Novas estimativas divulgadas ontem pela Companhia Nacional
de Abastecimento (Conab) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) confirmaram que a colheita de grãos do país nesta safra 2017/18 será
menor que no ciclo passado, em virtude de condições climáticas menos
favoráveis. Mas será a segunda maior da história.
Em seu segundo relatório sobre a atual temporada, que está
em fase de plantio, a Conab reduziu sua estimativa para a produção total de
grãos do país para o intervalo entre 223,3 milhões e 227,54 milhões de
toneladas. No levantamento divulgado no mês passado, a variação era de 224,1
milhões a 228,2 milhões de toneladas. Em 2016/17, o volume alcançou o recorde
histórico de 238 milhões de toneladas.
Segundo a estatal, a área plantada total vai atingir entre
60,9 milhões e 62,1 milhões de hectares – foram 60,9 milhões em 2016/17 -, mas
a produtividade média das lavouras vai recuar até 6,2% em virtude do clima. Mas
a situação já melhorou em relação ao cenário do início do plantio, em setembro,
quando as chuvas irregulares prejudicaram os trabalhos , sobretudo a semeadura
de soja em grão, carro-chefe da produção nacional.
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“O clima, que impactou muito o plantio em setembro,
normalizou em outubro e já caminhamos para uma situação mais estável. Mas tudo
dentro da janela de plantio”, afirmou o superintendente de Informações do
Agronegócio da Conab, Aroldo Oliveira.
O IBGE, por sua vez, divulgou ontem suas primeiras
estimativas para o ciclo em curso e calculou que a redução será de 8,9%, para
220,2 milhões de toneladas, também por causa dos problemas na fase inicial de
semeadura.
“O retrato que temos agora é que a safra não é tão boa
quanto a 2017 [2016/17] e nem tão ruim quanto a 2016 [2015/16]. Mas é
importante lembrar que o primeiro prognóstico da safra de 2017 era de 209
milhões de toneladas, e o volume depois foi sendo revisado para cima. Estamos
partindo de uma projeção mais otimista. A questão é como será o clima daqui
para frente”, afirmou Carlos Antonio Barradas, gerente na Coordenação de
Agropecuária do IBGE.
Para a soja, a Conab ajustou sua estimativa de colheita em
2017/18 para entre 106,4 milhões e 108,6 milhões de toneladas. Na pior das
hipóteses, a queda será de 6,7%. Mas a situação é pior para o milho. Para a
primeira safra do cereal, que está sendo plantada agora, a estimativa da
estatal é de produção entre 91,6 milhões e 93,1 milhões de toneladas, até 6,3%
menos que no ciclo passado. Para esse encolhimento, além da menor produtividade
também pesa a redução da área plantada – calculada em até 11,5% -, boa parte
dela transferida para a soja.
Para a segunda safra, que nos últimos anos se firmou como a
principal, a Conab ainda projeta colheita de 67,2 milhões de toneladas,
praticamente o mesmo patamar de 2016/17, mas ainda é cedo para um levantamento
mais apurado sobre as intenções de plantio, que só começará em janeiro, em
áreas que neste momento estão sendo ocupadas por lavouras de soja. E, como o
plantio de soja atrasou, principalmente em Mato Grosso, que lidera a produção
brasileira, a de milho safrinha também poderá ser prejudicada.
Além de encabeçarem a colheita de grãos, soja e milho também
estão entre os produtos do agronegócio mais exportados pelo país.
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