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Papel e Celulose: Na contramão do mercado

Enquanto a maioria dos segmentos da economia reclama da
crise, o setor de Papel e Celulose vem surfando uma onda de crescimento poucas
vezes vista. A conjunção de fatores como o dólar e a demanda em alta e a baixa
concorrência internacional vem caindo como uma luva para um segmento que hoje
exporta 93% de sua produção.

Para Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da
Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), o cenário só não é perfeito porque o
setor vem operando há anos com o dólar baixo e, portanto, ainda está
recuperando as perdas passadas. “O período de dólar baixo foi ruim, por isso
precisamos de longevidade deste cenário para nos recuperarmos”, afirma.

A Ibá é a associação responsável pela representação
institucional da cadeia produtiva de árvores plantadas, do campo à indústria,
junto a seus principais públicos de interesse. A associação representa 61
empresas e nove entidades estaduais de produtos originários do cultivo de
árvores plantadas – com destaque para painéis de madeira, pisos laminados,
celulose, papel, florestas energéticas e biomassa –, além de produtores
independentes e investidores financeiros.

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Somado a alta do dólar, o diferencial do setor está no fato
de que, ao contrário de outras commodities, os produtos derivados de papel e
celulose não estão com os preços em queda. A demanda cresce na Europa e nos
Estados Unidos e o grande de vilão de outras áreas, a China, ainda produz
basicamente para atender ao mercado interno. Além disso, as crises vividas por
estes países alguns anos atrás tiraram de seus mercados cerca de 18 milhões de
toneladas de celulose, espaço que vem sendo ocupado por produtores brasileiros.

“Não temos demissões e estamos operando com nossa capacidade
máxima”, comemora Carvalhaes. Não por acaso, hoje o setor é responsável por
gerar cerca de 4,23 milhões de empregos de forma direta e indireta e por 5,5% do
PIB industrial do Brasil.

Planejamento de longo prazo

Ocupando hoje 7,7 milhões de hectares, ou 0,9% do território
nacional, o segmento de florestas plantadas foi o responsável direto pela
geração de R$ 10,23 bilhões em tributos federais, estaduais e municipais em
2014, o que corresponde a 0,8% da arrecadação nacional. Em relação a 2013, os
tributos pagos pelo setor aumentaram 9,2%.

Carvalhaes lembra que uma árvore leva seis anos para poder
ser extraída e que o setor está colhendo agora os resultados de investimentos
planejados há algum tempo. E o ritmo deve se manter. “Se somarmos os projetos
de investimento das empresas associadas, em andamento e previstos, que visam ao
aumento dos plantios, ampliação de fábricas e novas unidades, teremos algo em
torno de R$ 53 bilhões de 2014 até 2020”, revela.

Klabin

Hora de ampliar a
produção

Com a meta de crescer por dez anos consecutivos, a
centenária Klabin faz o maior investimento de sua história em uma fábrica de
celulose com o objetivo de dobrar a capacidade produtiva

A Klabin, líder do ranking Empresas Mais na categoria Papel
e Celulose, está envolvida no cumprimento de uma meta ambiciosa: crescer por
dez anos consecutivos. O objetivo foi estabelecido em 2011 e, passados quatro
anos, a companhia – acompanhada no pódio do ranking pela Cenibra e pela
Santher–, parece não sentir os efeitos de uma eventual retração do mercado.

A Klabin é hoje a maior produtora e exportadora de papéis do
Brasil, líder na produção de papéis e cartões para embalagens, embalagens de
papelão ondulado, sacos industriais e madeira em toras. Possui 15 unidades
industriais, sendo 14 no Brasil e uma na Argentina, e mais de 16 mil
colaboradores, entre diretos e indiretos.

Para o diretor geral da Klabin, Fabio Schvartsman, o
destaque no ranking reflete o posicionamento adotado a partir de 2011, quando
foram estabelecidos três pilares de atuação: melhorar a performance da
operação; definir uma estratégia que garantisse à companhia – que é centenária
– manter-se em crescimento; e evoluir em suas práticas de governança
corporativa. “Nosso desempenho tem sido bem-sucedido nesses aspectos, com
crescimento de Ebtida nos últimos 16 trimestres consecutivos e com as ações
figurando entre as mais rentáveis da BM&-FBovespa”, comemora.

Foi neste período também que a companhia iniciou o maior
investimento de sua história: a construção de uma fábrica de celulose em
Ortigueira (PR). O projeto recebeu investimentos de R$ 7 bilhões e, quando
concluído, em março de 2016, vai dobrar a capacidade de produção da Klabin.
Somente a nova unidade responderá pela produção de 1,5 milhão de toneladas de
celulose, sendo 1,1 milhão de celulose de fi bra curta e 400 mil de celulose de
fibra longa, parte dela convertida em celulose fluff.

