33ª Edição · Prêmio Revista Ferroviária
Vote no Prêmio RF 2026!
Faça parte do Colégio Eleitoral
Clique e Cadastre-se
revistaferroviaria.com.br

Gargalos em rodovias ajudam trem a competir

O trem de carga ganhou um aliado inesperado no país: os congestionamentos em grandes cidades como Rio e São Paulo e nas estradas que cortam as regiões metropolitanas. Mesmo em trechos de apenas 90 quilômetros já há empresas que optaram por usar o trem em São Paulo, no lugar do tradicional caminhão. Os especialistas em transportes dizem que o trem costuma ser competitivo para distâncias superiores a 500 quilômetros, mas os gargalos rodoviários criaram uma situação anômala no Brasil. Ao atravessar aglomerações urbanas, o trem anda devagar, geralmente a uma velocidade de 20 a 30 quilômetros por hora; mas passa e chega ao destino em horários razoavelmente previsíveis. Foi o que aconteceu na viagem que testemunhamos, de um comboio da concessionária MRS, com mais de 130 vagões (quase 1,5 quilômetro de comprimento) entre Bom Jardim de Minas e Barra do Piraí (RJ).


Bom Jardim de Minas é um ponto estratégico da ferrovia. A partir de lá, os trens carregados de minério de ferro e outros produtos (gusa, placas de aço, tubos,cimento, equipamentos pesados, contêineres etc.), procedentes do Quadrilátero Ferrífero mineiro e da capital Belo Horizonte, começam a descer a Serra da Mantiqueira em direção ao Rio de Janeiro ou a São Paulo. Máquinas que auxiliaram o comboio durante a subida são desconectadas ali apenas uma possante locomotiva conduz o trem. Se na subida chega a consumir dois mil litros de óleo diesel, na descida, não gasta mais de 200. Maquinistas bem treinados assumem o comando nesses trechos de descida, pois o trem, carregando 13 mil toneladas de minério de ferro (ele próprio pesa outras três mil toneladas) prossegue a viagem só no freio, quase sem que seja preciso acelerá-lo.


É uma descida suave, pois a ferrovia é relativamente moderna. Projetada e inicialmente construída na segunda metade dos anos 1970, e era chamada no governo militar do presidente Ernesto Geisel de Ferrovia do Aço. Foi polêmica, porque a obra custou muito mais caro do que se previa, e a obra parou no meio. Só foi concluída com o adiantamento de recursos de uma mineradora privada (a então MBR).


Hoje, poucos têm o privilégio de conhecer esse trajeto, pois o seu traçado evita passagens por áreas urbanas. Cruzando 46 túneis (o maior deles tem oito quilômetros, quase três vezes o tamanho do Rebouças, no Rio) e incontáveis viadutos no trecho de descida, o trem viaja a uma velocidade máxima de 50 quilômetros por hora. Com tolerância por apenas sete minutos admite-se que acelere a 53 quilômetros. Esse limite é uma questão de segurança. Preserva a via permanente (trilhos, dormentes e lastro) da ferrovia e reduz a possibilidade de acidentes. Um trem desses precisa de pelo menos 600 metros entre começar a frear até parar completamente.

As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.

Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.

Assinar agora

Por isso, quando atravessa aglomerados urbanos, geralmente anda mais devagar, a 30 quilômetros. A descida da Serra da Mantiqueira termina próximo a Quatis e a Porto Real, já no Estado do Rio. Na direção de Barra do Piraí (ou no caminho para São Paulo), a ferrovia se aproxima do Rio Paraíba do Sul. Já nos bairros periféricos de Barra Mansa, a estrada de ferro é margeada, dos dois lados, por casas, prédios, ruas e fábricas. E vai assim até depois de Volta Redonda. E como há cada vez mais trens de carga circulando pela via, e as passarelas para pedestres não dão conta para o movimento, um motociclista segue à frente do trem, por caminhos paralelos (ruas e becos) para ajudar a fechar as passagens de nível. Moradores dessa região, habituados ao movimento do tem, muitas vezes se arriscam, correndo, na travessia. E motoristas idem. Qualquer descuido, então, é motivo de acidente. Um tropeço, uma paralisação súbita do motor do carro. E aí a via para.


Um trem de minério de ferro, como o que testemunhamos, carrega mercadorias com valor aproximado de US$ 1,6 milhão, considerando-se a cotação do procuro na faixa de US$ 120 no mercado internacional. O frete ferroviário custa cerca de US$ 8 por tonelada de minério. Qualquer interrupção temporária da linha férrea pode provocar um efeito cascata, físico e financeiro, pois há uma programação de carregamento nas empresas e descarregamentos nos portos e terminais ferroviários. Os trens da MRS geralmente fazem um circuito meio oval, descendo com carga para o Rio pela ramal moderno da “Ferrovia do Aço” e retornando pela antiga Linha Centro, originária da Estrada de Ferro Central do Brasil. Na volta estão quase sempre vazios. Se não há problemas nessas vis ou atrasos nos carregamentos, o trem leva um dia para completar o circuito.


A MRS, concessionária de parte da malha Sudeste da extinta Rede Ferroviária Federal, circula por 1.674 quilômetros de linhas, transportando 155 milhões de toneladas por ano. O que a Rede levava quatro meses para transportar nessa malha agora é carregado em apenas um mês. A principal carga continua sendo o minério de ferro, hoje principal produto de exportação do país, que só deverá ser desbancado pelo petróleo em 2015 ou 2016. Aproximadamente 4% do minério de ferro (e 18% do total das exportações brasileiras) passam pelos trens da MRS, num conjunto de 469 locomotivas e 8429 vagões.


As locomotivas estão sendo novamente fabricadas no Brasil (pela GE, na fábrica de Contagem), assim como os vagões. Acidentes com trens sempre são graves, mas felizmente desde 1996 o índice diminuiu em 80% por conta de sistemas de controle computadorizados, e de um investimento acumulado de R$ 9 bilhões, desde o início da concessão, na via permanente e em equipamentos.

Borrowers who would look cash advance payday loans their short terms. payday loans

It is why would payday cash advance loan want more simultaneous loans. payday loans

Payday lenders so why payday loans online look at.

Bad lenders will be payday loans online credit bureau.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*