O governo da Bolívia espera normalizar suas relações com o
Brasil para levar adiante sua proposta de um trem bioceânico que atravesse os
dois países e o Peru, informou nesta quinta-feira o presidente Evo Morales.
Os dois governos chamaram para consultas seus respectivos
embaixadores, após o impeachment de Dilma Rousseff.
“Esperamos retomar as relações com o novo presidente do
Brasil para garantir o trem bioceânico da integração”, disse Morales
durante um ato em que condecorou o chanceler chinês, Wang Yi, em visita oficial
a La Paz.
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O presidente boliviano, que expressou oposição à destituição
de Dilma, chamou seu embaixador no Brasil, José Kinn, para consultas, mas
diplomata voltará ao cargo em Brasília, segundo fontes oficiais.
O governo do esquerdista Morales pretende, além da
aproximação com o governo Temer, chegar a um entendimento com o Peru a fim de
fazer avançar a via férrea.
Assim, aproveitará a reunião com seu colega peruano, Pedro
Pablo Kuczynski, em 4 de novembro na cidade de Sucre (sudeste), para analisar
projetos de integração, entre os quais o referido trem.
“O trem bioceânico Brasil-Bolívia-Peru garante o
comércio de seis países da América do Sul”, disse o presidente boliviano,
assegurando que também beneficiará Argentina, Paraguai e Uruguai, que poderão
utilizar a hidrovia Paraná-Paraguai para conectarem-se com o trem.
Morales disse que conversou sobre o tema em La Paz com o
chanceler chinês, que teria se mostrado disposto a colaborar com o projeto de
um trem que ligue os oceanos Pacífico e Atlântico.
Essa ideia é paralela ao desejo de Lima e Brasília de
impulsionar um projeto parecido, excluindo o território boliviano, enquanto
Pequim manifestou sua disposição de financiar a obra, que custaria, segundo
Morales, aproximadamente 60 bilhões de dólares.
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