Apesar das previsões otimistas para o preço do minério de ferro, a Vale vai cortar investimentos em 2013 e num postura mais conservadora a decisão é priorizar apenas um projeto de cada área de atuação da companhia por vez, segundo o diretor-financeiro da mineradora Luciano Siani.
Os investimentos vão cair de US$ 17,5 bilhões em 2012 (estimativa de dezembro) para US$ 16,3 bilhões previstos para 2013.
Inicialmente, a meta da Vale era aplicar US$ 21 bilhões no ano passado, mas a cifra sofreu redução ao longo do ano diante da redução do preço do minério de ferro e da menor geração da caixa da empresa.
Ex-funcionário de carreira do BNDES e representante do banco no Conselho de Administração da Vale, Siani culpou, de modo indireto e sem mencionar nomes, a ex-administração de Roger Agnelli, que presidiu mineradora até maio de 2013, por não entregar projetos prometidos (muitos sem licença ambiental).
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
Tal postura fez, afirma, os investidores negociarem as ações da mineradora com “um desconto”. Diante disso, a Vale perdeu o posto de segunda maior mineradora do mundo em valor de mercado para a concorrente australiana Rio Tinto.
“A Rio Tinto tem entregue o que prometeu na área de minério de ferro e aumentou sua produção. Nós, não”, disse Siani.
Sem novos projetos, diz, a produção de minério de ferro não cresce desde 2007 e a empresa precisa investir no seu principal e mais rentável produto para ganhar mercado. Hoje, a produção está estagnada na faixa de 300 milhões de toneladas ao ano.
Dentro de uma visão mais seletiva, a Vale vai priorizar a nova mina e expansão do sistema logístico de Carajás na área de minério de ferro, que receberá US$ 2,1 bilhões em 2013. A empreendimento estará a plena capacidade só no fim de 2017, quando extração de minério saltará para 407.
O projeto de Simandou, na Indonésia, não está nos planos imediatos e pode ficar para depois de 2018, quando se encerra o ciclo de investimentos em Carajás. A Vale gastou US$ 2,5 na aquisição das reservas.
Outros Projetos
Ainda em minério de ferro, a revitalização de antigas minas em Minas Gerais, para recuperar produção e qualidade do minério, terá US$ 1,1 bilhão em 2013.
Fora do minério, o maior aporte previsto é US$ 1,4 para ampliação do corredor logístico (porto e ferrovia) da mina de carvão de Moçambique. A Vale, diz, busca um sócio para esse projeto.
Para o analista Felipe Hirai, do Bank of America, o setor de mineração em todo o mundo (inclusive a Vale) passou a priorizar a redução de custos e projetos com mais rentabilidade em detrimento ao aumento do faturamento. O motivo, diz, foi a desaceleração da demanda mundial por minérios e metais.
Os investimentos, diz, devem subir, em média, 20% em 5 anos. “Antes, víamos empresas falando em dobrar de tamanho nesse período.”
Rebaixamento de Ativos
Siani disse ainda que a mineradora poderá rebaixar a avaliação de alguns de seus ativos (minas, unidades de produção etc), o que tem impacto no balanço da companhia. A medida, diz, é necessária para dar o real valor atualizado dos ativos da companhia, mas não falou em valores.
Seja o primeiro a comentar