noite, com saídas de hora em hora (às 5h, 6h, 7h e assim por diante). Há ainda um trajeto alternativo (veja no infográfico abaixo). A passagem da CPTM custa R$ 5,70.

Na Barra Funda, a viagem sai pontualmente da plataforma 10. Para acessar o serviço, é necessário virar à direita após as catracas e seguir até a última escada rolante, próximo ao terminal rodoviário. Há placas sinalizando o caminho com os dizeres “Aeroporto Guarulhos”.

Como você tem de pegar a CPTM (e não o metrô), fica fácil seguir para o lado direito da plataforma. Por ali, chega-se a uma plataforma, na qual um trem vermelho e cinza, de portas abertas, espera os passageiros. Eram 15h41 quando a reportagem entrou no vagão na Barra Funda. Às 16h em ponto, ele fechou as portas e partiu.

Já na Estação da Luz, o embarque é pela plataforma 5, na parte histórica da estação. O acesso é feito pelo corredor subterrâneo, passando pelas linhas 1-Azul e 4-Amarela. O expresso utiliza a mesma plataforma que a Linha 11-Coral. Atenção para não embarcar no trem errado (sentido Estudantes), embora o caminho seja sinalizado.

O tempo de portas abertas tanto na Luz quanto na estação Guarulhos-Cecap (a terceira e penúltima parada) é breve, de alguns segundos, como uma parada regular do metrô ou do trem. Caso o viajante vá usar malas grandes ou tenha dificuldade de locomoção, o embarque na Barra Funda pode ser mais simples, por ter entrada menor de passageiros.

Após entrar no expresso, siga até o final da linha, na Estação Aeroporto-Guarulhos. Chegando lá, é necessário sair pelas catracas e virar imediatamente à direita para acessar o AeroGRU, o trem que irá levar o passageiro até os terminais. Não é preciso descer escadas nem pagar nova passagem.

Ainda não há placas sinalizando onde tomar o AeroGru, o que causa um pouco de confusão. Na plataforma de desembarque, a única opção é uma escada rolante para o nível inferior. A reportagem só encontrou a plataforma após pedir informação a um funcionário. Ela fica logo acima do espaço onde hoje os passageiros pegam o ônibus para seguir para os terminais. Também não havia placa para esses ônibus.

O AeroGRU opera parcialmente em caráter de testes, restrito a trabalhadores do aeroporto e de companhias aéreas, mediante apresentação de crachá. O transporte funciona hoje das 17h30 à meia-noite, com apenas um trem em teste e intervalos de 20 minutos. O percurso completo (da estação até o Terminal 3) leva cerca de 10 minutos.

A promessa é de que o trajeto leve apenas 6 minutos quando o sistema estiver 100% em funcionamento, com dois trens simultâneos. Antes disso, porém, a operação deve abrir para o público geral ainda em horário restrito e com viagens mais demoradas.

A inauguração do AeroGRU ainda não tem data confirmada. Segundo o consórcio AeroGRU, responsável pela obra e futura operação, a abertura ao público geral será nos primeiros meses de 2026. “Estamos no rito final de entrega. Não deve passar de três, quatro meses”, afirmou ao Estadão Eduardo Chrysostomo, diretor de operações do consórcio.

Moradora de Jundiaí, Carolina Oliveira, de 25 anos, prefere o transporte público para ir ao aeroporto, embora seja mais complicado o caminho com malas. “Tem melhor custo-benefício, apesar da demora”, conta, enquanto se dirigia ao aeroporto, rumo ao Chile. “Sai mais barato vir de trem e deixa bem na frente do aeroporto. Acaba compensando.”

De Osasco, Edmilson de Souza, 55 anos, também prefere o trem, após um trauma. “A decolagem era às 21h40. Saí de casa às 17h45, mas por conta de um acidente na Marginal perto da Portuguesa, perdi o voo. Precisei pagar mais R$ 1 mil para viajar no outro dia”, relembra. “Nunca mais arrisco.”

AeroGRU

O trem de Cumbica será o segundo sistema de transporte a utilizar a tecnologia do Automated People Mover (APM) no Brasil. O modelo é comum em aeroportos internacionais — como os de Paris, Madri, Londres, Orlando e Miami.

