O grupo Libra está em busca de um parceiro para o negócio de
terminais de contêiner no porto de Santos (SP), apurou o Valor. A instalação,
que já foi a maior do segmento no cais santista, vive uma situação difícil,
devido à acirrada concorrência de terminais dedicados ao nicho em Santos – em
2012 eram quatro, hoje são seis – e ao fraco desempenho do comércio exterior
brasileiro.
Da mesma forma que outros terminais em Santos, a Libra
perdeu serviços de navegação. Recebe hoje apenas uma escala regular de navio
por semana ante 11 em julho de 2012. Mas tem um problema adicional: precisa
tirar do papel um robusto investimento de mais de R$ 750 milhõespara duplicar
sua instalação num momento em que o grupo – com negócios em outros setores como
aeroportos e produção de azeite – está numa escalada de endividamento,
sobretudo devido ao investimento no terminal do Rio, outro negócio do braço de
operação portuária.
Em 2014 o endividamento bruto do grupo chegou a R$ 1,3
bilhão ante R$ 884 milhões no exercício anterior e R$ 671 milhões em 2012. O
balanço de 2015 ainda não foi divulgado. A alavancagem do grupo, medida pela
relação entre dívida líquida e Ebitda, saiu de 1,07 vez em 2012 para 2,4 vezes
em 2014, quando o grupo encerrou com receita líquida de R$ 1 bilhão, queda de
5% sobre 2013.
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O investimento no porto de Santos foi a contrapartida
exigida pelo governo para renovar por mais 20 anos, até 2035, o arrendamento do
terminal da empresa no cais. O contrato foi assinado em setembro de 2015. Sem o
investimento, a empresa pode ter, no limite, a renovação suspensa.
Procurado, o grupo Libra disse que não comenta rumores de
mercado e não explicou como vai financiar o plano de expansão em Santos. Mas
garantiu que segue cumprindo o cronograma estabelecido para a
expansão – até setembro deste ano tem de concluir a elaboração do projeto
executivo das obras. As principais intervenções deverão estar prontas até 2019,
segundo o governo. Mas há obras que não dependem da empresa, como melhorias
públicas e de outros arrendatários no porto.
Sobre possíveis interessados, houve conversas recentes com
operadores internacionais de terminais de contêineres e armadores – os donos de
navios, clientes dos terminais. O mercado considera que o parceiro ideal para a
Libra seria justamente um grande armador que garantisse atracações no terminal.
Mais importante que dinheiro é o volume de cargas. O que está fazendo a
Libra sangrar é falta de volume, diz uma fonte a par do assunto.
A movimentação da empresa em Santos vem caindo e recuou 15%
de 2013 para 2014, para 340 mil Teus (unidade padrão de um contêiner de 20
pés).
A troca da presidência do grupo em maio, quando José Balau
assumiu no lugar de Marcelo Araújo, que renunciou ao posto, é vista pelo
mercado como um aceno nesse sentido. Balau já trabalhou na Libra e, depois, na
indústria da navegação. A empresa disse na ocasião que a mudança marca o início
de um novo ciclo de negócios com foco no core business (principal
negócio).
Ocorre que os maiores armadores de longo curso que fazem o
transporte marítimo do comércio exterior no Brasil – e concentram cerca de dois
terços da carga de Santos – já têm solução de terminais no porto. A Maersk Line
e a MSC escalam no terminal da BTP, joint venture entre os operadores APM
Terminals e TIL, pertencentes aos mesmos grupos da Maersk e da MSC,
respectivamente. E a Hamburg Süd, armador líder nos volumes de exportação e
importação do Brasil, tem contrato até 2019 com o Tecon Santos, da Santos
Brasil. Outros grandes armadores de contêineres estão invariavelmente presos em
serviços realizados em consórcio com essas companhias.
O investimento prevê a unificação dos três terminais da
Libra no porto (T-33, T-35 e T-37) e a construção de um novo cais. O complexo
elevará a capacidade anual de movimentação da Libra em Santos de 900 mil Teus
para 1,8 milhão de Teus. Uma das interessadas em fazer a obra de modernização é
a gigante chinesa CCCC, que recentemente desembarcou no país, apurou o Valor.
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