O presidente da República, Michel Temer (PMDB), solicitou ao
vice-presidente afastado da Caixa Econômica Federal, Roberto Derziê, que
ajudasse o governador Pedro Taques (PSDB) a retomar a obra do VLT (Veículo Leve
sobre Trilhos) em Cuiabá e Várzea Grande. A informação consta em reportagem do
jornal Estadão.
A reportagem trata da investigação que culminou com
afastamento de Roberto Derziê e outros
três vice-presidentes da Caixa Econômica. A investigação aponta o
vice-presidente afastado da CEF como pessoa próxima a Temer e outras lideranças
do PMDB, como Geddel Vieira Lima e Moreira Franco.
Na reportagem, Derziê afirma que esteve no Palácio do
Jaburu, residência oficial do vice-presidente da República, por algumas vezes
para tratar de liberação de emendas parlamentares. Numa dessas reuniões, o
peemedebista pediu apoio para a liberação de recursos para as obras.
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Segundo o executivo da Caixa, ele avisou Taques sobre a
inviabilidade da operação, uma vez que o Estado não tinha garantias a oferecer.
AFASTAMENTOS
Temer determinou que a Caixa afastasse quatro VPs, entre
eles Derziê, na terça-feira, 16. A ordem foi dada após divulgação da
recomendação do Banco Central pelo afastamento e do ofício dos procuradores da
Greenfield à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, endereçado ao
presidente Temer. No documento, os investigadores alertavam que Temer poderia
ser responsabilizado por futuros crimes cometidos pelos VPs da Caixa a partir
do dia 26 de fevereiro, prazo final dado pelo MPF para que o Planalto
afastasses os executivos.
Tanto a recomendação do BC como o ofício dos procuradores da
Greenfield se baseiam no relatório produzido pelo Pinheiro Neto. O documento
afirma que foram encontrados “documentos que podem indicar, pelo menos, o
atendimento de pedidos ou o fornecimento de informações de operações em trâmite
na CEF, por parte de Roberto Derziê de Sant’Anna, a Moreira Franco e a Michel
Temer”;
Sobre a relação de Derziê com Temer aventada por matérias jornalísticas,
diz o relatório, “aparentemente, essa informação pode ter algum grau de
veracidade, considerando a relação de Roberto Derziê de Sant’Anna com Moreira
Franco” e o fato dele “ter sido convidado para ser Secretário Executivo de
Relações Institucionais da Presidência da República quando o Presidente Michel
Temer assumiu o governo”.
O Estado mostrou que a investigação contratada pela Caixa
detectou casos de influência política no banco em ao menos quatro
vice-presidências. O vice-presidente de Operações Corporativas Roberto Derziê
de Sant’Anna também aparece na investigação interna por conta da citação de
Joesley Batista, em seu acordo de colaboração, de que ele estaria envolvido no
“recebimento de pagamentos indevidos”.
Segundo o pedido de afastamento do MPF, troca de mensagens
entre Cunha e Geddel apontam Derziê como intermediador de interesses de Henrique
Constantino, dono do grupo Gol, na Caixa. Sobre suas relações políticas, o MPF
cita sua proximidade com o ministro da Secretaria de Governo, Moreira Franco. O
ministro de Michel Temer teria solicitado, diz o MPF, “informações relativas a
status de operações em trâmite na CEF”.
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