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Governo descarta retomada neste trimestre e reduz expectativa do PIB

Além de jogar a toalha sobre a volta do crescimento no final
deste ano, a equipe econômica do governo Temer já reduziu também sua previsão
em relação a 2017. Agora, o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) trabalha com
uma alta do PIB na casa de 1% no próximo ano, ante a previsão oficial anterior
de 1,6%.

A projeção pode ficar ainda mais negativa depois da vitória
de Donald Trump. Segundo assessores presidenciais, o governo do republicano é
uma incógnita e pode gerar turbulências nos mercados mundiais, afetando o ritmo
da economia no Brasil.

A alta do dólar nesta quinta-feira (10), acima de 4%, foi
vista como um alerta do que pode ocorrer daqui para a frente, podendo tornar
ainda mais difícil, segundo assessores, a tarefa do governo de recuperar o
crescimento.

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Daí que a ordem agora é tentar reverter esse cenário.
Segundo a Folha apurou, a equipe de Temer prepara a segunda etapa de sua
política econômica, a ser lançada no início do próximo ano, com foco em
reformas microeconômicas, para fazer a economia voltar a andar com medidas no
campo da produtividade e competitividade.

O governo já fechou uma parceria com o Banco Mundial para
elaborar um conjunto de ações em setores como energia e transporte.

CRÉDITO

Segundo um auxiliar de Temer, a economia está num ritmo mais
lento que o esperado neste fim de ano por causa do fraco desempenho do crédito.

Com isso, o governo já não conta mais com uma recuperação da
economia neste quarto trimestre e acredita que a melhora do ritmo só acontecerá
em 2017.

Essa frustração já fez também a equipe econômica alterar
suas previsões para o ano que vem. Meirelles já fala num crescimento menos
“exuberante”, próximo de 1%. O mercado chegou a falar até em 2% de
alta do PIB em 2017. E agora surgiu o fator Trump, podendo gerar mais dúvidas.

Para evitar um 2017 ruim, a equipe econômica vai focar mais
ações voltadas para “pôr a economia para funcionar”, passada a fase
de votação e apresentação de medidas fiscais, como o teto de gastos e a reforma
da Previdência.

Em outras palavras, o governo deixará de mirar apenas o
ajuste fiscal e vai elaborar medidas para acelerar o crescimento e o
investimento. A ideia é reduzir principalmente o custo de energia e de
transporte dentro do país.

O Planalto conta ainda com as mudanças nas regras de
exploração do pré-sal e com a volta dos leilões de concessões de aeroportos,
rodovias, ferrovias e portos. Também aposta na continuidade da redução dos
juros.

Em outubro, o Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25
ponto percentual, para 14% ao ano.

Leia também:

Estender as concessões é a saída

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