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Licitação fatiada pode não resolver alto custo do TAV

Apesar das mudanças anunciadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o setor ainda tem dúvidas em relação ao bloco relacionado à construção da infraestrutura. Há quem garanta que a formatação da licitação em duas etapas não resolve o problema do elevado custo do empreendimento. Enquanto o governo diz que o projeto custaria R$ 33 bilhões, alguns investidores afirmam que não ficará por menos de R$ 50 bilhões.


“Vai haver pressão sobre os construtores, que terão de reduzir as margens. Mas o preço não vai cair tanto assim”, afirma um investidor que analisou o projeto nos moldes anteriores. Segundo ele, a equação financeira tem de levar em conta a demanda de passageiros, receitas e o valor do investimento.


A maioria dos empreendedores estrangeiros, que já estão acostumados com a implementação do trem-bala, afirma que para fechar a conta não há mágica: o governo terá de entrar com mais dinheiro. “No mundo inteiro é assim”, afirma o presidente da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop), Luciano Amadio. O executivo integra o grupo de investidores que afirma não ser possível construir um trem-bala por menos de R$ 50 bilhões.


O governo já afirmou que não vai aumentar sua parcela no projeto. Mas o desenho do novo modelo tem mostrado cada vez mais que isso vai ocorrer de uma forma indireta. A estratégia de usar os empreendimentos imobiliários para tornar o projeto mais atrativo pode ser uma sinalização disso. O objetivo é elevar a receita do projeto, ficando responsável pela desapropriação.
O lado bom do novo modelo é que quem resolver entrar nessa empreitada saberá de forma precisa qual o custo do projeto: R$ 33 bilhões ou R$ 50 bilhões. Se entrar na licitação, estará assinando o compromisso de arcar com os riscos da operação.

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Desde o início das discussões sobre a construção do trem-bala, as cifras elevadas sempre foram a principal polêmica. O empreendimento começou com uma previsão de investimentos de R$ 14 bilhões (US$ 9 bilhões). No meio do caminho, pulou para R$ 22 bilhões (US$ 14 bilhões) e, finalmente, R$ 33 bilhões. Mas o custo do trem-bala já foi orçado em R$ 62 bilhões, segundo um relatório elaborado pela empresa Halcrow. O valor incluía 30% de contingenciamento, já que não havia o projeto executivo.


Ao receber o material, o governo não gostou nada dos números e pediu revisões, afirma uma fonte. Sem os contingenciamentos, o custo caía para algo em torno de R$ 40 bilhões. Mas ainda era muito dinheiro. A partir daí o governo incumbiu o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de adaptar o projeto da Halcrow pelos preços internos. Os túneis seguiriam os custos do metrô de São Paulo; e os trilhos, da Transnordestina. Assim, chegou-se aos R$ 34 bilhões, reduzidos para R$ 33 bilhões pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

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