Valor Econômico – A Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, deixará de indicar presidente ao conselho da Vale na assembleia de acionistas de 2027 e vai apoiar ao cargo o candidato independente que melhor atenda à governança da companhia, disse, ao Valor, Adriana Chagastelles, diretora de participações da fundação previdenciária. O fundo deverá fazer um comunicado ao mercado reforçando essa mensagem.
Com isso, busca mostrar que o movimento para destituir o atual presidente do conselho da Vale, Daniel Stieler, pedido pela fundação em 11 de junho, não sofre influência política do governo.
Chagastelles disse que a mudança pretendida pela Previ, com a saída de Stieler, é saudável para a governança da Vale neste momento, passados cinco anos desde que Stieler foi eleito pela primeira vez ao colegiado da mineradora, indicado pela própria Previ. A executiva afirmou que a decisão não sofre qualquer influência política do governo.
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“A Previ, enquanto investidora, monitora permanentemente os ativos e identifica movimentos necessários para criação de valor. A eventual submissão aos demais acionistas da Vale sobre a substituição do presidente do CA é parte de um processo natural de renovação do colegiado, em linha com a independência e robustez institucional.”
Segundo Chagastelles, o momento para a troca do presidente do conselho da Vale é oportuno, tendo em vista que o “chairman” coordena o comitê de indicação responsável por conduzir o processo de seleção dos candidatos a serem apresentados à Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária da empresa (AGOE) de abril de 2027. A nove meses da assembleia, as articulações já estão em curso nos bastidores.
Na AGOE do ano que vem, será eleito o conselho que vai conduzir os rumos da companhia no período 2027-2029. O pedido de destituição de Stieler tornou-se tema de divergência no conselho de administração da Vale. O assunto será deliberado por investidores da mineradora em uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) marcada para 22 de julho.
A Previ indicou o ex-presidente da fundação José Maurício Pereira Coelho para substituir Stieler no conselho caso o executivo venha a ser destituído na assembleia. Coelho presidiu o conselho da Vale no período posterior à tragédia de Brumadinho (MG), em 2019, e teve entre as medidas implementadas no seu mandato a revisão de toda a estrutura de gestão de riscos da companhia.
Na assembleia de 2021, apesar de a Previ ter votos e apoio suficientes para eleger novamente Coelho presidente, a fundação apoiou e ajudou a eleger José Luciano Duarte Penido como primeiro chairman independente da Vale.
Até então, desde a privatização da companhia, em 1997, a Previ exercia a presidência do conselho da Vale, o principal ativo do plano 1, o maior e mais antigo da fundação.
Em 2024, Penido deixou o conselho da Vale e fez uma carta pública denunciando tentativas de intervenção política no processo de sucessão para CEO da mineradora. Tempos depois, pressionado, voltou atrás dizendo que não tinha provas.
Agora, Coelho deve enfrentar Ieda Gomes Yell pela vaga no conselho, caso Stieler seja destituído na AGE. Nas últimas horas, surgiram versões de partes envolvidas no tema segundo as quais, ao lançar Coelho, a Previ estaria preparando o terreno para fazê-lo presidente do conselho em 2027, o que a fundação diz não ter fundamento.
O próprio Coelho já teria dito que não tem interesse na vaga de “chairman” da Vale que, embora pague muito bem (cerca de R$ 3,5 milhões por ano), exige dedicação exclusiva. Coelho foi chefe da atual presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, em um período no banco estatal.
Ainda segundo uma das versões que circulam no mercado por partes interessadas no processo, o candidato apoiado pela Previ para a presidência do conselho da Vale no lugar de Stieler, o português Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie” e atual conselheiro da mineradora, teria interesse de deixar o colegiado e não ser reconduzido em 2027. Essa decisão encurtaria o caminho para Coelho assumir novamente a presidência do CA, o que a Previ nega que seja verdade.
Quem vai disputar a vaga de “chairman” da Vale com “Ollie” na AGE do dia 22 de julho é o atual vice-presidente do conselho, o advogado Marcelo Gasparino.
Com a declaração de que vai apoiar um candidato independente ao conselho da Vale em 2027, a Previ também procura refutar a hipótese de que “Ollie” seja uma transição para Coelho.
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