Diante do crescimento da pressão do setor privado, o governo estuda a possibilidade de adiar o leilão do Trem de Alta Velocidade (TAV), que ligará o Rio a São Paulo e Campinas. A decisão sobre postergar ou não a licitação sai nesta sexta-feira, já que a entrega de propostas está marcada para segunda-feira. Ainda que formalmente nenhuma autoridade do setor admita, nos bastidores o governo avalia os riscos políticos de manter o leilão este ano, tendo apenas um competidor garantido, ou se seria mais apropriado transferir a licitação para junho, tendo a possibilidade de ter mais dois grupos na disputa.
Nesta quarta-feira, o tema foi discutido com a presidente eleita Dilma Rousseff, pelo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e pelo diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo.
Formalmente, até quarta-feira, as datas continuavam mantidas – a licitação será no dia 16 de dezembro, quando serão abertos os envelopes com as propostas, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
O entendimento do governo é que o adiamento só seria cabível se as empreiteiras brasileiras – grandes e médias – assegurassem que vão apresentar propostas em 2011. Mas as construtoras, que serão responsáveis por cerca de 80% do custo da obra, se negam a dar essa garantia, argumentando que será preciso fazer estudos geológicos definitivos antes, além de um levantamento preciso da demanda projetada.
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Até agora, além da demanda média de 33 milhões de passageiros ser considerada superdimensionada, o custo de R$ 33,1 bilhões da obra é tido como inexequível.
– Essa é uma obra ainda cheia de incógnitas e de tão grande representa um risco de quebrar uma empresa. Nunca perdi dinheiro com obras em que não entrei, mas perdi muito em obras em que entramos – disse o executivo de uma empreiteira. O Cálculo dos estrategistas do Palácio do Planalto é evitar danos políticos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e para Dilma, que sempre deram com ardor o projeto.
Esse é o ponto da negociação em andamento, que se transformaram numa queda de braço. O governo suspeita que as empreiteiras estão blefando e vão aparecer no leilão. O pedido de atraso seria uma estratégia para pressionar pela mudança das condições do contrato.
-Se adiar, ele acham que terão mais chances de mudar os termos da concessão. As condições da licitação são públicas há meses. Não há a menor chance de o governo melhorar os termos da concessão- disse ontem Figueiredo.
Ele admitiu que as pressões pelo adiamento aumentaram mas ressaltou que não havia razão objetiva para que a data das propostas fosse postergada.
-Nós, da agência, não vemos elementos suficientes para mudar a data. Se eles não analisaram o empreendimento em um ano vão fazê-lo em três meses? – questionou o diretor da ANTT.
Mas, cauteloso, Bernardo enfatizou que a decisão de adiamento não é da competência do órgão regulador.
-Se o governo resolver adiar, eu adio – afirmou.
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