A grande
safra de grãos do ano passado fez bem para a indústria ferroviária, o que
poderá ocorrer também neste ano, uma vez que o país voltará a obter mais uma
boa produção nas lavouras.
Em 2017, as
ferrovias movimentaram 30 milhões de toneladas de soja para os portos, 32% mais
do que em 2016.
O movimento
com milho teve uma aceleração ainda maior, com evolução de 75% no ano. Passaram
pelos vagões dos trens 18 milhões de toneladas do cereal.
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O movimento
na indústria ferroviária acompanha a boa evolução da produção brasileira de
grãos, que atingiu patamar recorde de 240 milhões de toneladas em 2017. A
produção de soja somou 114 milhões de toneladas e a de milho beirou os 100
milhões.
Para
Fernando Paes, secretário-executivo da ANTF (Associação Nacional dos
Transportadores Ferroviários), há uma coincidência entre a boa safra agrícola e
um aumento de capacidade de transporte da malha ferroviária nos últimos anos.
O ganho na
capacidade de transporte das empresas ferroviárias no país ocorre devido a
duplicações, obras de contornos e investimentos em tecnologia, segundo o
diretor-executivo da associação.
“Uma mesma
composição hoje pode rodar com um número maior de vagões, ganhando capacidade.
Além disso, algumas empresas reduziram o intervalo entre as viagens dos trens”,
afirma o diretor-executivo.
Paes estima,
porém, que o setor poderá ter dificuldades em acompanhar a demanda da
agricultura nos próximos anos. Dados do Ministério da Agricultura indicam que o
país poderá atingir 300 milhões de toneladas de grãos em uma década.
As
ferrovias, para manter investimentos de longo prazo e acompanhar o setor
agrícola, precisariam de uma prorrogação antecipada das concessões. Algumas
começam a vencer em 2026, segundo o diretor da ANTF.
O volume de
grãos transportado pelas ferrovias na última década mostra que a agricultura
avançou por novas regiões e criou demanda específica para o transporte
ferroviário.
Em 2007, o
porto de Paranaguá (PR) embarcava 22% da soja que saía do Brasil, um volume
próximo do do porto de Santos (SP). Em 2017, a participação de Paranaguá foi de
10%, e a do porto santista, de 44%.
O porto de
Itaqui (MA), que participava com apenas 7% dos embarques de soja em 2007, tem
atualmente 14%.
Santos é
líder em exportações de grãos transportados por ferrovias, abocanhando 68% do
volume do país. Itaqui vem a seguir, com 9%.
MAIS
AGRONEGÓCIO
Além de soja
e de milho, o açúcar também tem importância na malha ferroviária. No ano
passado, foram transportados 14 milhões de toneladas de açúcar, um volume 2%
inferior ao de 2016. A evolução média anual de 2006 a 2017, porém, é de 10%,
segundo dados da ANTF.
O maior
movimento nas ferrovias brasileiras é o de minério de ferro, que chegou a 416
milhões de toneladas em 2017, com evolução de 5% em relação a 2016.
De 1997 a
2017, o setor ferroviário investiu R$ 92 bilhões, conforme valores corrigidos
pela IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE.
Etanol de
milho
A produção
de etanol de milho deverá atingir 830 milhões de litros neste ano no Brasil,
58% mais do que em 2017, conforme estimativa da consultoria Datagro.
Moagem
Em 2021, a
produção deverá atingir 3 bilhões de litros, com a utilização de 7,1 milhões de
toneladas do cereal. Os dados levam em consideram os projetos já em andamento e
os que estão para ser instalados.
Menos
favorável
As carnes
exportadas pelo Brasil estão com um cenário de preços pior do que o de há um
ano. Os três tipos de proteína
—bovina,
suína e de frango— estão com redução nos valores externos de negociações.
Suína cai
mais
A tonelada
de carne suína recuou para US$ 2.109 neste mês, com queda de 16% em relação a
março de 2017. As carnes bovina e de frango recuaram menos: 4% e 9%.
Volume maior
O maior
volume exportado de carne bovina está compensando a queda nos preços externos.
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