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Corredor do Mercosul pode reduzir custos de transportes

O coordenador do projeto Corredor do Mercosul, consultor João Manoel Bicca, estima que o transporte pelo Rio Grande do Sul em via férrea pode representar uma redução em 20% a 25% dos custos para as cargas da Argentina, Bolívia e Paraguai. Atualmente, a soja paraguaia é levada por caminhão até Paranaguá, no Paraná. Entretanto, a distância entre Encarnación (um dos polos produtores) e São Luiz Gonzaga, a ser enfrentada por rodovia, é de apenas 250 quilômetros. Na cidade gaúcha os grãos podem ser levados ao trem e seguir para Rio Grande. “O que é melhor, fazer 250 quilômetros de caminhão e pegar o trem ou fazer mil quilômetros de caminhão até o porto? Em São Luiz temos, ainda, o apoio do maior complexo de armazéns da Cesa, com capacidade para 85 mil toneladas”, questionou Bicca.


Outra articulação possível, mapeada pela Famurs, é entre a Bolívia e o município argentino de San Tomé. A ferrovia entre o país andino e a cidade argentina já existe e é operada pela ALL. De San Tomé a carga precisaria percorrer uma curta distância (cerca de 100 quilômetros) de caminhão para passar a ponte internacional em São Borja e chegar à ferrovia em São Luiz Gonzaga, que tem mais 600 quilômetros até o porto de Rio Grande.


A proposta, garantiu a gerente de relações corporativas e de patrimônio da ALL, Renata Trevisan, é de interesse da empresa. Segundo ela, a companhia está investindo mais de R$ 100 milhões na recuperação de trechos no Rio Grande do Sul. O plano, que começou em 2011, deve ser concluído até 2014, mas apesar de trazer de volta à operação os trechos que estavam com “baixa intensidade” não é suficiente para garantir o crescimento da produção. “Esse crescimento só virá se outros crescimentos paralelos forem feitos e a ALL se dispõe a participar nesses investimentos, que seriam, por exemplo, para aumentar a capacidade de descarga em Rio Grande”, afirmou.


Renata lembrou, ainda, que a Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) trabalha na criação de um novo marco regulatório para estabelecer metas por trecho, fazer uma revisão tarifária e possibilitar a entrada de outros operadores. Para isso, a agência mapeia a capacidade das linhas e o uso, para averiguar a operação por outras empresas logísticas. “A ALL não poderia estar à margem desse processo, dessa discussão sobre o Corredor do Mercosul. Temos plano agressivo de crescimento no Rio Grande do Sul. Queremos passar de 3 milhões de toneladas para 6,5 milhões de toneladas transportadas ao ano, nos próximos anos”, concluiu.

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Já o secretário adjunto do Gabinete dos Prefeitos e Relações Federativas do Estado, Gilson de Brum, comemorou o engajamento das prefeituras nos debates que podem mudar a economia do Rio Grande do Sul. Segundo ele, o projeto é conhecido pelo governador Tarso Genro desde o início do mandato.

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