O Globo – Uma empresa alemã especializada em engenharia de túneis concluiu que é “tecnicamente viável” a construção de um túnel submarino ligando a Espanha ao Marrocos, projeto orçado em £ 7,4 bilhões (cerca de R$ 53,3 bilhões) e discutido há mais de quatro décadas. A avaliação representa um avanço relevante em uma das iniciativas de infraestrutura mais ambiciosas do mundo, que pretende conectar, por via férrea, a Europa e a África sob o Estreito de Gibraltar.
O estudo foi elaborado pela Herrenknecht, grupo alemão referência internacional em perfuração de grandes túneis, a pedido da Sociedade Espanhola de Estudos para a Comunicação Fixa através do Estreito de Gibraltar. Segundo reportaram os jornais britânicos Express e The Sun, o parecer técnico indica que, apesar dos desafios geológicos e oceanográficos da região, a obra pode ser executada com a tecnologia atualmente disponível.
O traçado proposto prevê um túnel de cerca de 38 quilômetros, ligando Punta Paloma, no sul da região espanhola de Cádiz, a Malabata, nas proximidades de Tânger, no norte do Marrocos. Caso saia do papel, a ligação permitiria reduzir de forma drástica o tempo de deslocamento entre os dois continentes: a viagem entre Madri e Casablanca, hoje feita em aproximadamente 12 horas por carro e balsa, poderia cair para cerca de cinco horas e meia em trens de alta capacidade.
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A expectativa é que mais de 12 milhões de passageiros por ano utilizem a conexão, além do transporte de cargas, o que tende a baratear custos logísticos e ampliar a integração econômica entre Europa e África. O projeto se inspira em obras como o Eurotúnel, entre Inglaterra e França, e a ligação fixa entre Dinamarca e Suécia, mas enfrenta obstáculos muito mais complexos.
O Estreito de Gibraltar atinge profundidades de até 300 metros, cerca de quatro vezes mais do que o Canal da Mancha, além de apresentar fortes correntes marítimas, ventos intensos e a presença de placas tectônicas ativas, com registro frequente de pequenos tremores. Esses fatores sempre foram apontados como os principais entraves técnicos desde que Espanha e Marrocos criaram, em 1979, uma comissão binacional para estudar a viabilidade da travessia.
Com o novo parecer técnico em mãos, o governo espanhol avalia os próximos passos do projeto. De acordo com informações divulgadas pela imprensa britânica, um plano preliminar de engenharia pode ser submetido à aprovação oficial já no próximo ano, reacendendo a possibilidade de que a ligação física entre Europa e África deixe, finalmente, o campo das ideias para entrar na fase de execução.
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