No Brasil, o primeiro foi em Porto Alegre, inaugurado em 2013 no Aeroporto Salgado Filho. O transporte, porém, está suspenso desde as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, ainda sem data para retomada.

Diferentemente de outros people movers, o aeromóvel brasileiro é movido a ar, a propulsão pneumática, e conta com a certificação SIL 4. Segundo a concessionária AeroGRU, é uma tecnologia criada e patenteada 100% por brasileiros.

Os vagões são leves porque não têm motores e se movimentam pelo empuxo do ar que circula em dutos sob os trilhos. A tecnologia imita os barcos à vela, mas com vento artificial. O ar, empurrado por ventiladores potentes, faz com que os vagões se desloquem pelos trilhos. Isso, no entanto, torna a experiência barulhenta.

O ruído forte de vento assusta um pouco o passageiro que anda pela primeira vez. O som é acentuado pelo silêncio durante as paradas para embarque. O vagão é menor e conta com poucos assentos.

O aeromóvel tem capacidade para transportar até 200 pessoas. Já um metrô convencional na Grande São Paulo embarca até 1,6 mil por trem. Um ônibus, no entanto, consegue carregar no máximo 170 passageiros em seu maior modelo, o superarticulado. Com seus dois trens, a previsão é transportar até 2 mil passageiros por hora em cada sentido.

Como o serviço está disponível apenas para funcionários, o trem atualmente não lota. Mesmo às 18h, sobravam assentos livres. Contudo, no mesmo horário, havia movimento intenso de passageiros utilizando os atuais ônibus que fazem o transporte gratuito até os terminais — percurso que leva 20 minutos da CPTM ao Terminal 3. Muitos viajantes nos ônibus carregavam malas de despache, de 23 kg.

Cada veículo do AeroGru tem 25 metros de comprimento, com 12,5 m cada vagão. Segundo a concessionária, a capacidade de 200 pessoas já considera que cada usuário estaria com duas malas de 23 kg.

Assim como na Linha 4-Amarela do Metrô, o aeromóvel é automatizado, com direção remota via sala de controle, sem necessidade de um condutor no local. Também terá ar-condicionado e wi-fi. O custo total do projeto é estimado em R$ 310 milhões, dividido entre governo federal e iniciativa privada.

Durante as três viagens acompanhadas pelo Estadão, houve interrupções momentâneas no percurso, de poucos minutos. Segundo a concessionária, foram falhas pontuais nos sensores das rodas.

Percurso de carro

Às 15h38, o carro da reportagem saiu da Estação Barra Funda. A previsão de chegada dos aplicativos de transporte era às 16h27 no Terminal 3. Um percurso de 49 minutos para cruzar 28 quilômetros, usando a Marginal Tietê e a Dutra.

É importante sinalizar que o teste ocorreu no início de janeiro, período de férias escolares. O trânsito, portanto, fica abaixo da média na capital.

Nesse horário, o preço de uma corrida de aplicativo oscilava entre R$ 50 e R$ 190, dependendo da categoria. Já o custo do transporte público (trem) é fixo: R$ 5,70. O aeromóvel é gratuito.

No percurso até o terminal, passando pela Dutra, é possível ver o trajeto do Expresso Aeroporto. A estrada passa pelas estações Guarulhos-Cecap e Aeroporto-Guarulhos.

Às 16h05, começou a chover, primeiro uma leve garoa que logo se intensificou. O temporal causou congestionamento na Marginal e na Dutra, e a previsão de chegada saltou para as 17h05. Com a melhora do clima, o trânsito fluiu, e a reportagem chegou ao Terminal 3 às 16h54.

Quem chegou primeiro?

A equipe que foi de transporte público chegou ao Terminal 3 às 16h49. O trajeto levou 1h11. Já o caminho de carro durou 1h16. Mesmo com o tempo de espera do trem e o trânsito menor em janeiro, os trilhos venceram.

Fonte: https://www.estadao.com.br/sao-paulo/testamos-o-novo-trem-do-aeroporto-de-guarulhos-e-mais-rapido-ir-de-transporte-publico-ou-de-carro/

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