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BCs temem efeitos da turbulência na China

As Bolsas de Valores da China voltaram a fechar ontem em forte queda (o Xangai Composto, principal índice de ações do país, recuou 5,3%), renovando o temor dos efeitos da desaceleração chinesa sobre a economia global. Esse impacto foi um dos principais assuntos discutidos pelos presidentes de bancos centrais de todo o mundo em reunião que terminou ontem em Basileia, na Suíça.

O diagnóstico da reunião foi claro: a mudança de rumo da China terá repercussões para todos. O encontro ocorreu na sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS) que, para permitir um fluxo “franco” de diálogo sobre a crise entre alguns dos atores mais poderosos da economia mundial, fechou o evento para a imprensa. Nenhum dos presentes, incluindo o presidente do BC brasileiro, Alexandre Tombini, deu entrevistas.

Mas, para os xerifes das finanças internacionais, a ameaça em relação à situação na China é a de que neutralize os primeiros sinais sustentáveis de crescimento registrados na Europa em quase dez anos. “Há dez anos, a China mudou o mapa da economia mundial. Agora, ela repete esse efeito. Mas de uma forma nada positiva”, disse, sob condição de anonimato, um dos economistas do BIS.

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Nas últimas semanas, a volatilidade nas bolsas chinesas gerou uma queda de US$ 2,5 trilhões nos mercados pelo planeta. Mas, para os BCs, são os fundamentos da economia chinesa e as transformações no desenvolvimento do país que passam por um teste. As previsões apontam que a economia chinesa deve crescer, em média, 6,1% por ano entre 2016 e 2020, bem abaixo da média de 9,8% entre 1998 e 2009.

Base industrial. Parte da explicação para o freio é estrutural. O crescimento a taxas elevadas e a explosão na demanda estavam ligados diretamente às necessidades de uma base industrial que começava a surgir. Mas também estava ligado à construção de milhões de unidades de casas, carros e bens para milhões de chineses que, em 30 anos, deixaram o campo em direção às cidades. Do zinco ao cobre, de contêineres a guindastes, tudo faltava na China e a importação mudou a rota do comércio global.

Mas, hoje, esse êxodo rural perdeu força, a mão de obra encareceu e a indústria chinesa atingiu um certo nível de maturidade que impede saltos de crescimento como na década passada. Se o consumo continua e a China segue entre as maiores importadoras do mundo, a taxa de expansão não é a mesma.

O impacto, portanto, tem sido sentido tanto no mercado de ações como no chão das fábricas e no balanço fiscal de dezenas de governos, que passaram a ter o consumidor chinês como seu instrumento de financiamento.

Hoje, de projetos ferroviários no interior da África a produtores agrícolas no Brasil, Austrália ou Canadá, o novo cenário já deixa um rastro de crise.

O S&P GSCI, maior índice de commodities no mercado de ações, caiu 32,5% em 2015 e, segundo os analistas, o tombo está diretamente relacionado com a China. O que deixa analistas preocupados é que o ano passado foi o terceiro consecutivo de perdas. No total, a queda já soma 55%. Em dezembro, o índice estava em seu ponto mais baixo em 16 anos, 80,5% inferior ao patamar de seu momento mais alto, em 2007.

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