A projeção do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) é que as vendas de aços planos da rede associada caia 17,3% no primeiro trimestre em relação a igual período do ano passado, para cerca de 737 mil toneladas. A previsão é mais amena considerando o que ocorreu com a siderurgia no país até agora. No primeiro bimestre, o consumo aparente – vendas das usinas mais importações – recuou 35,8% na comparação anual, para 1,2 milhão de toneladas. “Esses números são acachapantes”, disse Carlos Loureiro, presidente do Inda.
Nessa conta, as importações têm papel importante. Isso porque o peso dos importados no consumo de aços planos ficou em apenas 4,2% em fevereiro, ante 15,7% no acumulado de 2015. No mês, as importações foram de 24,3 mil toneladas e no mesmo período do ano passado, 177 mil toneladas – retração de 86,3%.
“A concorrência externa não existe hoje”, diz Loureiro. “Hoje nenhum importador acredita no dólar a R$ 3,60”, acrescenta, ao explicar por que eles aguardam que o aço comprado no exterior fique ainda mais caro. Para ele, o nível mais baixo de importações deve se manter por quatro a cinco meses.
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Do lado das usinas nacionais, contudo, abre-se uma grande janela para elevar preço, segundo o presidente do instituto. Para ele, a conjuntura nunca foi tão propicia quanto agora para reajustes. Nas contas do executivo, atualmente a bobina a quente nacional é vendida a um desconto de aproximadamente 5% em relação à importada, o chamado “prêmio negativo”.
Ele disse que aguarda reajustes “nos próximos dias” da Arcelor Mittal Tubarão, que deve ser seguido também pela área de aços planos da Gerdau. A Usiminas confirmou reajuste de preços nos seus produtos de 10% a 11% para os distribuidores a partir de 1º de abril. “A rede associada não gostou do anúncio porque mostra divergência em relação à indústria, ue ainda não teve aumento. Mas não demora muito a passar para a indústria também”, afirmou Loureiro.
De acordo com a siderúrgica mineira, um possível aumento a clientes industriais será discutido caso a caso. A negociação ainda será diferente com consumidores que possuem contratos de longo prazo, como o setor automotivo. Procurada, a Arcelor Mittal Tubarão informou que não comenta sua política de preços.
Os dados do Inda mostram que em fevereiro a rede associada vendeu 242,9 mil toneladas, alta de 0,6% ante janeiro, mas queda de 11% em relação ao mesmo mês de 2015. As compras ficaram em 224,9 mil toneladas, recuos de 7,9% e 21,1%, respectivamente. Para março, a projeção é de alta em 4% tanto para compras, como para vendas, na comparação mês a mês.
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