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‘Road show’ na Ásia, Europa e EUA já está programado

Poucos dias após a apresentação dos projetos que serão
objeto de concessão à iniciativa privada, autoridades do governo vão embarcar
para o exterior em busca de investidores para os projetos. A comitiva contará
com o secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI),
Moreira Franco, além dos ministros Mauricio Quintella (Transportes) e Fernando
Coelho Filho (Minas e Energia).

Segundo apurou o Valor, o grupo viaja para a China já no
próximo sábado (17), e permanece no país asiático até o dia 21. Entre 13 e 15
de outubro haverá apresentações para investidores em Londres. Também estão
programadas reuniões na Índia, entre 16 e 18 de outubro, e no Japão, entre 18 e
20 de outubro.

Algumas agendas poderão coincidir com compromissos do
presidente Michel Temer. O presidente fez no início deste mês a sua primeira
viagem oficial, quando participou do encontro de cúpula do G-20, na China.
Temer foi acompanhado na viagem por um grupo de ministros que já começaram a
prospectar investimentos para o programa de concessões de infraestrutura.

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Foi nessa viagem que apareceram os investidores dispostos a
concluírem a Ferrovia Oeste Leste, cujas obras estão praticamente paradas.
Devido ao interesse, a obra foi incluída na relação de projetos anunciados
ontem.

Além das viagens já definidas, a equipe do programa está
negociando reuniões com investidores em Cingapura, San Francisco (EUA) e em
Madri. Ainda não há, entretanto, definição de datas para a realização desses
encontros.

Brasil poderá desenvolver
projetos de infraestrutura com EUA

Valor Econômico – A expectativa é que o atual governo mostre
um posicionamento mais aberto ao governo americano e às empresas para discutir
configuração de projetos

O Brasil deverá desenvolver projetos de infraestrutura junto
com os Estados Unidos, afirmou ontem o embaixador do país em Washington, Sergio
Amaral. Nós podemos fazer mais em infraestrutura. Essa é uma área em que
os investimentos americanos são bem-vindos, disse ele, durante debate no
centro de estudos Wilson Center, em Washington.

O desenvolvimento de projetos de infraestrutura será um dos
principais focos da viagem do presidente Michel Temer, na semana que vem, a
Nova York, onde ele deverá participar da Assembleia da Organização das Nações
Unidas (ONU). O secretário-executivo do Programa de Parcerias em Investimentos
(PPI), Moreira Franco, deverá aproveitar a viagem para apresentar novas
diretrizes ao desenvolvimento de projetos e de investimentos em estradas,
aeroportos e no setor de energia.

A expectativa é a de que o atual governo mostre um
posicionamento mais aberto ao governo americano e às empresas para discutir a
configuração dos projetos. Moreira também deverá enfatizar que os novos
investimentos serão antecedidos pela concessão ambiental para a realização das
obras. Com isso, será bastante reduzido o risco de os projetos serem
paralisados após uma companhia vencer a licitação, o que afastou investidores
internacionais de leilões no país. Na área de energia, representantes do
governo deverão discutir o desenvolvimento de projetos sobre energia limpa e
renovável, como de desenvolvimento de etanol de segunda geração.

Amaral avaliou que, nos últimos anos, o relacionamento entre
os dois países foi contaminado por um ruído. Foi provocado por
desconfianças e por questões ideológicas. Mas nós podemos ter uma relação
madura, que é aquela em que a gente pode ter um diálogo, o que não quer dizer
necessariamente concordância. Segundo ele, a relação com os EUA
sempre foi contaminada por uma ideia falsa, que ela só pode ser de adesão
ou de resistência.

O embaixador ressaltou que há uma oportunidade única
para cooperação. De acordo com ele, há várias áreas de convergência com
os EUA, como a defesa da democracia, dos direitos humanos, do meio ambiente e
do comércio. Amaral observou ainda que, enquanto o Brasil vive um momento
voltado à abertura comercial, os EUA e alguns países europeus enfrentam
discursos políticos contrários ao livre comércio. É uma ironia da
história: na hora em que estamos prontos para vir à mesa, os nossos parceiros
não estão.

O discurso contrário aos acordos de comércio está muito
forte na campanha eleitoral americana, onde os candidatos dos partidos
Republicano, Donald Trump, e Democrata, Hillary Clinton, se opuseram à Parceria
Transpacífica (TPP). O que eu posso dizer é que a natureza do debate
eleitoral deve ter menos influência sobre quem será eleito. Para ele, uma
vez eleito, o futuro presidente dos EUA terá que lidar com questões práticas e,
nas relações com o Brasil, e há espaço para fortalecer os laços comerciais.
Acho que teremos mais maturidade na nossa relação com os EUA. Se a
proposta for boa, por que não discutir e trabalhar conjuntamente?

O embaixador vê uma oportunidade de convergência no Mercosul,
pois os governos do Brasil e da Argentina estão trabalhando com ideias
similares. Nós costumávamos ir em direções opostas. Quando nos abríamos,
eles se fechavam; quando eles se fechavam, nós nos abríamos. Agora, estamos na
mesma direção. Talvez, seja uma oportunidade para novos acordos
comerciais.

Amaral considera que o Brasil superou o processo do
impeachment e que, agora, poderá se concentrar na aprovação de reformas. Ele
lembrou que Temer foi por três vezes presidente da Câmara dos Deputados e, portanto,
sabe lidar com essas negociações, o que era algo difícil para a
ex-presidente Dilma Rousseff fazer. Mas as reformas terão que ser bem
explicadas à população, advertiu.

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