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Sem trem, transporte para Cumbica é caro e demorado

A falta de opções de transporte rápido e de massa faz com que o deslocamento de passageiros do Aeroporto de Guarulhos até São Paulo seja caro ou demorado: o que há disponível são táxis, ônibus executivo e coletivos particulares. O aeroporto fica a cerca de 30 quilômetros da região central de São Paulo e, há anos, é alvo de promessas do governo do Estado da instalação de uma linha de trem para facilitar o acesso.


O mais recente projeto é o da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que pretende construir uma linha de 11,5 quilômetros entre o terminal e a Estação Engenheiro Goulart, na zona leste paulistana. A obra deve começar a sair do papel só em fevereiro do ano que vem e as obras, com custo de R$ 1,2 bilhão, só ficam prontas entre 18 e 24 meses. “O trem não consegue ficar pronto para a Copa do Mundo de 2014, ainda estamos discutindo os detalhes da licitação”, afirmou na terça-feira o presidente da CPTM, Mário Bandeira. Já o primeiro projeto de trem expresso até o centro da cidade foi descartado pela companhia em razão do trem de alta velocidade, que também tem estação prevista no aeroporto.


Quando estiver pronta, a linha chamada de 13-Jade terá demanda de 120 mil passageiros por dia. São pessoas que hoje precisam arranjar alternativas para chegar até o maior aeroporto da América Latina. Por lá, passam 30 milhões de pessoas por ano. Além disso, a população permanente do aeroporto (basicamente funcionários) é de 30 mil pessoas e deve chegar a 50 mil com as ampliações do terminal. A população flutuante (passageiros e acompanhantes) já alcança 300 mil pessoas por dia.


Ônibus

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Hoje, a companhia Airbus Service que disponibiliza ônibus executivos para o aeroporto cobra R$ 35 pelo serviço. A atendente informa que o trajeto até a Rodoviária do Tietê dura 30 minutos; para a República, no centro, dura 40 minutos; até a Barra Funda, na zona oeste, Avenida Paulista, na região central, Aeroporto de Congonhas e Avenida Faria Lima, ambos na região sul, a viagem chega a uma hora. O serviço é feito 24 horas por dia. Há ainda um ônibus circular da empresa que leva passageiros até o metrô Tatuapé por R$ 4,30. Nesse caso, o serviço é prestado das 5h às 24h e o trajeto dura cerca de 40 minutos.


Os serviços do ônibus mais barato, no entanto, não têm sinalização adequada e nem todos os passageiros o encontram. Kleber da Silva, que chegava do Ceará para trabalhar como garçom em São Paulo, procurava o ônibus que ia até o metrô Tatuapé. “Faltam informações sobre onde param os ônibus. Se meu amigo não tivesse vindo me esperar não conseguiria chegar”, considera.


Para a comissária de bordo Amanda Rodrigues, o ônibus até o Tatuapé é a opção mais barata. “Demoro uma hora e meia para chegar na minha casa, em Osasco. Se tiver um trem, esse trajeto pode ser mais fácil e rápido”, considera ela, que faz o trajeto pelo menos uma vez por semana.


Executivo


Já o advogado Cassius Lopes utilizava o terminal 4 para embarcar para Curitiba. “Vim de táxi do centro. Paguei R$ 90”, diz ele, que viaja de avião com frequência por conta do trabalho. “Uma linha de trem é importante para ter outras opções para vir para cá”, avalia. Lopes afirma ainda que utiliza ônibus executivos no aeroporto de Curitiba por R$ 4 e em Brasília por R$ 4. “O preço em São Paulo é absurdo”, considera.


A analista de recursos humanos Renata Morro mora no Chile, mas vem para São Paulo uma vez por mês visitar a família e utiliza ônibus executivo. “Fico em Perdizes [na zona oeste] e acho que o trem facilitaria bastante o acesso”, diz ela. Quando viaja a trabalho, Renata utiliza os táxis do aeroporto e diz pagar R$ 120 pelo transporte até a casa da família.


Outra opção são os ônibus das companhias aéreas que levam os passageiros até o Aeroporto de Congonhas. Na fila para pegar o ônibus da TAM, a bancária Bianca Carvalho, esperava o transporte até Congonhas, onde pegaria o voo de volta para o Rio de Janeiro. “Hoje dependemos da companhia para fazer isso. Ter possibilidade de transporte público vai nos dar mais acessibilidade”, considera.


Estação


De acordo com o presidente da CPTM, o governo de São Paulo mantém conversas com a concessionária Aeroporto Internacional de Guarulhos, que está assumindo a administração do aeroporto, para definir o melhor local da estação. “Havia um local reservado entre os terminais 1 e 2. Há documentos que comprovam isso, mas eles dizem que não sabiam do projeto e reservaram o espaço para outra finalidade”, afirma Bandeira.


Segundo Bandeira, a concessionária reservou espaço próximo ao Terminal 4, que hoje atende apenas a WebJet, e fica dois quilômetros distante dos terminais 1 e 2, que são os mais movimentados e darão acesso ao terminal 3, que está em construção. A concessionária afirma que colabora com a CPTM para a definição do “local mais adequado” para a construção da futura estação da Linha 13-Jade. Após definição do local, a empresa prevê construir um sistema de mobilidade interna que levará os passageiros da estação aos terminais. De acordo com a empresa, há um sistema de monotrilho em estudo, previsto no plano diretor do aeroporto, com capacidade adequada à demanda projetada pela CPTM. O investimento estimado é de US$ 40 milhões, mas a previsão é que o projeto fique pronto somente em 2016.


Já em São Paulo, a estação que vai abrigar a chegada dos passageiros é a Engenheiro Goulart, da Linha 12-Safira. De lá os passageiros precisarão percorrer mais dez minutos para ter acesso ao metrô no Tatuapé. A estação Engenheiro Goulart, de acordo com a CPTM, será remodelada. Antiga, ela recebe somente 2,3 mil passageiros por dia e apresenta infiltrações no teto. Para chegar à plataforma é preciso subir uma rampa que passa por cima dos trilhos e é acessada por escadas. Os passageiros com dificuldade de acessibilidade precisam atravessar a linha do trem para chegar a plataforma. 


A gestora escolar Elizabete Martins, que mora em Engenheiro Goulart e trabalha em Guarulhos, diz que nunca utilizou o aeroporto, mas que o trem pode ajudar a diminuir o tempo gasto até o trabalho, que hoje chega a 40 minutos.


O auxiliar administrativo Alexandre Pereira também nunca precisou ir até o aeroporto e diz que a necessidade dos passageiros do bairro é que o trem da Linha 12-Safira, que hoje só faz integração com o metrô Tatuapé, tenha paradas também em outras estações. “Trabalho perto do metrô Belém e precisa ir até o Brás para depois voltar ao local onde trabalho”, reclama.

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