Além da nova unidade, a Klabin também vem realizando uma
série de ampliações em sua capacidade de produção em papéis para embalagem. Em
novembro de 2013, inaugurou a Máquina de Papel 23 para produção de 80 mil
toneladas/ano de sack kraft, na Unidade Correia Pinto (SC). No ano passado,
concluiu a expansão da Máquina de Papel 9, na Unidade Monte Alegre (PR), para
aumentar em 50 mil toneladas/ano sua produção de papel cartão. Também em 2014,
adicionou 35 mil toneladas/ano de papel kraft à produção da Máquina de Papel
14, em Angatuba (SP). Em fevereiro deste ano, iniciou a operação da Máquina de
Papel 24, na Unidade Goiana (PE), elevando a capacidade de produção de 50 mil
toneladas/ano para 160 mil toneladas/ano de papel reciclado nessa fábrica. E em
abril de 2015, ampliou a Máquina de Papel 21, na Unidade Piracicaba (SP),
acrescentando 15 mil toneladas à produção de papel reciclado.

“Com isso, a Klabin atingiu, em 2015, a capacidade de
produção de 2 milhões de toneladas por ano em papéis. Completando este ciclo, a
nova Unidade Ortigueira (PR) adicionará mais 1,5 milhão de toneladas, fazendo
elevar a capacidade para 3,5 milhões de toneladas/ano de papéis e celulose em
2016. Assim, no período entre 2013 e 2016, a empresa terá dobrado sua
capacidade de produção”, comemora Schvartsman, lembrando que os investimentos
incluem também a construção de um laboratório focado em inovação, em Monte
Alegre (PR), que será inaugurado no próximo ano.

Foco no futuro

Para Fabio Schvartsman, o Brasil passa hoje por um momento
desafiador do ponto de vista econômico e político, mas a Klabin tem se
preparado para enfrentá-lo. “Somos uma companhia centenária, com flexibilidade
e resiliência, que se beneficia da alta produtividade florestal, da excelência
operacional e do seu mix de produtos”, diz.

O executivo afirma que essa variedade permite à companhia
atuar em mercados diferentes e atrativos, atendendo tanto às necessidades
básicas de seus clientes, quanto aos voltados para exportação. Exatamente por
isso, os planos de crescimento continuam em pauta. “O investimento na Unidade
Ortigueira permitirá voos mais altos de integração de celulose e papel no
futuro, com a construção de novas máquinas de papel”, revela.

Quem também está se preparando para os próximos meses é a
Cenibra, segunda colocada no ranking do setor. De acordo com o
diretor-presidente da companhia, Paulo Brant, a prioridade máxima da companhia
no futuro próximo é a continuidade do projeto de redução de custos na área
florestal e também na planta industrial. “Como nossas receitas são determinadas
por parâmetros não gerenciáveis, como a taxa de câmbio e os preços
internacionais da celulose, nosso foco é todo do lado dos custos”, diz.

Esse esforço vem sendo realizado há três anos, juntamente
com outros no sentido de melhorar o produto, o clima organizacional, o meio
ambiente e a relação da companhia com as comunidades. “Numa palavra, melhorar a
empresa como um todo. Na área florestal, está em curso um processo intensivo de
modernização gerencial e de mecanização da operação. Na planta industrial, um
fluxo de inovação e investimentos, visando, dentre outros objetivos, a redução
do consumo de água e de energia nos processos de fabricação da celulose”,
afirma Brant. Como resultado, a Cenibra, localizada em Belo Oriente (MG), tem
hoje uma produção anual de cerca de 1,2 milhão de toneladas, sendo 90% disso
destinado ao mercado externo. Com 7,5 mil funcionários, no ano passado os
investimentos de capital da companhia totalizaram R$ 228 milhões. A geração de
caixa ficou em R$ 470 milhões.

A Santher, terceira colocada no ranking, também cresceu no
período. A empresa não quis dar entrevista para o ranking Empresas Mais, mas o
relatório trimestral divulgado pela companhia aponta que, no primeiro semestre
de 2015, a Santher atingiu uma receita líquida de vendas de R$ 652,2 milhões,
aumento de 5,3% comparado ao mesmo período de 2014. Este desempenho foi
influenciado, principalmente, pelos reajustes das tabelas de preço visando
repassar os efeitos inflacionários dos seus custos e pelo melhor mix de vendas,
sobretudo pelo forte desempenho na categoria de fraldas infantis, que atingiu o
seu maior market share na história da empresa.

Fonte:  Especial Estadão Empresas Mais

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