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Aumento de mobilidade em SP e no Rio depende de trens, dizem especialistas

Estudiosos das questões relativas à mobilidade urbana afirmam que é necessário retomar investimentos nos transportes públicos sob trilhos e afirmam que faixas exclusivas de ônibus são modelos limitados.


Um estudo do Observatório das Metrópoles, grupo ligado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, divulgou um índice avaliando o bem-estar nas principais regiões metropolitanas do país. Um dos ponots avaliados foi o tempo gasto entre trabalho e residência. Neste quesito, Rio de Janeiro e São Paulo ficaram, respectivamente, em último e penúltimo lugares.


Para Sergio Ejzenberg, mestre em engenharia de transportes pela Escola Politécnica da USP, os problemas de mobilidade urbana em São Paulo decorrem do fato de há uma “concentração muito grande no centro expandindo” de serviços, oferta de emprego e unidades educacionais. Não só pessoas vindas dos bairros periféricos se dirigem para a região central, mas também as vindas de outras cidades da região metropolitana.


“80% do fluxo são de pessoas indo ao trabalho e à escola e, portanto, nos mesmos horários”, diz Ejzenberg. Para ele, não se pode culpar apenas os carros pelos problemas de trânsito. “Automóvel particular não é luxo. Se decretassem que o uso de carros está proibido, o transporte público não seria capaz de absorver todo mundo.”

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As faixas exclusivas e corredores de ônibus seriam uma solução que exige complementação. “As faixa exclusivas aumentaram a velocidade, não a capacidade. É um avanço, mas como está, só beneficia quem já pega ônibus. Sem mais veículos [coletivos], as pessoas não abandonarão os carros”, afirma Ejzenberg, que defende o investimento prioritário em transporte sobre trilhos.


“Apesar dos custos e do tempo de implementação serem maiores, pode-se criar [transporte sobre trilhos] em qualquer lugar. Quantas [avenidas] 9 de Julho dá para inventar?”


RIO DE JANEIRO


De acordo com Mauro Kleiman, urbanista e professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ, o modelo de concentração urbana na região central se repete no Rio de Janeiro. “Havia uma lei da década de 60, recentemente revogada que proibia a construção de novas moradias no centro. Um erro crasso.”


Segundo Kleiman, os problemas com transportes também decorrem de uma “opção histórica pelo rodoviarismo.” Ele diz que em nenhuma metrópole desenvolvida tal modelo teria sido adotado.


Hoje, a substituição seria muito custosa, já que “houve adensamento no tecido urbano, o que dificultam as obras e desapropriações”. Ainda assim, a alternativa por faixas de ônibus é “temporária e paliativa, além de tender a se esgotar a longo prazo”.


O transporte sobre trilhos, segundo Kleiman, seria o único adequado para a circulação de massas, necessária em metrópoles, já que se dá em vias segregadas.

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