33ª Edição · Prêmio Revista Ferroviária
Vote no Prêmio RF 2026!
Faça parte do Colégio Eleitoral
Clique e Cadastre-se
revistaferroviaria.com.br

Uma safra para animar a economia

Com a perspectiva de que o clima será mais favorável que no
ciclo 2015/16, bastante prejudicado por intempéries em diferentes regiões, a
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê que a produção de grãos
finalmente vai superar a marca de 200 milhões de toneladas no Brasil nesta
safra 2016/17.

Divulgado ontem, o primeiro levantamento da autarquia
referente à atual temporada, que está em fase de plantio, indicou um volume
total entre 210,5 milhões e 214,8 milhões de toneladas, até 15,3% maior que o
da passada – que parou em 186,3 milhões, uma queda de 10,3% em relação a
2014/15. Conforme os cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), o volume colhido neste ano foi ainda mais magro: 183,9
milhões de toneladas.

Se confirmada, a previsão da Conab para 2016/17 representará
um novo recorde e vai colaborar para ampliar exportações, reduzir a pressão dos
alimentos sobre a inflação, recuperar as margens de empresas de carnes de
frango e suína e turbinar o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária no
primeiro semestre, quando se concentra a colheita.

As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.

Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.

Assinar agora

Em razão da quebra em 2015/16, o PIB da agropecuária
brasileira caiu 3,7% de janeiro a março e 3,1% no segundo trimestre deste ano,
segundo o IBGE. Alexandre Mendonça de Barros, economista da MB Agro – braço da
consultoria MB Associados -, está entre os que acreditam que, se a recuperação
da colheita de grãos se confirmar, o PIB da agropecuária poderá registrar altas
superiores a 5% no primeiro e no segundo trimestres de 2017, mesmo que a
pecuária amargue algum retrocesso.

Pesa nessa estimativa, que também inclui culturas perenes
como cana-de-açúcar, café e laranja, o fato de o intervalo previsto pela Conab
para a nova safra ser, inclusive, ligeiramente superior à projeção inicial para
2015/16, que oscilava de 210,3 milhões a 213,5 milhões.

“A recuperação também terá reflexos positivos sobre o
valor bruto da produção da agropecuária, até porque estamos exportando menos em
2016 pela falta de produto”, observou Alan Fabrício Malinski, assessor da
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Mesmo considerando uma
colheita total de 196 milhões de toneladas – esse número será revisto nos
próximos dias -, menos que a Conab, a consultoria MacroSector , com sede na
capital de São Paulo, projeta um aumento de 7% no VBP dos grãos no ano que vem,
para R$ 209,7 bilhões.

Apesar de o avanço projetado pela Conab derivar sobretudo da
expectativa de aumento da produtividade das culturas, para algumas delas, como
a soja, também deverá haver incremento de área plantada. No total, a Conab
prevê que as semeaduras das safras de verão e de inverno do ciclo 2016/17
ocuparão de 58,5 milhões a 59,7 milhões de hectares, até 2,3% mais que em
2015/16.

Do ponto de vista de volume, o destaque deverá ser a
recuperação do milho, o mais golpeado pela seca e pelo calor que marcaram polos
de produção do Centro-Norte do país em 2015/16. Conforme a Conab, a colheita de
verão (primeira safra) 2016/17 do cereal crescerá pela primeira vez em três
anos, embalada por preços mais atraentes.

Serão entre 26,3 milhões e 27,7 milhões de toneladas,
segundo a autarquia, até 7,3% mais que no ciclo anterior. No caso da segunda
safra, que começará a ser plantada apenas no começo do ano que vem, a Conab
repetiu a área de 2015/16 (10,53 milhões de hectares), mas projetou a colheita
em 56,1 milhões de toneladas, 37,3% mais na comparação.

Assim, a colheita total de milho deverá somar entre 82,34
milhões e 83,81 milhões de toneladas, aumento de até 25,7% sobre a temporada
passada. Essa projeção reverberou na bolsa de Chicago ontem: as cotações dos
contratos para março caíram quase 2%.

Já a produção de soja, carro-chefe do agronegócio
brasileiro, deverá atingir de 101,86 milhões a 104 milhões de toneladas, ante
95,4 milhões em 2015/16. A área com a oleaginosa pode crescer até 2,7%, a 34,1
milhões de hectares, enquanto a produtividade deve aumentar 6,1%.

“Mas a meteorologia está indicando, por enquanto, que
poderemos ter escassez de chuvas na segunda quinzena de outubro e que a
normalização poderá acontecer apenas na terceira semana de novembro. Se isso se
confirmar, poderemos ter transtornos”, afirmou Marcos da Rosa, presidente
da Aprosoja Brasil, entidade que representa produtores.

No que tange às exportações, a entrada de divisas deverá ser
bastante reforçada com o aumento expressivo nos embarques de soja e milho em
2016/17. Segundo a Conab, os embarques de soja totalizarão 57 milhões de
toneladas, alta de 5,4% sobre 20151/16. No caso do milho, o incremento poderá
chegar a 20%, para 24 milhões de toneladas. Mas as vendas externas de algodão
em pluma tendem a diminuir quase 10% na temporada 2016/17, para 670 mil
toneladas.

Para arroz e feijão, dois produtos básicos de grande
importância na mesa dos brasileiros – e “vilões da inflação”
principalmente no primeiro semestre deste ano, por causa de quebras de safra -,
as projeções também sinalizam colheitas mais robustas na temporada atual.

A de arroz poderá atingir até 12 milhões de toneladas, ante
as 10,6 milhões colhidas em 2015/16. Em relação ao feijão, a estimativa é de
produção de até 3,05 milhões de toneladas, o que representaria um aumento de
21,4% na comparação, em função da expansão da área e do aumento da
produtividade.

Para Neri Geller, secretário de Política Agrícola do
Ministério da Agricultura, essa expectativa de maior produção de arroz e feijão
indica que os preços desses itens podem recuar e pesar menos nos índices
inflacionários do país no ano que vem.

“Não tenho nenhuma dúvida de que os alimentos vão pesar
menos na inflação no ano que vem. A partir do momento em que entrar a safra,
automaticamente os preços do feijão e do arroz, por exemplo, vão cair – e cair
muito”.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*